Registro de culturas garante preservação

Registro de culturas garante preservação
A identidade brasileira é rica e complexa. Somente entre os indígenas, são mais de 200 etnias. O fortalecimento e a preservação das culturas e das línguas indígenas é o objetivo do Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas (PROGDOC), desenvolvido desde 2007, pela Fundação Nacional do Índio, em parceria com a Fundação Banco do Brasil e Unesco, por meio do Museu do Índio, órgão científico-cultural da Funai, sediado no Rio de Janeiro.
A documentação das culturas e línguas indígenas amplia as possibilidades de proteção e transmissão às novas gerações. O trabalho, desenvolvido por instituições de pesquisa, é coordenado por linguistas e antropólogos. O programa formou 95 pesquisadores indígenas, sendo 48 bolsistas. As equipes multidisciplinares contam também com colaboradores das áreas de etnobiologia, geografia, pedagogia, nutricionismo, botânica e museologia, entre outras.
A seleção é feita de acordo com a vulnerabilidade dos povos, do ponto de vista do risco de desaparecimento. Os eventos culturais são escolhidos com a participação dos indígenas. A parceria com 32 povos abrange atividades de pesquisa, levantamento e documentação de saberes tradicionais, mitos, rituais, dimensões simbólicas e estéticas, expressões linguísticas e modos de fazer associados a aspectos específicos de cada cultura.
Expedições buscam o resgistro e a valorização de conhecimentos e práticas relacionados a cultura alimentar; sistema agrícola; modos de produção, circulação e partilha de alimentos; processos de manejo da diversidade; territorialidade; arte cerâmica, plumária e de tecelagem; cantos e produção de instrumentos musicais, entre outros modos de fazer e expressões culturais.
Até agora, participam do projeto 105 aldeias indígenas dos estados do Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. A ação envolve mais de 27 mil pessoas.
Todos os documentos vão para o Museu do Índio, com cópias para as comunidades e publicadas em 20 sítios na internet. Mestres e especialistas indígenas validam o material para serem usados em escolas e centros de documentação nas aldeias e terras indígenas. Além de exposições fotográficas e etnográficas, são feitas publicações de materiais didáticos e paradidáticos bilíngues, catálogos, boletins e traduções para línguas estrangeiras.
O acervo físico já conta com 68.500 documentos de texto e mapas; 9.635 iconográficos; e audiovisuais: 493 horas de vídeo, 321, em áudio e 50.017 fotografias.
Línguas – Como parte do Progdoc, o Programa de Documentação de Línguas Indígenas (Prodoclin) procura preservar a diversidade linguística nacional, hoje com cerca de 180 línguas nativas. O trabalho inclui a participação das comunidades e dos falantes. Além da preservação de materiais em acervos particulares e em instituições públicas e privadas, é feita a documentação de 13 línguas, das cerca de 35 consideradas mais ameaçadas de desaparecimento.

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