Rio+20 será um fracasso, avalia Eduardo Viola, especialista em clima e professor da UnB

 

Viola: Estados Unidos e China não estão interessados em negociações ambientais.

 

O professor titular de Relações Internacionais da Universidade de Brasília – UnB e especialista em negociações relacionadas ao clima Eduardo Viola afirmou, nesta quarta-feira (30), que a Conferência Rio+20 não tem condições de ser bem sucedida.

 

A afirmação foi feita durante audiência pública realizada pela Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas para debater a economia verde no contexto da erradicação da pobreza e o papel da governança para o desenvolvimento sustentável.

 

O professor avaliou que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20 não terá grandes avanços porque as duas das maiores superpotências, como Estados Unidos e China, não estão interessadas em negociações ambientais.

 

“Neste momento, temos três superpotências no sistema internacional: Estados Unidos, União Europeia e China. Dessas três só a União Europeia, mesmo que limitadamente, se orienta para uma economia mais verde. Estados Unidos e China são conservadores e não querem ceder soberania nacional”, explicou.

 

Na opinião de Eduardo Viola, a Rio+20 vem em um “momento errado da História” e não deve passar de “acordos superdifusos que vão apenas repetir coisas já ditas em conferências anteriores”.

 

Para ele, a Rio+20 só teria condições de sucesso se houvesse profundas mudanças políticas nas três superpotências.

 

Conselho de Desenvolvimento Sustentável

 
O professor citou outras transformações necessárias no caminho da sustentabilidade. Entre elas, a criação de uma organização poderosa do meio ambiente, com a introdução de limites planetários nas diversas atividades econômicas. Viola, entretanto, não acredita que essas mudanças acontecerão em um futuro próximo.

 

O diretor interino do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, Paulino Franco de Carvalho Neto, defendeu a criação de um Conselho de Desenvolvimento Sustentável, no âmbito da Organização das Nações Unidas – ONU.

 

“O conselho teria mais poderes e um status mais elevado do que a atual Comissão de Desenvolvimento Sustentável, que tem um caráter mais de discussão, com pouco alcance de resultados concretos que interferem nas políticas públicas”, observou.

 

Carvalho Neto disse que o governo brasileiro defende o reforço do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, estabelecendo, por exemplo, que as contribuições dos países para o programa sejam obrigatórias e não voluntárias.

 

O diretor ressaltou ainda que “as questões ambientais não devem ser vistas isoladamente, devem englobar também as questões sociais e econômicas”.

 

Aspecto social

 
Já o professor da USP Eliezer Martins Diniz disse que o conceito de economia verde não tem grandes diferenças em relação ao de desenvolvimento econômico sustentável.

 

O PNUMA, lembrou, define economia verde como “a que resulta em um maior bem-estar humano e igualdade social enquanto reduz significativamente o risco ambiental e a escassez ecológica”.

 

Diniz, que é economista e especialista em desenvolvimento sustentável, considera o conceito redundante. “A definição de desenvolvimento sustentável já trata desses temas”.

 

Ele explicou que a única diferença em relação aos dois conceitos é que o de desenvolvimento sustentável dá mais ênfase ao aspecto econômico e ambiental enquanto o conceito de economia verde engloba também o aspecto social.

 

O economista alertou ainda para a grande ênfase ao aspecto social, na frente das prioridades ambientais.

 

“Pode ser uma ‘armadilha perigosa’, pois países em desenvolvimento podem argumentar que não cumpriram metas ambientais estabelecidas porque priorizaram a erradicação da pobreza.”

 

Na opinião do professor, se os países em desenvolvimento simplesmente disserem que têm como prioridade a erradicação da pobreza e que, por isso, não cumpriram nenhuma meta, não poderão ser cobrados.

 

“É preciso haver cobrança de resultados ambientais muito claros.”

 

Da Redação/ RCA

 
Com informações da Agência Senado

 

Matéria da  Agência Câmara de Notícias

 

Publicada pelo EcoDebate, 01/06/2012

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.