Rio+20: Excesso de temas prejudica acordos

Desde ontem, mais de 2.800 cientistas, políticos e representantes de empresas estão reunidos em Londres na Conferência o Planeta Sob Pressão, a mais importante conferência de meio ambiente antes da Rio+20.

Críticas sobre a falta de foco da conferência que acontecerá em junho, no Rio de Janeiro, vieram do próprio representante do Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT brasileiro, Carlos Joly.

Joly criticou a falta de temas como clima e biodiversidade não constarem na agenda da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, além de considerar o rascunho zero vago demais.

As ressalvas do representante do MCT são as mesmas de um grupo de políticos e intelectuais brasileiros que criticam a conferência Rio+20 por está deixando de fora as crises ambientais mais sérias que o mundo vive hoje, como os efeitos das mudanças climáticas.

Desde o começo do mês, esse grupo de intelectuais e políticos encabeçados por nomes reconhecidos na luta ambiental, tais como Rubens Ricupero, José Goldemberg, Fabio Feldmann, Eduardo Viola, preparam um documento a ser entregue ao governo brasileiro.

“Trata-se de uma agenda que não inclui um alerta sobre a gravidade ambiental que o planeta vive neste momento”, disse o embaixador Rubens Ricupero.

O Rascunho Zero – Zero Draft, é um documento com contribuições de participantes da conferência: países, grupos regionais, ONGs e sociedade civil.

As sugestões servirão de base para os debates da Rio+20. Em Nova York, acontece a terceira rodada de negociação informal da Rio+20. O rascunho zero pulou de 17 para 170 páginas.

Desafio de construir consenso*

Aqui em Brasília, hoje, durante a abertura do último ciclo de palestras e debates preparatórios para a Conferência Rio+20 na Câmara dos Deputados, promovido pela Frente Parlamentar Ambientalista, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que o principal desafio da Rio+20 é conseguir o consenso dos países sobre qual atitude tomar, depois da Conferência:

“Como as resoluções da ONU precisam se dar por consenso, penso que vamos ter muito trabalho ao analisar as cerca de 170 páginas do Zero Draft – Rascunho Zero”, disse a ministra.

O presidente da ONG SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin, afirmou que o rascunho zero é “extremamente generalista”. “A esperança é que em junho, quando ocorre a conferência, seja renovado o atual quadro de intenções, com propostas mais corajosas”, disse Klabin, ao participar de discussão sobre o assunto na Câmara.

A ministra Izabella rebateu as críticas de Klabin: “Toda conferência parte do princípio do consenso. Quem reclama que o documento é genérico, terá 170 páginas para debater nos próximos dois meses”, rebateu a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Ainda no seminário, a ministra Teixeira saiu em defesa do desenvolvimento sustentável: “Há uma dificuldade muito grande de se encarar o desenvolvimento sustentável como prioridade, como a agenda central da política econômica”, alertou.

“Não dá para continuar com o cenário de negócio pelo negócio, porque vamos piorar a escassez de recursos, a fome e o problema ambiental.”

A necessidade de repensar a forma de desenvolvimento utilizada hoje foi destacada pelo representante da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação no Brasil, Hélder Muteia, que defendeu a necessidade de responsabilizar os agricultores pelas consequências de sua atividade.

“A agricultura ocupa 30% das terras do planeta, utiliza cerca de 60% dos recursos naturais da Terra, dos quais 70% da água doce do mundo”, disse.

Já a presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, deputada Perpétua Almeida – PCdoB/AC, afirmou que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20 será fundamental para avaliar quais países vem cumprindo os compromissos ambientais assumidos há 20 anos, na Eco 92.

O seminário sobre a Conferência Rio+20 faz parte de um ciclo de palestra que acontece desde 2011. A Frente Parlamentar Ambientalista já realizou seminários regionais abordando os temas:

Biomas – Manaus
Recursos Hídricos – Cuiabá
Meio Ambiente Urbano – São Paulo
Energia – Recife
Segurança Alimentar – Porto Alegre

Daniele Bragança

*Com informações da Agência Brasil

27 de Março de 2012

www.oeco.com.br

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