ZICA E SUSTENTABILIDADE.

ZICA E SUSTENTABILIDADE.

lixao

O Brasil está vivenciando um grave problema da saúde pública com o agravamento progressivo da epidemia do Vírus ZICA e seus impactos sobre o contingente populacional das gestantes no que tange à microcefalia.

A pergunta é: qual a relação desta epidemia com a questão do Desenvolvimento Sustentável?

No conceito mais abrangente do Desenvolvimento Sustentável, uma das três bases deste processo é o bem estar social das populações que é o capital humano do desenvolvimento, que conjugadas com a preservação ambiental e a sustentabilidade econômica, compõe o tecido do progresso equilibrado e justo de uma nação.

O Zica Vírus poderá se transformar numa doença endêmica no Brasil e na América Latina.

“O aviso vem de cientistas ouvidos pela BBC Brasil para analisar os possíveis desdobramentos no surto que já atingiu mais de 20 Estados brasileiros e pelo menos duas dezenas de países no continente. Entre eles o entomologista e médico Andrew Haddow, neto de Alexander Haddow, um dos três cientistas que em 1947 isolaram pela primeira vez o Zika vírus.” (Fonte: Carta Capital)

A projeção é de um cenário preocupante diante da possível relação do vírus com os 4 quatro mil casos sendo investigados de possível microcefalia no Brasil. Os efeitos da microcefalia em termos de direitos humanos é de uma gravidade sem precedentes em nosso País, pois carecemos de uma rede de proteção social com capacidade de atender devidamente às necessidades das mães e famílias impactadas de forma diversificada nos aspectos sociais, saúde, psicológicos e econômicos, decorrentes desta epidemia, tornando dramático o futuro dos bebês e suas famílias.

As sucessivas epidemias da Dengue em anos anteriores, também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, já sinalizavam para a virtual incapacidade da sociedade brasileira e do estado brasileiro em conter a expansão deste vetor. Certamente a eliminação ou minimização dos criatórios do vetor dependem de ações coletivas e eficazes, pois o Brasil tem atualmente 84% de sua população vivendo em áreas urbanas o que requer um esforço muito grande para que os resultados atendam aos objetivos de erradicação deste vetor.

Do ponto de vista da sustentabilidade, os problemas de saneamento básico são complicadores que dificultam em muito uma solução para a esta erradicação. Atualmente, 20 milhões de brasileiros não dispõe de coleta regular de lixo, fator que torna difícil o combate ao Aedes aegypti.

“No Nordeste, 82% dos depósitos de larvas de mosquito foram encontrados em reservatórios de água, boa parte deles improvisada para driblar os problemas de abastecimento. O lixo é o depósito predominante nas regiões Sul (49,2%) e Norte (35,8%). Somente no Sudeste, os domicílios correspondem a mais da metade dos focos de reprodução do vetor.” (Fonte: Carta Capital)

 

A existência de lixões e aterros na proporção de 41% em termos do destino do lixo urbano é um problema de difícil solução  em termos de controle dos criatórios do vetor.

 

Em suma, o atraso do País na solução dos graves problemas de saneamento básico impede que, mesmo com toda a boa vontade da população e das ações do poder público, as condições de proliferação do vetor sejam eficazmente eliminadas.

Portanto, além das ações de saúde pública e de combate aos criatórios urbanos, nas residências e construções nas cidades, é necessária uma iniciativa mais abrangente de acelerar os programas de saneamento básico, sem a qual, infelizmente, as previsões mais pessimistas para a epidemia da Zica poderão vir a se materializar. Com isto o Brasil tem a sua imagem afetada e a herança desta epidemia entrará para a nossa história como um fato muito negativo.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.