Reserva Biológica de Duas Bocas – ES

 

Reserva Biológica de Duas Bocas. Foto: Prefeitura Municipal de Cariacica – ES

 

No Estado do Espírito Santo, nas proximidades da capital Vitória, mais especificamente na área rural do município de Cariacica, estão localizados os 2.910 ha da antiga reserva florestal de Duas Bocas, transformada em Reserva Biológica em 1991, muito citada, e também foco de atuação e de interesse do Instituto Últimos Refúgios, que tem notável acervo de realizações.

 

Denominada Duas Bocas em função da represa, inaugurada nos tempos do Presidente Getúlio Vargas, onde desembocam os rios Panela e Naia-Assú, a barragem já foi responsável pelo fornecimento de água para a Capital do Estado do Espírito Santo.

 

Atualmente, as informações obtidas no portal do governo do estado do Espírito Santo, indicam que a unidade integra o corredor ecológico denominado Duas Bocas–Mestre Álvaro e tem por atividades principais a fiscalização, a recepção de escolas para atividades de educação ambiental e a realização de pesquisas científicas.

 

Situada na área rural do município de Cariacica, na região metropolitana de Vitória, esta pequena reserva biológica guarda a importância de manter e preservar um importante fragmento intocado da Mata Atlântica, onde subsistem muitas espécies vegetais e animais, ameaçadas de extinção. Este local é de singular importância porque a preservação das redes relacionais do bioma e as integridades ecossistêmicas permitem a manutenção de espécies de grande relevância natural.

 

Dentre as cadeias alimentares estabelecidas entre as espécies animais, a presença da onça-parda, mamífero que representa o topo das pirâmides alimentares, também conhecido no jargão técnico como “elemento guarda-chuva” da pirâmide, atesta que todas as relações entre animais e entre animais e vegetais de níveis inferiores da pirâmide, se encontram intactas e preservadas, em sólida condição de equilíbrio homeostático, de forma a permitir a ocorrência da onça-parda.

 

A rica biodiversidade do local e ações como a do Instituto Últimos Refúgios, que disponibiliza um livro com fotografias da área e um documentário do local, permitem ampla socialização e divulgação do conhecimento visando sensibilizar a sociedade em benefício das ações conservativas, ao qual se associa esta iniciativa.

 

Nesta região, provavelmente devido às condições geográficas, houve reduzidas intervenções antrópicas, permitindo uma grande preservação ecossistêmica, podendo se afirmar que se trata de um sítio de preservação da Mata Atlântica de grande relevância para o país.

 

A maior fiscalização por se tratar de fonte de abastecimento hídrico de grande importância, também deve ter contribuído para a implantação e manutenção de ações que geraram o Estado de preservação que se identifica na região considerada.

 

Por isso esta unidade de conservação atingiu a condição de obter a condição de proteção integral. Todas as áreas são exclusivamente de domínios públicos e o ecossistema predominante é descrito como floresta ombrófila densa submontana pelo órgão ambiental capixaba, o Instituto Estadual do Meio Ambiente – IEMA  e pela entidade florestal do Estado, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal – IDAF  do Espírito Santo.

 

Nesta hora não é importante dissecar as motivações para a manutenção das condições de preservação. Mas o importante são as ações, como a do Instituto Últimos Refúgios e dos órgãos ambientais e da sociedade civil organizada, para viabilizar sempre que necessário, ações de conscientização e de viabilização da efetividade da ocorrência de preservação máxima nesta reserva, cujas características são de extrema importância para a manutenção de condições de equilíbrio e homeostase ecossistêmica que permitem a subsistência das espécies vegetais e animais observadas, nesta singular manifestação de biodiversidade e vida que o local nos apresenta.

 

A condição de reserva biológica e o histórico do local admitem apenas o uso indireto dos recursos naturais, e desta forma o que se observa neste sítio é uma espécie de laboratório de recursos naturais, tratando-se de uma área preservada com as melhores características originais remanescentes do ecossistema original da Mata Atlântica. A atual categoria de reserva biológica limita o acesso à área onde as atividades educativas são controladas e atividades turísticas e recreativas inibidas.

 

Embora as montanhas da região não sejam muito elevadas, sua morfologia contribui para impedir acessos que não sejam autorizados e outras atividades clandestinas. A parte da reserva biológica que se encontrava afetada por atividades antrópicas de plantio de café ou banana e atividades de pastoreio se encontra em recuperação, com a regeneração natural ou a resiliência do local estimulada pelas boas condições de preservação encontradas.

 

Localizada na região sudeste, território mais populoso e industrializado do país, a manutenção plena desta reserva biológica em boas condições é de amplo interesse e grande relevância para todo o país, embora hoje a produção de recursos hídricos do local, felizmente, não tenha a mesma importância que em tempos pretéritos. E cabe observar, que apesar da manutenção da cobertura vegetal, a produção de recursos hídricos não tem a mesma possança.

 

Artigo do Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

 

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

 

Publicado no Portal EcoDebate, 30/06/2015

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