RESISTÊNCIA À COMPOSTAGEM – JUSTIFICA?

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A resistência à compostagem por parte das prefeituras não se deve à falta de informações sobre como operá-la de forma segura. Para isso tem a experiência internacional, os centros de pesquisa no mundo, as recomendações da OMS etc.
Essa discussão é mera desculpa, pois se a compostagem urbana é crescentemente praticada e apoiada em cidades importantes de países de primeiríssimo mundo, como Nova York e Bruxelas (vocês imaginam o grau de civilidade que se vive em Bruxelas?), sem falar nas cidades canadenses, australianas, suíças, japonesas, chinesas, meu Deus, por todo lugar, por que não aqui? Serão nossos patógenos mais agressivos do que os de lá?
Também nos países mais pobres, a compostagem urbana é vista como a maneira mais adequada de tratar o lixo orgânico urbano em cidades africanas e asiáticas onde vivem milhões e milhões de pessoas com pouco dinheiro e espaço para operar lixões, que dirá aterros sanitários…
A FAO, a OMS, o Banco Mundial, todos recomendam a prática da compostagem-agricultura urbana e do saneamento ecológico-produtivo (banheiro seco com desvio da urina) como indispensáveis para aumentar a resiliência das cidades diante dos estresses, impactos e crises previstos há poucos dias pelo IPCC da ONU (“o pior está por vir”) e na entrevista de ontem do presidente do Banco Mundial (“em cinco ou dez anos começarão as guerras por água e comida”)(talvez demore 15 ou 20, mas virão, e imaginem aonde acabarão chegando…)
Pois é, diante da gravidade desse quadro, é um crime que os municípios ainda relutem em compostar seus resíduos orgânicos. A novidade é a necessidade de planejar direito algo que precisa dar certo, estabelecer novas rotinas, desenhar novos treinamentos em práticas inéditas e operações que a maioria dos gestores municipais desconhece;
  1. a incapacidade de se comunicar com a população como seria indispensável para o processo ganhar escala e só ser compostado lixo orgânico ‘limpo’ de contaminantes biológicos e químicos, educação ambiental inadequada e insuficiente;
  2. a maneira “normal” de se trabalhar em geral no Brasil, onde o capricho e a organização, a busca da excelência, a responsabilidade, a iniciativa, fundamentais para uma compostagem segura e sadia, são valores praticamente desconhecidos.


Para dar um exemplo notável: quando sugeri ao então secretário de Ambiente de Resende (2007) iniciar um projeto-piloto de compostagem na vila de Visconde de Mauá e em algum bairro da sede do município, ele respondeu: “Não: vai logo virar um lixão”. Até esse dia eu compostava meus resíduos no quintal de casa; mas então decidi iniciar uma minicentral comunitária que operou quase seis anos sem qualquer problema, até o terreno ser solicitado pelo novo proprietário para outros fins.

 

Um composto por mês, quase 70 compostos foram produzidos, desviando cerca de 35 toneladas do aterro. Jamais virou um lixão, como eu queria demonstrar, mas para isso foram necessários cuidados diários, cerca de meia hora todo dia, para varrer o solo ao redor dos montes, colocar a varrição de volta no monte mais recente, rearrumar alguma eventual bagunça, de vez em quando revirar um monte (em ordem metódica), e regar se necessário.
Meia hora de alguém que goste do que faça, sensibilizado para a importância do que faz, orgulhoso do que faz pela natureza, pela cidade, pelo futuro. Em um dia ou meio expediente de trabalho, essa pessoa poderia cuidar de vários centros. O problema é que a prefeitura não tem essa experiência, nem tem esse discurso, nem essa convicção. E vai ser aí que nós entramos…
Quanto às páginas web que podem ser úteis:

 

Esta discussão é mesmo importante e fundamental, pois só enriquecerá as nossas visões sobre esse tema tão crítico.
Ambientalista Joaquim Moura – Consultor da ABIDES

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