Sobre a poluição do ar

poluição do ar em São Paulo

 

O PROCONVE – Programa de Controle da Poluição do Ar por veículos automotores,  foi concebido em 1.986, tendo caráter nacional. A CETESB de São Paulo tem sido uma das agências ambientais pioneiras e mais ativas nesta área, até por necessidade. O problema de poluição do ar é crítico em São Paulo.

 

Tanto o CONAMA – Conselho Nacional do Meio ambiente,  quanto a CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental,  órgão estadual de meio ambiente de São Paulo, tem publicado várias resoluções e relatórios sobre qualidade de ar, tanto partir de fontes de emissão móveis – veículos, quanto estacionárias – fábricas, pólos petroquímicos e outros.

 

O programa de controle de poluição do ar por veículos automotores está alicerçado na experiência dos países mais desenvolvidos, que tem ações pró-ativas nesta área, adotando procedimentos diversos para a implementação das tecnologias industriais já existentes, que devem ser adaptadas às condições e necessidades brasileiras.

 

Em São Paulo já existe e opera a inspeção veicular que fiscaliza veículos automotores quanto aos níveis de emissão de gases poluentes na atmosfera.

 

O PROCONVE impõe ainda a certificação de protótipos e linhas de produção, a autorização especial do órgão ambiental federal para uso de combustíveis alternativos, o recolhimento e preparo dos veículos ou motores encontrados em desacordo com o projeto, proibindo a comercialização dos modelos de veículos não homologados segundo seus critérios.

 

O programa estabeleceu um cronograma de redução gradual da emissão de poluentes para veículos leves, como automóveis  e para veículos pesados, como ônibus e caminhões.

 

Com o objetivo de complementar o controle do PROCONVE e assim contribuir para a redução da poluição do ar oriunda de fontes móveis, foi criado, em 2002, o Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares – PROMOT.

 

O PROMOT estabeleceu limites de emissão para gases poluentes provenientes de motocicletas novas. Há previsão de exigências quanto à durabilidade de emissões e controle da qualidade da produção. E ainda são fixados critérios para a implantação de programas de inspeção, manutenção periódica e fiscalização em campo.

 

Existem muitos dados técnicos nestes materiais, como o nível de particulados em partes por milhão (o chamado ppm) ou nível de dispersão de poluentes em função de tempo, que norteiam as resoluções e tornariam a discussão muito técnica. As principais substâncias que são controladas são o monóxido de carbono (CO), os hidrocarbonetos (HC), os óxidos de nitrogênio (NOx), os aldeídos totais (CHO) e o dióxido de enxofre (SO2).

 

As fontes de emissão de particulados e de poluentes atmosféricos tem sido muito altas em todo centro-oeste brasileiro em função de queimadas e o melhor índice de controle tem sido a quantidade de pessoas afetadas, com patologias de pneumonia e congêneres em hospitais.

 

Ribeiro e Assunção (Estudos Avançados vol.16, n.44, São Paulo Jan/Apr 2002) assinalam que pesquisas em saúde ambiental são bastante complexas à medida em que a saúde humana depende de uma teia de fatores interligados: exógenos (bióticos e abióticos), endógenos (fisiológicos e anatômicos), comportamentais (psicológicos, sociais e culturais) e da densidade demográfica ( citando Audy, 1971 AUDY, J.R. Measurement and diagnosis of health. In Shepard, P. & McKinley, D. (eds.) Environmental. essays on the planet as a home. New York, Houghton Mifflin, 1971).

 

Radojevic & Hassan – RADOJEVIC, M. & HASSAN, H. Air quality in Brunei Darussalam during the 1998 haze episode. Atmospheric Environment, v. 33, n. 22, p. 3651-3658, 1999 –  em Brunei Darussalam, nas ilhas Bornéo, indicam alguns dos efeitos que as queimadas de florestas produzem:

 

–   drástica redução da visibilidade,

–  fechamento de aeroportos e escolas,

–  aumento de acidentes de tráfego,

–  destruição da biota pelo fogo,

–  aumento na incidência de doenças,

–  diminuição da produtividade,

–  restrição das atividades de lazer e de trabalho,

–  efeitos psicológicos e custos econômicos.

 

 

Dentre os sintomas de doenças e doenças observados relatam infecções do sistema respiratório superior, asma, conjuntivite, bronquite, irritação dos olhos e garganta, tosse, falta de ar, nariz entupido, vermelhidão e alergia na pele, e desordens cardiovasculares.

 

Falar nisso, confesso que não sei se incêndios ou queimadas são fontes móveis ou estacionárias de emissão de poluentes atmosféricos, mas sei que este é um grave problema ambiental de muitas regiões do Brasil, com severas repercussões sobre a qualidade de vida e a saúde das populações.

 

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

 

Saiba Mais:

 

Poluição Atmosférica, artigo de Roberto Naime

Queimadas na Amazônia aumentam a poluição do ar em países da América do Sul

Estudo vincula exposição intrauterina a poluição emitida por automóveis a problemas respiratórios na infância

Custos da poluição atmosférica nas regiões metropolitanas brasileiras, por Simone Georges El Khouri Miraglia e Nelson Gouveia

Elementos da poluição atmosférica modificam o DNA humano, revela pesquisa

Mesmo em níveis abaixo do tolerado poluição atmosférica influencia negativamente a gravidez

Estudo demonstra que poluição atmosférica causa sério impacto nos ecossistemas dos EUA

Estudo associa o aumento da expectativa de vida à redução da poluição atmosférica

 

 

Publicado no Portal EcoDebate, 04/11/2014

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.