Vazamentos de petróleo na Amazônia peruana ameaçam rios da região

Amazônia peruana.

 

Vazamentos de petróleo em grandes proporções na Amazônia peruana, desde janeiro, disparam um alerta para os impactos negativos aos rios e à população.

O óleo atingiu os rios Chiriaco e Morona, no Noroeste do país, prejudicando comunidades ribeirinhas e indígenas.

O acidente no oleoduto da empresa Petroperu ocorreu na bacia Rio Marañon, que é um afluente do rio Amazonas. De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, Adalberto Luís Val, apesar de atingir o lado peruano, as consequências são para todo o bioma da Amazônia.

“A gente precisa pensar na Amazônia como um bioma ocorrendo em todos os países simultaneamente. Não importa muito aonde a gente tenha um desafio ambiental. Ainda que esse acidente esteja ocorrendo no Peru ele vai afetar o ambiente como um todo”, afirmou.

Segundo o pesquisador, parte do petróleo é solúvel em água e imperceptível, mas tóxico, podendo causar tumores nos peixes. Ele explica que a parte sólida, que fica na superfície da água, é preocupante para algumas espécies típicas da região.

“Uma boa parte dos peixes desenvolveu a capacidade de respirar na interface da água com o ar, ou mesmo respirar ar diretamente, como é caso do pirarucu.”

“Quando em ambientes contaminados com petróleo, que forma uma fina camada sobre a superfície da coluna de água, as estratégias que eles desenvolveram para poder lidar com a baixa disponibilidade de oxigênio na água acabam contaminando os animais”, explicou.

Adalberto Luís Val esclarece que a água contaminada por petróleo contem compostos tóxicos que são prejudiciais para humanos.

“Se eles estiveram internalizados pelos peixes e estiverem presentes na musculatura dos animais prejudicam os consumidores de peixes. Ou se os compostos estiverem dissolvidos na água em níveis significativos, a água se torna inapropriada para consumo humano”, alertou Val.

No final do mês passado, o governo peruano decretou situação de emergência em 16 comunidades amazônicas por causa do vazamento de petróleo nos rios que são fornecedores de água potável.

O Decreto tem validade de 60 dias e prevê que as famílias recebam ajuda humanitária e auxílio nas ações de limpeza.

A assessoria de imprensa do Ibama informou que a mancha de óleo está a 700 quilômetros da Amazônia brasileira e tem poucas chances de cruzar a fronteira.

 

Por Bianca Paiva, da Agência Brasil,

in EcoDebate, 03/03/2016

 

 

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