União Européia muda de estratégia para cumprir metas

União Européia muda de estratégia para cumprir metas
Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil
Por temer fuga de indústrias para a Ásia, bloco deverá investir em eficiência energética ao invés de impor mais restrições às empresas para ultrapassar o objetivo de 20% de redução nas emissões de gases do efeito estufa até 2020.

Nas últimas semanas a União Européia (UE) vinha discutindo como elevar para 30% a meta de redução das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) até 2020, mas o Comissário de Energia do bloco alertou que não é hora de pensar nisso.

Segundo Guenther Oettinger, a Europa está vivendo um processo que chamou de “de-industrialization”, ou seja, perdendo indústrias para países com leis climáticas e ambientais mais flexíveis, principalmente na Ásia.

“Se formos buscar sozinhos os 30%, sem um grande rival como os Estados Unidos e a China seguindo o exemplo, só estaríamos incentivando a saída das nossas indústrias. O que seria ruim para a nossa economia e também para o meio ambiente, já que aqui temos normas mais rígidas de controle”, explicou Oettinger.

Porém, o Comissário deixou claro que vai cobrar mais empenho dos países no que diz respeito à eficiência energética. Se até março não forem anunciadas medidas nesse sentido, Oettinger promete que irá tornar obrigatórias novas políticas energéticas para o bloco.

O discurso de incentivar o melhor uso de eletricidade deverá ganhar ainda mais força nas próximas semanas, quando a Comissária Climática da União Européia, Connie Hedegaard, irá divulgar um relatório que afirma que é possível alcançar um corte de 25% nas emissões apenas com eficiência energética.

Lobbies

O temor da fuga das empresas é contestado pelo Climate Group, entidade que representa 30 companhias como a Vattenfall, Centrica e Alstom, e que batalha pelo aumento da meta para 30% de redução nas emissões.

Segundo o grupo, a falta de incentivo para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono irá deixar a União Européia para trás em termos de competitividade e atração de capital.

“A China irá investir quase um bilhão de euros nos próximos cinco anos em energias limpas e tecnologias de baixas emissões. Em uma década, ela estará a anos luz à frente da Europa”, disse a Reuters Sanjeev Kumar, da consultoria E3G.

Para tornar ainda mais complexa toda essa questão de que caminho a União Européia deve seguir, um estudo patrocinado pelo European Gas Advocacy Forum, que inclui gigantes como a GDF, Suez, Shell e Gazprom, afirma que se ao invés de se financiar fontes renováveis de energia o bloco investisse em gás natural, as metas para 2050 de emissões seriam atingidas por um custo € 900 bilhões menor.

A pesquisa, realizada pela consultoria McKinsey, ainda não foi publicada, mas já causa barulho.

Apesar de reconhecer que queimar gás emite menos GEEs que o carvão ou petróleo, a presidente do RenewableUK, Maria McCaffery, alerta: “Gás não é um substituto para energias renováveis. Depender de gás importado já é um grande problema para a Europa. Com renováveis o custo se dá na construção, depois a operação e manutenção são baratas”.

Em meio a essa guerra de lobbies, a União Européia parece ter se dado conta que cumprir as metas de emissões será mais caro e difícil do que se pensava. Elas foram traçadas durante o período de recessão e queda de produção, mas agora com o aquecimento da economia a tarefa parece ter ficado no limite da capacidade de mobilização dos países.

Na semana passada, um estudo da empresa Accendure em conjunto com o banco Barclays Capital já alertava que seriam precisos investimentos da ordem de €2,9 trilhões se a UE quisesse mesmo atingir as metas de redução de emissão e de produção de energias renováveis para 2020.

(Envolverde/Carbono Brasil)

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