SINAIS DA SAFRA 2016/2017 DE MATO GROSSO.

SINAIS DA SAFRA 2016/2017 DE MATO GROSSO.

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Conforme vem sendo noticiado pelos meios de comunicação, o crescimento da safra agrícola de Mato Grosso está prestes a se tornar realidade, conforme os dados do IBGE (Unidade Estadual – MT). Os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de Mato Grosso relativos à primeira estimativa da  safra 2017, apontam para um crescimento médio global de 22.27% para os principais produtos da cultura temporária.

Em termos de qualidade deste crescimento, constatamos que este crescimento da produção ocorreu tendo por base uma expansão de somente 3.97% da área plantada, sendo que o aumento da produtividade média de 17.6% foi o fator que permitiu este ganho na produção. A produção total foi de 55.16 milhões de toneladas grãos, com predominância tradicional da soja (29.87 milhões de toneladas) e milho (21.97 milhões de toneladas), ou seja estas duas culturas respondem por 94% da produção bruta.

Em termos de valores, considerando os preços médios de 2016, avaliamos em R$ 58.51 bilhões o Valor Bruto da Produção (VBP). Considerando uma movimentação correspondente em termos de serviços relativos à produção, comercialização e escoamento desta safra de 30%, a contribuição total para o PIB do Estado de Mato Grosso será de R$ 76 bilhões. Assumindo que o incremento da produção resulta em crescimento proporcional da arrecadação de ICMS, teremos um adicional (considerando valores de 2015) de aproximadamente R$ 685 milhões em recolhimento de ICMS pela agricultura.

Certamente este resultado irá favorecer o equilíbrio fiscal do Estado e o resultado poderia ser ainda muito melhor se a capacidade de processamento de  grãos (em particular o complexo soja) aumentasse. O aumento deste processamento é o caminho mais correto para se buscar o aumento de arrecadação de impostos sem penalizar o produtor. Se o Estado atingir a média nacional de processamento de soja de 50%, isto equivale a um potencial de aumento de R$ 1.3 bilhões em recolhimento de impostos.

A boa notícia do crescimento da safra de 2017 é um dado positivo que enseja, por outro lado, uma reflexão mais abrangente sobre a nossa matriz produtiva, tanto no que se refere à alta dependência de culturas temporárias, sujeitas a influências positivas e negativas dos fatores mercado (principalmente mercado externo) e climático, quanto ao fator do processamento da produção com aumento da agregação de valor industrial e tecnológico aos produtos primários, diminuindo a exportação de baixo valor agregado.

A outra política necessária para abrir novos horizontes e dar estabilidade para a nossa agricultura é a introdução de culturas permanentes, como a palma de óleo, ora em estudo pela ABIDES/UFMT/Embrapa Sinop, aproveitando as políticas nacionais de recuperação de áreas degradadas, agricultura familiar e incentivos ao biodiesel.

Fevereiro de 2017

Eng. Everton Carvalho – Presidente da ABIDES

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