TRAGÉDIA ANUNCIADA DE SANTA MARIA – RS

TRAGÉDIA ANUNCIADA DE SANTA MARIA – RS

SANTAMARIA

O termo “Tragédia Anunciada” foi utilizado em vários veículos da mídia que noticiaram o trágico incêndio na Boate Kiss em Santa Maria que resultou em 231 mortes e 106 feridos, constituindo-se no terceiro pior evento do gênero no mundo. Lamentamos profundamente o fato que vitimou pessoas no início de suas vidas promissoras, jovens com seus sonhos foram ceifados pela incúria do sistema.

Com todo o respeito pela dor, não podemos deixar de comentar esta “tragédia anunciada”, que poderia muito bem ter sido evitada se em nossa sociedade existisse o que tecnicamente denominamos de “Cultura de Segurança”.

Este conceito é derivado das normas e experiências práticas observadas principalmente nas industrias que operam sob riscos significativos de acidentes, como a indústria química e petroquímica, as atividades de exploração de petróleo e gás, a indústria aeroespacial e as usinas nucleares. Nestas áreas vem se consolidando a promoção da “Cultura de Segurança” que são princípios a serem observados pelas organizações e pessoas no projeto e na operação de instalações industriais de modo a prevenir e mitigar acidentes e suas consequências. Em princípio as regras de cultura de segurança devem se sobrepor aos objetivos comerciais das organizações: em suma, segurança em primeiro lugar!

Nem sempre estas regras são seguidas, tanto é assim que catástrofes vem ocorrendo no passado recente, como o vazamento de óleo no Golfo do México – Acidente da BP, o vazamento da Chevron na Bacia de Campos, no Brasil e por ai afora.

Temos defendido que todas as escolas de engenharia do País devem ter um módulo específico sobre segurança (como matéria curricular obrigatória), de modo que todos os novos engenheiros possam ser agentes da “Cultura de Segurança”, que não deve ser somente promovida na indústria, mas em todas as atividades humanas que envolvem risco.

O caso trágico de Santa Maria deve servir como motivador para o Governo Federal iniciar uma ampla campanha tendo como foco a aplicação dos conceitos de “Cultura de Segurança” em todos os segmentos que envolvem o público, eventos, casas noturnas, shows etc.. Os produtores de eventos devem passar obrigatoriamente por cursos de “Cultura de Segurança”, pois estes são os responsáveis mais diretos pelo projeto e realização de eventos e precisam estar preparados para lidar principalmente com a prevenção de acidentes.

No mais, resta um alerta para as autoridades no sentido de realizar um grande esforço de fiscalização sistemática e padronização em nível nacional de limites mínimos exigíveis para a realização de todos os tipos de eventos que representem riscos para o público – uma ação tipo “Acidente Zero”, nos moldes da “Lei Seca” – só assim o Brasil poderá se apresentar ao mundo como uma Nação Civilizada!

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