Sustentabilidade não é fardo

As discussões sobre meio ambiente, visto como um problema global, tiveram início na Convenção das Nações Unidas – ONU  em Estocolmo – 1972. Ali, autoridades politicas e ambientais apontaram a degradação ambiental provocada pelo homem, como o vilão, postado no caminho das futuras gerações.

 

Essa corrente de pensamento e ações transformou a forma de zelar pelo bem da humanidade. Daí nasceu o conceito de sustentabilidade, que articula as relações sociais, econômicas e ambientais em um só compasso e harmonia.

 

Após vinte anos, um novo encontro mundial ocorreu na cidade do Rio de Janeiro – denominado ECO 92, na qual se firmou o compromisso das nações com o novo conceito dedesenvolvimento sustentável.

 

As duas últimas décadas foram marcadas por catástrofes ambientais: seca, tsunamis, ondas de calor, terremotos e etc. Todos esses eventos levaram a sociedade a um “choque ambiental”.

 

O efeito foi uma reação eufórica mundial pelas questões ambientais, gerando discursos quase que padronizados, elevando o equilíbrio ambiental à condição de uma utopia.

 

O fato é que, a todo momento, “campanhas” assombram o cidadão comum, alertando para o cuidado que se deve ter com o meio ambiente, “caso contrário o fim do mundo se aproximará”.

 

“Tome banho de 2 minutos”, “não dê descarga todas as vezes que for ao banheiro”, “não coma carne vermelha”, “consuma menos”, “extração de minério é feio”, “construirestradas e portos irá desmatar áreas verdes”, “indústrias emitem gases causadores de efeito estufa” e por aí… vamos vendo e vivendo entre clichês sociais.

 

“Sustentabilidade” virou um “fardo” na vida do cidadão. O verdadeiro conceito de harmonia social transformou-se em um impasse. O fato é que toda e qualquer discussão ligada a sustentabilidade só leva em consideração o viés ecológico.

 

Será que o conceito de meio ambiente está vinculado apenas ao retrocesso da economia?

 

A preservação ambiental não pode ser discutida sem levar em conta o desenvolvimento. A “euforia ambiental” não pode ser maior que a necessidade de alimentar 7 bilhões de habitantes no planeta.

 

A padronização rasa do discurso, como mero slogan de uma propaganda qualquer, na ânsia de solucionar problemas ambientais legítimos, ao que tudo indica, induz à ignorância quanto às necessidades de desenvolvimento econômico dos povos.

 

A China é o país que mais polui. No entanto, é a nação que mais investe em energia renovável.

 

O produto transgênico pode ser um problema ambiental; no entanto, pode também ser a solução para alimentar mais de 1 bilhão de pessoas que passam fome no mundo.

 

A energia a carvão é a mais poluente, porém também é a  mais barata para quem não tem como suprir energia e nem pagar pela tecnologia. Obra  traz desmatamento, mas possibilita fazer uma compensação que seja ambientalmente vantajosa.

 

A sociedade precisa se livrar do “discurso padrão” e de “dogmas” ambientais. Precisa analisar como cada região, cada cidadão, pode contribuir com o meio ambiente, sem que isso signifique abdicar do bem estar. Não dá para aplicar padrões europeus em países africanos – as necessidades são diferentes.

 

Sustentabilidade é possível. Porém, não pode ser discutida somente pelo viés “verde”, sem levar em conta as particularidades humanas e o desenvolvimento de cada nação.

 

Por Fernanda Medici

 

http://www.ambientelegal.com.br

 

 

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