Tchernobyl do Petróleo.

Alguns dos atores envolvidos se referiram ao acidente como uma catástrofe causada por forças superiores, portanto inevitável. Puro engano, as causas do acidente com a plataforma “Deepwater Horizon” ocorrido em 20 de abril de 2010 estão localizadas nos homens, principalmente no campo das decisões operacionais, como pode ser comprovado nos itens da análise realizada e apresentada abaixo.

Tchernobyl do Petróleo.

Acidente na Plataforma do Golfo do México.

Alguns dos atores envolvidos se referiram ao acidente como uma catástrofe causada por forças superiores, portanto inevitável. Puro engano, as causas do acidente com a plataforma “Deepwater Horizon” ocorrido em 20 de abril de 2010 estão localizadas nos homens, principalmente no campo das decisões operacionais, como pode ser comprovado nos itens da análise realizada e apresentada abaixo.

Fatores de risco subestimados, associados com as pressões por produção levaram aos severos descuidos e negligências observadas, principalmente envolvendo uma empresa como a British Petroleum – BP, bastante conceituada em todo o mundo. Esta foi uma das surpresas para o público, pois dela se esperava a excelência, o que não ocorreu neste caso.

A sociedade e os governos que a representam devem cobrar um maior acesso às informações sobre as operações industriais com potencial de risco em termos de impactos ambientais e sócio-econômicos, para que os operadores se sintam fiscalizados e devedores de respostas e soluções tecnológicas adequadas para garantir a operação segura das instalações sob sua responsabilidade.

A análise apresentada abaixo realizada durante o período crítico pós-acidente foi possível devido à experiência da ABIDES na análise de catástrofes anteriores utilizando a mesma metodologia, como foram os casos do Acidente da Nave Colúmbia, o 11 de Setembro, Acidentes Aéreos no EUA e o próprio acidente da P36 no Brasil.

A nossa expectativa é que os resultados da análise sirvam como orientadores de outros estudos que venham a ser realizado sobre o acidente da Horizon e principalmente para alimentar as autoridades e tomadores de decisões nas empresas com indicadores de focos que devem ser devidamente explorados para que acidentes desta natureza se tornem cada vez menos freqüentes ou que de preferência nunca venham a ocorrer.

“Os desafios operacionais não foram devidamente estabelecidos e no devido tempo”

A análise dos fatos noticiados sobre o acidente indica claramente que uma grande incidência de falhas no processo operacional, que levou ao acidente e suas conseqüências danosas, se referem a não observância correta dos desafios operacionais presentes no evento. Os diversos operadores na ocasião do acidente e nos eventos imediatamente após o mesmo demonstraram significativa falta de aderência ao conhecimento pleno dos desafios operacionais e na determinação do cenário mais realista e eficaz para conduzir as operações de mitigação e de reparos dos equipamentos danificados.

Um dos pontos centrais que levaram a esta incidência elevada foi a indisponibilidade por um tempo razoavelmente longo da taxa de vazamento (6 dias para serem definidos os 5.000 barris de petróleo por dia) como condição básica para  a definição das ações de contenção do próprio vazamento e para a limitação dos impactos da mancha de óleo que se formou no mar do Golfo do México.

Nas primeiras horas após o acidente a BP ainda não admitia que houvesse vazamento, uma atitude de precaução em relação à sua imagem, mas que significou uma clara transgressão das obrigações quanto à necessidade de clara definição dos desafios operacionais, principalmente no que se refere à obtenção de um acordo na equipe relativo à definição do problema, suas causas e conseqüências.

Outro fator ligado aos atores governamentais foi a demora em divulgar a verdadeira extensão das conseqüências, particularmente a existência de 11 vítimas fatais, que só veio ao conhecimento público 2 dias após o evento. Este elemento é considerado vital para a formação do cenário operacional pós-acidente, constituindo-se em um dos principais elementos dentro do conjunto dos desafios operacionais.

As indecisões e imprecisões na seleção de soluções para conter as conseqüências do acidente constituíram-se numa outra área relevante de violações, particularmente no que se refere à caracterizaçãodos impactos operacionais das soluções através da consideração e aplicação das condições operacionais existentes, experiência operacional anterior, análise probabilista de riscos, bases de projeto e licenciamento e julgamentos de caráter operacional e de engenharia”.

Muitas propostas de soluções foram adotadas sem considerar as condições operacionais adversas como foi o caso recente da tentativa de aplicação do domo de sucção, que foi obstruído pela cristalização de hidratos (combinação de água do mar e gás), devido às baixas temperaturas e condições de alta pressão no ponto de vazamento. Fica claro pelos fatos analisados que a “tripulação” sabia que esta tentativa era de alto risco, pois o sistema só havia sido testado em águas rasas. A própria incapacidade de prever a extensão da formação dos cristais demonstra desequilíbrio do time de decisão, pois estes tinham conhecimento prévio que isto iria ocorrer – porque medidas corretivas eficazes contra este efeito não fora devidamente tomadas antes do início da operação?

Finalmente a negativa inicial de que a mancha não iria atingir a costa foi outro fator que contribuiu para a criação de condições adversas para as operações de mitigação dos impactos ambientais e operativos. A BP insistiu várias vezes que as medidas mitigadoras aplicadas e a distância de 48 milhas seriam fatores que evitariam o desenvolvimento da mancha até a costa. Neste ponto o Governo dos EUA teve que prevalecer adotando a condição de “pior cenário”, muito mais adequado dada à extensão do problema.

O fator mais significativo, entretanto, foi a relutância inicial em admitir para os diversos atores do processo que havia vazamento, conclusão que seria quase óbvia, dada à extensão da explosão da plataforma, que com isto deve certamente ter sofrido deslocamentos grandes, que foram transmitidos pelas tubulações para o ponto de tomada do poço submetido à alta pressão e já comprometido pela falha operacional da válvula de contenção. Seria uma decisão de engenharia, logo de início assumir a ocorrência de vazamento, o que teria facilitado em muito a organização de todas as ações mitigadoras posteriores.

Há que se observar pelos fatos divulgados que as falhas nas ações de mitigação se devem em parte à relutância do operador em se comunicar de forma eficaz e verdadeira com os demais atores do cenário e aos conflitos de informação com o Governo dos EUA e seus organismos envolvidos nas operações.

“O excesso de confiança, aliado às pressões por resultados levaram a uma gravíssima subavaliação dos riscos econômicos”

Em relação às violações de critérios de risco econômico, incluindo os danos na imagem corporativa, observa-se que este fator teve uma grande influência nas causas do acidente. Há uma amostragem muito clara das violações, basicamente indicadores da gravidade e extensão dos prejuízos e custos incorridos e a incorrer, nas diversas áreas da economia e finanças, envolvendo cobertura de custos operacionais, queda do valor da BP e de outros operadores envolvidos no mercado, compensações judiciais e ainda um valor expressivo em aberto para as compensações ambientais. Alguns analistas admitem a hipótese do fim da BP, em função do peso dos efeitos econômicos e financeiros.

No campo da imagem corporativa, diversos fatos demonstram a enormidade da perda, num momento em que a empresa realizou muitos investimentos em ações afirmativas na promoção da imagem de uma organização que havia incorporado a variável ambiental na sua estrutura e nas suas operações. Tanto é verdade que antes do acidente a BP foi nominada para receber uma importante homenagem pela sua postura ambientalmente correta nos EUA – esta homenagem foi cancelada pela força do acidente.

Um dos pontos mais significativos, que representa um grande prejuízo não só para a BP, mas também para toda a indústria do petróleo, foi o efeito da postura de revisão dos planos de expansão da exploração em novas fronteiras, inclusive objeto de negociação do Presidente Obama com a sociedade norte-americana e objeto de uma grande polêmica no país.

O Professor Robert Thomas, da New Orleans’ Loyola University, teceu comentários sugerindo que o acidente com a “Deepwater Horizon” é o Tchernobyl da Indústria do Petróleo. No que tange aos efeitos de causar uma semi-paralisia nos projetos futuros esta classificação se mostra muito pertinente, comparando com o efeito deste gravíssimo acidente nuclear sobre os planos futuros de construção de novas usinas no mundo, que levou mais de 20 anos para recuperar sua imagem e pensar em retomada, que somente agora a partir da segunda metade desta década começa a ocorrer.

É importante destacar que o acidente de Tchenobyl e a constatação dos pontos vulneráveis da indústria nuclear levaram à criação da WANO (World Association of Nuclear Operators), que foi a organização de caráter mundial destinada a repensar a segurança de todas as usinas nucleares do mundo e criar um novo arcabouço regulatório e tecnológico para reverter o grave quadro de então, tarefa que cumpriu com grande sucesso, até porque é um caso raro de uma organização internacional que tem 99% dos operadores do setor como associados pagantes.

Certamente, se o acidente em questão tem real similaridade com aquela catástrofe nuclear, uma “WANO do Petróleo” deverá ser criada. Poderia ser criada uma similar World Association of Petroleum Operators – WAPO.

Entretanto o ponto mais forte a ser considerado se refere à inusitada falta de percepção de risco da BP, pois conhecedora que estava operando em águas profundas, no limite do conhecimento tecnológico e com uma fonte natural potencial de grande impacto em termos de acidentes e suas sérias conseqüências, não poderia ter subestimado em termos hipotéticos a ocorrência de um acidente deste tipo como condição de projeto da instalação.

Esta postura foi “a mãe de todos os erros”.

As subavaliações de riscos ambientais sobre um bioma rico e sensível ao mesmo tempo, podem ser consideradas como dramáticas.

As evidências relacionadas às reações do público geral, dos ambientalistas, dos pescadores, dos cientistas e dos políticos, indicam uma clara subavaliação também dos riscos ambientais pela BP.  Não só a subavaliação no pré-acidente, mas também as relacionadas ao pós-acidente demonstram que a BP, embora tenha investido na construção de uma organização “ambientalmente responsável”, não traduziu esta condição nas ações ligadas à evolução da catástrofe.

Não só a relutância inicial em relação à existência de um grave vazamento de petróleo, mas as considerações simplistas quanto aos impactos da mancha e do vazamento sobre a vida marinha, contrariaram seguidamente as expectativas dos especialistas com conhecimento profundo sobre o bioma em questão. O clamor público e os receios justificados dos pescadores compõem um quadro intrigante da reiterada desconsideração de uma análise de risco abrangente e confiável a guiar as ações da BP, numa operação de tão alta complexidade em condições de águas profundas.

A não aderência às lições de eventos passados e o excesso de confiança, levaram a uma contaminação da visão da BP em termos regulatórios de segurança.

As  subavaliações dos riscos regulatórios podem ser consideradas como um dos eixos principais onde se localizam as causas do acidente na “Deepwater Horizon”. A alta freqüência de informações divulgadas sobre este aspecto indica claramente que a BP colocou as metas de produção na frente das metas de segurança, violando um dos pilares da indústria em geral.

Inúmeras evidências demonstram a disposição da empresa em resistir à introdução de regras de segurança mais regidas para as operações em águas profundas no Golfo do México. Mesmo alguns itens regulatórios que a BP é obrigada a seguir nas explorações do Mar do Norte não foram incorporados de forma espontânea nas suas práticas no Golfo, pois a legislação dos EUA não faz as mesmas exigências. O caso típico é a resistência da BP e da indústria do petróleo em adotar o “sistema acústico” de monitoramento como mais um equipamento redundante para monitorar as condições de fluxo na extração de petróleo e gás, equipamento que poderia ter alertado para as condições adversas da operação em curso e contribuído para evitar a catástrofe. As razões de custo foram os argumentos usados pela indústria.

As autoridades da Agência de Serviços Minerais dos EUA (MMS), já vinham defendendo a necessidade de camadas adicionais de reserva (backup), como um componente essencial para sistemas de exploração a águas profundas. A Agência afirmou que a expectativa é que os operadores devem estar dotados de camadas múltiplas para garantir a proteção contra vazamentos.

Este conceito, conhecido como “defesa em profundidade” é normalmente utilizado na indústria nuclear e na indústria espacial.

Um dos pontos mais críticos no escopo das violações de princípios de segurança foi a convicção com a qual a BP argumentou com as altas autoridades dos EUA buscando demonstrar que um vazamento numa instalação de exploração a águas profundas era praticamente impossível, devido ao alto nível das precauções dos operadores com os itens de segurança. No próprio Plano de Exploração, elaborado em consonância com o MMS, consta que a hipótese de vazamento nas instalações de superfície ou de sub-superfície “é pouco provável ou virtualmente impossível”.

Esta postura demonstra um excesso de confiança ou mesmo certo desconhecimento das severas condições de contorno que deveriam alimentar a definição do conjunto de “eventos hipotéticos de projeto” com sustentabilidade nas condições reais, para de fato tornar esta hipótese mínima possível, o que não ocorreu como fica demonstrado de forma insofismável pelo próprio acidente. O que é de se estranhar é que as autoridades dos EUA tenham concordado com os argumentos da BP. A conseqüência maior da resistência à adoção de normas mais restritivas foi o despreparo do sistema para responder aos impactos causados pelo acidente.

Daí deriva as tentativas de utilização de alternativas não antes testadas nas condições existentes, os déficits e carências dos órgãos de prevenção e controle de acidentes em termos logísticos e materiais e diversas outras improvisações, que não foram capazes de evitar os impactos ambientais, econômicos e políticos, parcial ou totalmente. Em suma, como o vazamento não foi assumido como “condição hipotética de projeto”, o sistema não foi capacitado para responder a um evento que teoricamente (erroneamente) não iria ocorrer.

A ausência de uma forte cultura de segurança decorrente do excesso de confiança abalou a capacidade de prevenção de situações operacionais de risco.

Pela observação da ausência de considerações consistentes dos fatores de risco, fica muito claro que neste campo residem as principais causas do evento.

As tentativas de negação da responsabilidade da BP em monitorar as operações da contratada Transocean são uma clara demonstração desta lacuna. Indícios de quebra na qualificação dos membros da equipe de operação podem estar a indicar uma falha sistemática na observância de princípios básicos de segurança operacional neste caso.

Outro ponto de falta de percepção de situação de risco partiu do próprio Governo dos EUA, que ficou por longo tempo aguardando uma posição da BP sobre as dimensões do vazamento. Como agente público o Governo tem responsabilidades para com o público e deveria priorizar a busca de uma definição que seria fundamental para organizar as ações mitigadoras de forma eficaz.

Lições de incidentes passados da própria BP e da Transocean, envolvendo falhas humanas não foram devidamente utilizadas nas operações. Algumas informações divulgadas indicam que o potencial de falhas humanas era conhecido da BP e da MMS, que estava preparando novas regras para abordar este aspecto.

O conflito de competências afetou a atuação coordenada dos diversos agentes envolvidos na operação de mitigação dos impactos.

A questão da definição dos papeis e responsabilidades de uma forma expressiva na gestão das ações de mitigação dos impactos do acidente. O principal fator que determinou este nível foi a disputa envolvendo a BP, a Transocean e o Governo dos EUA. Em muitos momentos autoridades do governo vieram a público reforçar que a BP seria a responsável pelos custos decorrentes do acidente.

A BP por sua vez inicialmente chegou a declarar publicamente que “o acidente não é da BP, mas da Transocean, proprietária da plataforma contratada por ela. O próprio Presidente Obama fez reiteradas declarações sobre o tema, induzindo à avaliação de que a BP não estaria assumindo as obrigações que a legislação americana define para o operador. O próprio Presidente da BP (CEO) Tony Hayward declarou que a responsabilidade pela segurança era da Transocean, esquecendo-se da mais elementar regra da cultura de segurança que recomenda a supervisão de todos os contratados em operações que envolvem risco operacional. Tanto isto é verdade que alguns técnicos e executivos da BP estavam a bordo da plataforma no momento do acidente.

Uma lei aprovada após o acidente com o Exon Valdez, determina que o operador da instalação seja responsável pelas ações mitigadoras dos efeitos de um vazamento. Por outro lado especialistas criticam a dualidade de o causador do acidente ser também o responsável pelas respostas e apontam que o caso do acidente em foco demonstra claramente que o Governo confiou na capacidade da BP em dar as respostas.

Mas como um acidente desta proporção não fazia parte das hipóteses de projeto a BP, claro, não estava preparada para dar a resposta necessária. Por outro lado, a preservação da integridade ambiental e da segurança da população é uma atribuição inalienável das autoridades, neste caso a Guarda Costeira tem a última palavra – assim o conflito de responsabilidades foi estabelecido por princípio. Tanto isto é verdade que um representante da BP declarou publicamente que “estritamente a BP era responsável pelos custos das ações de resposta, mas que não arcaria sozinha por todas as conseqüências do acidente”.

Outro indicador de reconhecimento da dualidade é a declaração do Presidente Obama, embora afirmando que a BP seria responsável pelos custos, seu governo envidaria todos os esforços, inclusive acionando o Departamento de Defesa, para atuar nas respostas às conseqüências do acidente.

Impactos para o Brasil.

O acidente com a “Deepwater Horizon” ocorre num momento particular da indústria do petróleo nacional, quando se discute os projetos de exploração do pré-sal, visto como um dos grandes empreendimentos, que será capaz de transformar o Brasil num exportador de petróleo. Tivemos um precedente trágico que foi o afundamento da P36 ocorrido em 15 de março de 2001. A comissão que investigou o acidente (ANP/DPC) concluiu que “a análise efetuada pela Comissão de Investigação ANP/DPC permitiu constatar deficiências no sistema de gestão operacional das atividades marítimas de petróleo e gás natural”.

O Brasil é citado nos fatos coletados sobre o acidente da Horizon, como um país que adota normas de segurança mais rígidas que as adotadas no Golfo do México, citando que utilizamos o “sistema acústico”. Por outro lado alguns analistas apontam dualidade de funções da ANP, que de certa forma atua como órgão regulador e também como fomentador, ao conduzir licitações de áreas de exploração. Seria o mesmo conflito comumente apontado na CNEN. De certa forma, ficou claro que o MMS mantinha certo grau de tolerância com os operadores do Golfo do México, tanto que as pressões por regras mais rígidas de segurança foram sendo postergadas.

Portanto, uma das lições do acidente para o Brasil será uma revisão do papel da ANP e também de sua competência para promover, por exemplo, uma genuína cultura de segurança para os operadores. Da mesma maneira, as hipóteses de acidentes consideradas nos projetos devem ser revistas, com ênfase nas hipóteses de falhas catastróficas em águas profundas, considerando as perspectivas de operação no pré-sal.

Alguns observadores têm comentado com freqüência um excesso de confiança da Petrobrás e certo grau de hermetismo na divulgação de suas políticas de segurança, dificultando o acesso de terceiros a informações que ela considera estratégicas e que na verdade deveriam ser de domínio público, na medida em que tem o potencial de afetar o meio ambiente e a população em caso de acidentes, como foi o caso do vazamento de óleo na Baia de Guanabara. As autoridades do Governo Federal devem rever estes aspectos e definir critérios para que as informações de interesse público relativos à segurança das operações sejam transparentes.

A maior lição que fica é a incapacidade de avaliação correta dos riscos operativos em condições adversas presente no acidente da Horizon. É preciso que os operadores e os agentes de governo responsáveis pela fiscalização destes tenham plena consciência de que os custos de prevenção de uma catástrofe são infinitamente menores que os custos de mitigação dos seus impactos. Muitas vezes os operadores são movidos pela necessidade de minimizar custos e pela pressão por produção. Nestes casos, caso não haja presente na organização uma forte cultura de segurança, os riscos de acidentes aumentam substancialmente.

Portanto, em termos dos empreendimentos do pré-sal, é tão importante cuidar da segurança quanto cuidar do modelo de gestão e da distribuição dos royalties.

Gerson Bastos

Gerson Bastos é um desenvolvedor de sites especializado na plataforma open source Wordpress. Trabalha com desenvolvimento de sites desde 2007 e atua principalmente em Brasília-DF. Email: gerson@gersonbastos.com.br

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