SUSTENTABILIDADE ASSIMÉTRICA!

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Com o trágico acidente aéreo que vitimou o candidato a Presidente da República, Eduardo Campos, a candidata a Vice da sua coligação, Ex-Senadora Marina Silva, assumirá a candidatura presidencial. Com isto, o tema do Desenvolvimento Sustentável será tema obrigatório na pauta dos debates entre os presidenciáveis.

Este tema, antes colocado em segundo plano nas campanhas, é o “algo de novo” que deve surgir como elemento para uma reflexão mais profunda sobre a crise econômica do Brasil, com baixas taxas de crescimento econômico, altas taxas de inflação e aumento da violência decorrente da crise social e da ausência de uma Política Nacional de Segurança Pública. Os estudos da ABIDES sobre indicadores de sustentabilidade, indicam que os níveis brasileiros de sustentabilidade nos últimos 14 anos em comparação com países emergentes e países desenvolvidos são relativamente muito baixos. Em termos comparativos, considerando as taxas de crescimento sustentável do Brasil neste período, levaríamos 60 anos par atingir os níveis de qualidade de vida dos franceses e 120 anos para atingir os níveis de qualidade de vida dos norte-americanos.

A leitura destes dados indica que se o Brasil não adotar soluções inovadoras, capazes de acelerar substancialmente o nosso crescimento econômico, estamos condenados a 1000 anos de subdesenvolvimento, ou seja eternamente pobres, em todos os sentidos.

Temos sim grandes janelas de oportunidade para sair desta armadilha – conforme dados do PNUMA, se utilizarmos todo o nosso potencial de desenvolvimento sustentável calcado nos nossos recursos naturais e identificarmos corretamente estas oportunidades pela utilização de metodologias de Valoração de Serviços Ambientais, como o TEEB (The Economics of Ecosystems and Biodiversity), poderemos multiplicar nossas riquezas por um fator entre 5 e 6.

Mas para isto há que haver um compromisso do Governo Federal e da sociedade com políticas inovadoras, na qual a agregação de valor aos nossos produtos naturais fortalecerá uma retomada do setor industrial e aumentará a nossa capacidade de disputar os mercados globalizados, participando ativamente das cadeias produtivas globalizadas em condições de igualdade com China, índia, Europa, Japão e América do Norte. A reforma fiscal e um esforço muito grande de desburocratização serão fatores essenciais para impulsionar este novo processo, bem como a criação de novos fundos de investimento calcados em valores lastreados nos capitais humano e natural, que estão fora do nosso processo contábil de crescimento econômico, por omissão dos atuais dirigentes.

Nossa esperança é que o “Fator Marina“, leve a este debate e abra novas oportunidades para o País, como era o desejo de Eduardo Campos, não só inovar na política, mas primordialmente num novo Processo de Desenvolvimento Sustentável para o Brasil. Vivandeiras da Europa retomam a ladainha de que os países dos Brics não podem almejar a mesma qualidade de vida dos europeus, pois isto causaria enorme pressão sobre os recursos naturais do planeta e aumentariam os impactos sobre o meio ambiente e a biodiversidade – puro engodo – todos os brasileiros tem o direito a níveis elevados de saúde, educação, cultura e mobilidade como a que eles atingiram. A menos que eles se mostrem dispostos a abrir mão de parte de sua qualidade de vida em favor dos países emergentes, não há como aceitar este tipo de pensamento neo-colonialista, travestido de ambientalismo.

Este momento de eleições gerais no Brasil em crise é momento crucial para que nos unamos na defesa dos interesses maiores do nosso povo, tão espoliado e relegado a um verdadeiro purgatório econômico, social e ambiental.

 

Eng. Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

 

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