São Gonçalo Velho – A Retomada

A ABIDES (Associação Brasileira de Integração e Desenvolvimento Sustentável) recebeu do Arquiteto Moacyr Freitas, uma referência em Mato Grosso em termos de arquitetura, urbanismo e história, o projeto arquitetônico do Monumento às Monções – Marco Zero de Cuiabá; a ser edificado no bairro de São Gonçalo Beira Rio (Antigo São Gonçalo Velho) dentro das comemorações dos 300 anos da fundação de Cuiabá. Porque em São Gonçalo Beira Rio: foi nesta localidade no ano de 1719 que aportou a missão bandeirante liderada por Antônio Pires de Campos fato histórico que marcou o início da fundação de Cuiabá. Em seguida os bandeirantes subiram o rio Coxipó e fundaram o Arraial de Forquilha na bifurcação com o rio Mutuca e posteriormente foi fundada o Arraial das Lavras do Sutil onde hoje se localiza o centro histórico de Cuiabá. As Monções eram as expedições dos bandeirantes paulistas que saiam de Sorocaba e Bauru em São Paulo pelos rios da Bacia do Prata, desciam o rio Tietê, chegavam ao rio Parana e dai atingiam o rio Paraguai e finalmente subiam o rio Cuiabá, quando aportaram na então “Arraial de São Gonçalo Velho” na desembocadura do rio Coxipó Mirin. Essas Monções eram compostas por muitas embarcações e as principais eram constituídas pelos batelões, grande canoas feitas de um único tronco que podiam chegar até 15 metros de comprimento e dois metros de largura movimentadas por 6 remadores cada uma desses batelões.

O Monumento às Monções concebido pelo brilhante Arquiteto Moacyr Freitas (Figura Abaixo) simboliza as três vilas que deram orgiem a Cuiabá na figura de três batelões apontados para o céu e sua edificação, hoje em fase avançada de construção, será um marco para a divulgação da história de Cuiabá e de Mato Grosso constituindo-se também em importante atração turística em harmonia com a vocação da hoje São Gonçalo Beira Rio, conhecida pelas suas tradições culturais nas áreas das danças tradicionais de Mato Grosso, o Cururu e o Siriri, na cerâmica artesanal e principalmente na gastronomia representada pelas 24 peixarias que atraem por semana perto de 10 mil visitantes (antes da pandemia).

Este é o cenário para a nossa reflexão para a retomada das atividades culturais e econômicas em “São Gonçalo Velho” – assim como várias atividades econômicas foram severamente afetadas pela pandemia e seus desdobramentos, como o isolamento social, o lockdown (confinamento) e mesmo o “toque de recolher” por vário meses, o setor do turismo, conforme o Presidente Nacional do SEBRAE, Dr, Carlos Melles, foi o segmento da economia o mais afetado por suas características de envolver grandes eventos, concentração de pessoas, locais de visitação pública e a gastronomia, ramos afetados diretamente pelo necessário isolamento social. Assim como foi o mais afetado, o turismo, conforme a opinião do presidente do SEBRAE, será o último a retomar a “nova normalidade” tendo por resultado prejuízos incalculáveis para os empreendedores deste segmento. Algumas medidas vem sendo tomadas no nível federal como a MP 963 que prevê um fundo garantidor de R$ 5 bilhões a ser aplicado pelo Ministério do Turismo em projetos de turismo em todo o país, e também a iniciativa de deputados do PSD de um Projeto de Lei liberando R$ 2.5 bilhões para o setor.

Porém, nem todas as empresas tem condições de acessar estes recursos e muitos empreendimento turísticos correm o risco de não retomar suas atividades – estima-se que 30% das empresas não conseguirão reabrir suas portas. Por entender que este cenário afetará diretamente a comunidade de São Gonçalo Beira Rio, a Comissão do Marco Zero de Cuiabá (Criada pela Associação de Moradores de São Gonçalo Beira Rio) resolveu desenvolver um plano de trabalho para preparar a retomada das atividades comerciais, culturais e turísticas, respeitando as condicionantes das autoridades no que se refere à prevenção do coronavirus.

Na nossa visão, a prioridade máxima neste momento é a conclusão pela Prefeitura de Cuiabá do Monumento do Marco Zero de Cuiabá inclusive da Praça do Marco Zero e toda a urbanização do entorno – as obras estão bastante avançadas, conforme foto abaixo e aproximadamente 30% já foi realizada. A conclusão desta obra é de extrema relevância para reforçar a retomada das atividades, porque terá como função atrair novamente os visitantes e também propiciará a execução das obras de revitalização de toda a orla de São Gonçalo Beira Rio, com implantação de mirantes às margens do rio Cuiabá, trilhas, observação da fauna e da flora local bem como a adequação urbanística.

As peixarias também terão um tratamento especial nas propostas da Comissão que prevê a retomada organizada delas, com medidas específicas voltadas para a parte sanitária através de recomendações de padrões de  higiene nas cozinhas e banheiros, como também as medidas de prevenção de contaminação pelo coronavirus seguindo as recomendações e normas legais. Na sequência será aplicado um projeto de Qualificação das Cozinhas Ambientais, que consistirá, em médio prazo, na capacitação dos operadores das peixarias, adequação das instalações segundo as normas da ANVISA de modo a garantir qualidade e segurança sanitária adequadas para os consumidores.

Em outras palavras, a retomada de atividades culturais e comerciais em São Gonçalo Beira Rio, a mais significativa atração turística em Cuiabá, só será possível a partir de uma ação concreta e planejada dessa retomada com envolvimento de todos os stakeholders (interessados), comunidade, autoridades estaduais e municipais e sociedade em geral, para apoiar este programa da Comissão do Marco Zero de São Gonçalo Beira Rio em articulação com o Ministério Público Estadual e Universidade Federal de Mato Grosso através do Niepe. Estamos seguros de que esta iniciativa será importante como referência para outros setores da economia afetados pela pandemia.

Cuiabá, 22 de julho de 2020

Eng. Everton Carvalho

Coordenador da Comissão do Marco Zero de São Gonçalo Beira Rio

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