Recepção no Almirantado Brasileiro do Almte. Álvaro Alberto da Mota e Silva

 

IMPRENSA NAVAL

RIO DE JANEIRO

Recepção no Almirantado Brasileiro do Almte. Álvaro Alberto da Mota e Silva promovido a êsse pôsto pelos seus relevante serviços prestados ao Brasil.

1948

Recepção no Almirantado Brasileiro do Almte. Álvaro Alberto da Mota e Silva promovido a êsse pôsto pelos seus relevante serviços prestados ao Brasil.

Fala o Almirante de Esquadra Jorge Dodsworth Martins, Vice-Presidente do Almirantado.

À mesa vêem-se. além do Almte. Álvaro Alberto, homenageado, o Ministro da Aeronautica Brigadeiro Armando Trompowsky, o Brigadeiro Fernando Savaget e o V-Secretário do Almirantado C. F. ref. Duarte Silva Jor.

CONTRA-ALMIRANTE

ÁLVARO ALBERTO DA MOTA E SILVA

Sob a presidência do Sr. Almirante de Esquadra Jorge Dodsworth Martins, o Conselho do Almirantado reuniu-se a 22 de julho, especialmente, em sua sede no Ministério da Marinha, para receber o Contra-Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, recentemente elevado a êsse alto pôsto por deliberação do Congresso Nacional, à vista dos relevantes serviços prestados à Marinha e ao Brasil.

Abrindo a sessão, o Sr. Almirante Jorge Dodsworth Martins, Vice-Presidente do Conselho, pronunciou o seguinte discurso:

“Exmo. Sr. Tte. Brigadeiro Armando Figueira Trompowsky de Almeida

Exmo. Sr. Brigadeiro Fernando Victor do Amaral Savaget

Exma. família Álvaro Alberto

Prezados companheiros do Almirantado

Meu eminente colega e amigo Contra-Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva:

Esta cerimônia de afeto, coleguismo e admiração, é a primeira que o nosso Almirantado realiza para homenagear um grande brasileiro, honra da nossa Marinha, e já consagrado como um dos vultos culminantes da geração atual.

Partiu dêste Almirantado a primeira lembrança de se conferir um pôsto no generalato naval ao nosso preclaro homenageado e esta idéia frutificou no seio do Congresso chegando à sua feliz concretização.

Ao recebermos hoje Vossa Excelência nêste Conselho, tenho prazer de declarar, com justiça, que homenageado é também o próprio

Almirantado, por se ver distinguido com o privilégio de hombrear, mesmo por alguns instantes, com uma das mais eminentes e cultas figuras da Ciência brasileira cujo renome, sem nenhum favor, ultrapassou os lindes da nossa Pátria e se consagrou no meio científico universal.

Excuso-me, neste momento, rememorar os pontos salientes de sua carreira na Marinha, no magistério, e no campo científico. Seria com isso duvidar do interesse de seus colegas aqui presentes, que, conhecendo-a de cór, pela admiração e respeito que lhe devotam, não deixam escapar desapercebidas as facêtas cintilantes de sua vida incomparável.

Aproveito, entretanto, a situação especial em que me acho, de ter sido testemunha assídua e atenta de sua atuação como Delegado do Brasil na Comissão de Energia Atômica da Organização das Nações Unidas para resumir aos meus colegas do Almirantado, na presença de sua digníssima e ilustre Família, o brilhante desempenho que  deu de seu mandato, defendendo os interesses do Brasil, da Democracia e da paz mundial, fazendo vibrar aqueles debates, longos, penosos e enervantes, as luzes irisadas de sua inteligência e as cordas patrióticas do seu coração.

No dia em que for desvendada ao público sua atuação na Comissão de Energia Atômica será apreciada então a nova expressão de seus talentos no campo da diplomacia.

Ao assumir V. Excia. o pôsto de Delegado daquela Comissão, foi obrigado desde logo a tomar posição de combate para defender os interesses do Brasil que é sem dúvida o maior possuidor mundial de matéria prima para produção de energia nuclear.

Nos debates das sessões plenárias manifestou-se com brilho, exprimindo-se em francês e em inglês com igual facilidade e mostrando sólidos conhecimentos básicos para argumentar sua superioridade.

Na primeira fase dos trabalhos, contribuiu para a organização do Plano Baruch, que expressamente estabelecia duas condições fundamentais: Primeira – instituição de uma entidade internacional investida da necessária autoridade para tornar efetivo um controle eficiente das fontes, do desenvolvimento, e das aplicações de energia atômica, de modo a tornar praticamente impossível seu emprêgo nas armas de guerra e bem assim fomentar o  uso  pacífico  desta  fonte  colossal  de energia no campo industrial. Segunda – abolição do direito do voto em relação ao controle internacional da energia atômica.

Como contrapartida dessa proposta, os delegados russos apresentaram o plano Gromyko que consistia ùnicamente na elaboração de uma convenção internacional pondo fóra da lei o armamento atômico, deixando aos próprios Estados  a faculdade de controlar e de legislar sôbre as penalidades a serem aplicadas aos transgressores eventuais, sem consentir por isso no controle internacional. Êsses dois pontos de vista entraram em conflito e V. Excia. teve que se bater com denodo em favor das medidas que sinceramente conduziriam a uma situação final de segurança internacional, objetivo da Organização das Nações Unidas.

É público e notório que os delegados russos empregaram todas as artimanhas e falsas argumentações para alongar as discussões e impedir a necessária aprovação unânime do Plano Baruch.

Para evidenciar o valor dos esforços de V. Excia. nos debates peço licença para transcrever uma simples e eloquente carta de Bernard M. Baruch, Chefe da Delegação Norte-Americana que assim se exprimiu:

“Meu caro Alberto. Como de costume, ontem você foi fino, polido, generoso e desassombrado. Invejo-lhe a faculdade de expressão, bem assim sua erudição e coragem. Com o meu profundo apreço pelo seu contínuo apôio, sinceramente, Baruch”.

Convem lembrar que estas palavras vindas de uma das personalidades americanas das mais acatadas pela sua clarividência, alto conceito público e independência política, personalidade que serviu como conselheiro privado do Presidente Franklin D. Roosevelt e continua a ser um dos grandes mentores do atual Presidente Truman, honram a quem as recebe e consagram no campo internacional o nosso eminente homenageado como personalidade de primeiro plano.

Bem sabemos que V. Excia. esgotou-se, pelos esforços despendidos nesta Comissão, comprometendo sua preciosa saúde, mas também vemos, com júbilo, que o generoso clima moral e físico do Brasil no qual V.Excia. foi acolhido em seu regresso, já conseguiu restabelecer-lhe as energias a ponto de podermos, todos que o estimamos, como isso nos congratularmos.

Esta cerimônia que desejamos seja da mais sincera cordialidade não deve ser compreendida senão como partida da admiração e da amizade que lhe tributam os seus colegas de carreira naval atravessada por V. Excia. com patriotismo, entusiasmo e amôr inexcedíveis.

Feliz o país que tem filhos com devotamento igual ao de V. Excia. Feliz a Família que tem como Chefe o espírito e o coração de V. Excia. para dirigi-la. Feliz a Marinha que pode honrar-se de ter um marinheiro, ao mesmo tempo cientista, mestre insigne e patriota desassombrado do quilate de V. Excia.”

 

Oração pronunciada pelo Contra-Almirante – EN – Juvenal Greenhalgh por ocasião da homenagem prestada ao Exmo. Sr. Contra-Almirante Álvaro Alberto em sessão especial do Conselho do Almirantado realizada em 22 de julho de 1948.

 

“Presta hoje êste Conselho ao Cotra-Almirante Álvaro Alberto, uma homenagem excepcional e inédita na sua existência mais que secular.

Ela deriva das condições também excepcionais com que lhe foram conferidos pelo Congresso e Presidente da República, os bordados de Almirante como prêmio às invulgares qualidades do homenageado e seus valiosos serviços à Marinha e ao Brasil.

É ela por si mesma tão expressiva, que poucas palavras bastariam para traduzi-la, não fosse a dificuldade que encontro em dar a tais palavras o tom cerimonioso e a linguagem apropriada a esta solenidade, tão diferentes do que é costume usar entre colegas de turma.

Não é minha intensão fazer nesta curta oração em que fui encarregado de interpretar os sentimentos do Almirantado, a biografia do Almirante Álvaro Alberto cuja vida de serviços são de todos nós tão conhecidos.

Já, também, com tanta propriedade referida pelo nosso Presidente, dispenso-me de tratar de sua atuação como membro e presidente da Comissão de Contrôle Internacional de energia atômica, quando lhe couberam responsabilidades, das maiores que se podem atribuir ao homem da época contemporânea em decisões que podiam resultar na felicidade ou na desgraça de toda a humanidade.

 

Aspecto da sessão do Almirantado em homenagem ao Almte. Álvaro Alberto, quando falava o Almirante Engenheiro Naval Juvenal Greenhalgh.

Mas quero apenas lembrar que o Almirante Álvaro Alberto, representando, nesta Comissão, um país de 2ª ordem de grandeza material, teve que enfrentar os representantes das maiores potências do mundo que, na defesa de suas responsabilidades no panorama político internacional e sua posição de 1ª grandeza no concerto das nações, não costumam ceder deante da lógica dos argumentos e da invocação dos princípios morais, únicas armas que tem as nações fracas para antepor ao grande prestígio e autoridade de vozes que se apoiam em imenso poderio político, econômico e militar.

E foi nessa conjuntura que o valor pessoal do Almirante Álvaro Alberto, suprindo as deficiências do prestígio político e dos valores materiais que representava, proporcionou-lhe um lugar de destaque entre homens de renome mundial, conseguindo, em ação brilhante e eficiente, tornar vencedores algumas téses de tão transcendental importância para os interesses nacionais que poderiam, se vencidas, afetar a nossa própria soberania de nação independente.

Tornou-se assim o Almirante Álvaro Alberto uma figura de destaque não só no plano nacional como no internacional e credor das honras que lhe concederam o povo pelos seus representantes no Congresso e o Presidente da República que as sancionou. E essas honras cabem também a todos nós, tal é o milagre que produz a solidariedade do uniforme, que permite a todos que o usam, uma parcela da glória alcançada por um só.

Mas essa homenagem, embora grande em si mesma, significaria apenas admiração, gratidão e justiça a méritos de cultura e inteligência, se não fossem também as outras qualidades excepcionais, morais e afetivas que possui o homenageado que, produzindo confiança, simpatia e amizade, fazem que tais homenagens se completem com o imenso júbilo dos seus inúmeros amigos entre os quais me conto como dos mais fiéis, em comércio que vimos fazendo desde os bancos da Escola Naval, há mais de 40 anos passados.

Desde êsse tempo em que o caráter sem jaça e o coração generoso de Álvaro Alberto se impuseram entre os seus colegas de turma de modo a não contar entre êles um só desafeto.

Tôdos nós conhecemos os percalços e as responsabilidades que pesam sôbre um Chefe de Classe na Escola Naval.

Deve êle manter uma linha de absoluta correção para os seus superiores sem, no entanto, comprometer os sentimentos de camaradagem com os seus colegas.

Portou-se sempre o Aspirante (sic) Álvaro Alberto de modo exemplar nessa espinhosa situação.

Conduziu-nos com tolerância e amizade. Encobriu sempre que ponde, e as vezes com prejuízo próprio, as nossas faltas, quando podiam ser encobertas. Nunca nos recusou qualquer auxílio que dêle requeriamos em tôdas as fases da nossa vida escolar.

Aturou com paternal paciência as injustiças que, na irreflexão dos impulsos próprios à mocidade, faziamos, por vêzes, às suas bôas intenções.

Dotado de grande vigor físico, nenhuma vez dêle usou nem abusou para convencer quem quer que fosse.

Jamais de um tom austero, dogmático ou pretencioso à superioridade da sua cultura. E por isso, pela sua figura franca e jovial, não foi excetuado das troças que, como rapazes, entre nós faziamos, e se, algumas delas, como é de regra, lhe produziam certa zanga com a ameaça da represália de nos cortar aquela preciosa colaboração que nos prestava no amargor das sabatinas isso mais nos divertia do que impressionava, pois sentíamos que palavras e gestos tinham origem na superfície e não vinham de seu coração sempre magnânimo e indulgente.

Terminado o Curriculum escolar, após a viagem de instrução no saudoso Benjamin Constant, sempre julgamos que o nosso Chefe de Classe iria situar-se nas alturas das abstrações teóricas. Aí, nova surpresa nos trouxe a sua personalidade singular, perfeita por tôdas as fases que se a encare. Sem abandonar o amôr aos livros e aos laboratórios onde aperfeiçoou os seus já profundos conhecimentos científicos, êle se mostrou sempre um homem prático onde foi preciso realizar, revelando a meticulosidade do ourives no planejamento e na execução dos detalhes.

Lembro-me de que, Primeiros Tenentes embarcados no Cruzador Rio Grande do Sul, decidiu Álvaro Alberto treinar pessoalmente a guarnição do escaler que ia representar o navio nas regatas anuais que então se realizavam.

Nenhum detalhe para o êxito dêsse torneio esportivo foi esquecido. A embarcação escolhida e examinada cuidadosamente. O mesmo se passou com a sua guarnição, selecionada de modo a aproveitar o que, para êsse fim, tinhamos de melhor a bordo. Foi ela sujeita a uma disciplina particularmente rigorosa na vida quotidiana, que lhe preservasse tôdas as energias para o grande dia.

Sua alimentação foi especialmente determinada, visando o fortalecimento dos músculos e capacidade de fôlego. O Tenente Álvaro Alberto viva a bordo acompanhando e vigiando os homens os quais contagiou da vontade firme e do pensamento único de vencer o prélio. Nenhum sacrificio foi poupado. Os treinos se realizavam pela alvorada e sempre por ele dirigidos. Na véspera do torneio, tudo foi de novo revisto com minúcias e a embarcação pela primeira vez na Marinha teve o seu casco (sic), nas obras-vivas, revestido de pomblagina para vencer melhor a resistência do meio no caminho da vitória. Esta veio certa e infalível com muitos barcos de avanço sobre o segundo colocado, prêmio do esfôrço, da tenacidade, e como demonstração do que valem para atingir a um determinado objetivo, um planejamento cuidadoso e detalhado, e um treinamento inteligente, contínuo e prolongado.

Essa vitória de pequena relevância em si mesma era, no entanto, de grande significação pois já revelava que além das inúmeras e variadas qualidades que iriam fazer Álvaro Alberto vencer no caminho da cátedra que escolheu para servir à Marinha, possuía aquelas outras, tão difíceis de reunir em um mesmo homem, que o fariam triunfar no meio civil, na dura luta da competição econômica, para servir ao Brasil, uma indústria de absoluta importância para a Economia e Defesa Nacionais.

Nesses dois empreendimentos, seu êxito foi completo e decisivo, como o seria, dadas as suas qualidades, em qualquer outra tarefa que decidisse levar a cabo.

Deu sempre às suas obras um cunho de fraternal humanidade e sadio patriotismo, de amôr ao Brasil e à Marinha.

É possuidor de apurado sentimento artístico. Conhece com profundeza a literatura patrícia. Recita de memória trechos dos grandes clássicos estrangeiros. No verdor da mocidade, quando a Musa sempre nos visita e nos faz expandir em versos  de  principiante  o  excesso de vida que de nós transborda, ele já os fazia de Mestre; cantantes, substanciais e metrificados. Na Música, evidenciando sempre a sua alma brasílica, quando se decidiu a aprendizagem de um instrumento cujos sons pudessem traduzir os seus sentimentos poéticos, e isso poucos sabem, escolheu o violão, o tradicional pinho que canta a brisa bailoçando os coqueirais das nossas alvas praias e o silêncio sem mácula do sertão enluarado.

Não lhe endureceram o coração, ou obscureceram o perene otimismo os desenganos, as decepções e as injustiças que nos traz a vida no contáto dos nossos semelhantes, onde, por menor que seja o nosso valor, sempre lhe sofremos a inveja e a traição. Idealista e generoso, guardando da mocidade o entusiasmo, o altruismo e o desprendimento, tem êle distribuído com os que o tem ajudado, partindo dos mais humildes, os frutos provenientes do seu esforço e do seu engenho.

Era sempre com pezar que nós, os da turma de 1906 da Escola Naval, víamos o nosso Chefe de Classe, o melhor de todos nós, sem poder atingir ao Almirantado por ter escolhido no servir à Marinha, um caminho que não levava ao generalato. Parecia que só um milagre poderia dar solução a isso.

O milagre realizou-o êle próprio, sem impôr e sem pedir, pela sua pujante inteligência, profunda cultura, excelente caráter, coração generoso, filho, esposo e pai amantíssimo, fiel prestimoso amigo.

É a êste grande brasileiro, é a êste precioso amigo, que nêste momento de alegria e consagração, eu trago dos que se orgulham de tê-lo como colega – dos Almirantes do Brasil -, o saudar e a homenagem.”

 

———————–

 

Alocução proferida pelo Contra-Almirante Honorário Álvaro Alberto, ao ser recebido no Conselho de Almirantado, a 22 de julho de 1948.

 

“Senhor Presidente,

Senhores Almirantes:

Ao receber, com desusada emoção, o convite que, em sua fidalguia deliberou fazer-me êste egrégio Conselho para nêle vir tomar assento na sessão de hoje, que aqui congrega  os  Chefes  da  Marinha, perguntei a mim próprio se me cabia direito aceitar tão excepcional distinção.

Logo me ocorreu, porém, que partindo de tão alto, era ordem – e irrecorrível.

Conhecendo, como conheço, o estôfo moral dos generais da Marinha, bem avalio da extensão de sua generosidade e da nobresa dos seus objetivos.

E, justamente porque sei até onde vai tão requintado cavalheirismo, peço venia para assegurar a Vossas Excelências, Senhores Chefes meus que, por mais profunda que seja a eufôria inspirada por êsse gesto, tudo farei por que não redunde numa inflação de vaidade, porém, numa efusão de infinito reconhecimento.

Essa gratidão traduz minha insolvável dívida para com a Marinha: si algum relêvo, por mais modesto, porventura apresentar minha carreira pública, direta ou indiretamente o devo à Marinha.

Foi no seu seio que formei os meus melhores amigos; nela encontrei os meus mais destacados Mestres, que alicerçaram minha cultura e modelaram minha personalidade; nela, apagadamente embora, hauri a crença profissional e busquei assimilar o espírito de sacrifício e dedicação ao serviço, que lhe são intangivel apanágio; nela aprendi a conciliar a disciplina, que ordena, com dignidade, que nobilita.

Com a Marinha iniciei-me na prática do ritual das tradições pátrias, na veneração de seus heróis, no culto da Bandeira, na vibração dos seus Hinos – em uma palavra – no amôr de nossa terra e de nossa gente.

Desde Cochrane até Ingram, grandes Chefes estrangeiros têm gravado na História o julgamento perene dos feitos que recomendam a Marinha à gratidão do Brasil e à admiração do mundo.

E o recente papel por ela gloriosamente desempenhado, durante a segunda guerra mundial, na conquista e mantença do domínio do Atlântico Sul, vem provar que as novas gerações não desdouram a fibra dos que nos legaram a legenda heróica da Marinha de outróra, imortalizada por Ouro Preto, Garcez Palha, pelos Boiteux, Joaquim Nabuco, Gastão Penalva, Didio Costa, Pedro Calmon, Carlos Carneiro, Luiz Bello, Britto e Cunha, Raul Tavares, Brás da Silva e tantos outros.

A “neta de Cochrane e Tamandaré” não mente à herança de seus maiores.

A as novas gerações – em que tantos nomes perpetuam os de tantos ilustres marujos e soldados nossos – espelham-se no seu máximo representante – o Almirantado Brasileiro.

Eis porque me orgulho da honra que se dignaram conceder-me Vossas Excelências, chamando-me a participar desta sessão, cuja lembrança só se extinguirá em mim comigo próprio.

Assim quizeram Vossas Excelências ampliar o gesto anterior; devo inteiramente a este colendo Conselho, e decisivamente prestigiado por Sua Excelência o Senhor Almirante de Esquadra Sylvio de Noronha, Ministro da Marinha, a iniciativa da concessão das honras de Contra-Almirante, com que o Congresso Nacional e o Govêrno me elevaram à categoria de último dos pares de Vossas Excelências.

Sem dúvida, não pode haver, em tempo de paz, nenhuma honra maior do que a de representar o Brasil, seja onde for. Mas não me desvaneço de nessa qualidade, haver tido assento ao lado das notáveis personalidades, de projeção mundial, da C. E. A., do que do privilégio de ser recebido nêste augusto Conselho.

Dentre as razões em que se fundamentou êsse ato, para mim tão desvanecedor, foi, com abundância d’alma, pôsto em relêvo e esfôrço com que busquei defender os grandes interesses do Brasil, nos trabalhos da Comissão de Energia Atômica das Nações Unidas.

Ora, quando S. Excia., o Senhor Presidente da República recebeu do Senhor Ministro das Relações Exteriores, o Dr. João Neves da Fontoura, a proposta do meu humilde nome para o exercício de missão de tamanhas responsabilidades, houve por bem mandar ouvir o Senho Ministro da Marinha.

E a Vossa Excelência, Senhor Presidente, Almirante de Esquadra Jorge Dodsworth Martins, então Ministro de Estado, aprouve informar, em têrmos cavalheirosos, não ser outro nome também inculcado pela Marinha.

A indicação do professor da Escola Naval, que originàriamente fôra feita ao Govêrno, mediante consulta a professores e técnicos brasileiros de notório saber, formulada pelo Sr. Coronel Edmundo Macedo Soares e Silva, Ministro da Viação, a  quem  se  dirigira  o  Senhor Ministro das Relações Exteriores – estava, agora, endossada pela Marinha.

Feita a nomeação do representante do Brasil na Comissão de Energia Atômica, desejou êle fazer uma exposição das medidas preliminares que se lhe afiguravam de caráter imediato, para salvaguarda dos legítimos interesses nacionais, em face do advento da nova Era Atômica: à reunião, para isso convocada pelo Itamaratí, não faltou a honra da presença dos Ministros de Estado Jorge Dodsworth Martins, da Marinha, Brigadeiro Armando Trompowsky, da Aeronáutica, e o Dr. Luiz Vieira, da Viação, que apoiaram e incentivaram decididamente as idéias e os planos alvitrados pelo representante do Brasil, que partia para assumir suas novas funções, em Nova York.

Ao assumir o delegado brasileiro a presidência da Comissão de Energia Atômica, em julho de 1946, – lá se destacava pelo luzimento na primeira plana da assistência, a brilhante oficialidade do Navio Escola Almirante Saldanha, afortunadamente então surto no pôrto. Era a presença da Marinha, ainda e sempre, estímulo incomparável.

Dias depois, permitia o Senhor Ministro Dodsworth Martins que o representante do Brasil recebesse a bordo do Saldanha a delegação norte-americana, chefiada pelo grande amigo do Brasil, o eminente estadista Bernard M. Baruch, com o comparecimento de numerosas outras destacadas personalidades civis, navais e militares.

Em dezembro de 1946, ao se realizarem as memoráveis sessões em cujo decurso teve lugar a discussão final e aprovação do notável e histórico documento, que é o plano Baruch, Vossa Excelência, Senhor presidente, então representante do Brasil na Comissão de Defesa do Hemisfério, não regateou a honra de sua presença a êsses debates, dando edificante exemplo de interesse por aquela elaboração, de tão perto vinculada ao futuro potencial econômico do nosso país – tão bem aquinhoado detentor de matérias primas para a produção de energia atômica. Do mesmo passo, Vossa Excelência, Senhor Presidente, moralmente apoiava o representante do Brasil, empenhado na defesa das justas reivindicações nacionais.

Ao assumir, pela segunda vez, em agosto de 1947, a presidência da C. E. A., como sempre teve o  delegado  brasileiro  o  bafejo  da Marinha, levado, como de outras vezes, pelo Sr. Vice-Almirante José Maria Neiva e pelo Sr. Contra-Almirante Attila Aché.

Seria injusto deixar de referir, também, a honrosa presença do Sr. General de Brigada João Valdetaro e, em outra sessão o Sr. Brigadeiro do Ar Ajalmar Vieira Mascarenhas e seu luzido Estado-maior.

Mesmo de longe, não raro recebi dos colegas da Marinha o preciosíssimo incentivo da sua solidariedade, e dentre êles, o dêsse formoso espírito que há pouco deu expansão aos seus fraternos sentimentos para com o companheiro de mais de 42 anos de consolildada amizade – o Almirante Juvenal Greenhalgh Ferreira Lima.

O representante do Brasil teve sempre, outrossim, o apôio moral do Adido Naval em Washington, o Sr. Vice-almirante Octavio de Medeiros, e de todos os militares brasileiros, mar, de terra e do ar em missão nos Estados Unidos, inclusive o Senhor Vice-Almirante Leonel Aragão.

Êsse apôio foi de incalculável valimento nos momentos de lutas e graves responsabilidades que tivemos que enfrentar.

Não teria cabimento abusar da atenção de Vossas Excelências para alongar esta resenha: ousarei, no entanto, prevalecer-me dela para rogar ao Almirantado consinta em tomar sob sua égide a realização das medidas que tive a honra de sugerir ao Govêrno, visando alguns aspectos cruciais dos problemas suscitados para o Brasil, pelo advento da maior e mais decisiva descoberta experimental, desde que prometeu roubou dos deuses o segredo do Fogo, para entregá-lo aos homens! o surto da energia atômica.

Essas medidas, muitas das quais se me antolham indeclináveis como imperativos categóricos, se acham despretenciosamente, porém, sem rebuços, expostas nos vários relatórios que tive ensejo de encaminhar ao Govêrno, por intermédio do Chefe da Delegação brasileira junto às Nações Unidas, o Senhor Embaixador João Carlos Muniz. Não escaparam ao seu patriótico descortino, como não o haviam aos seus dignos antecessores, o saudoso e eminente Embaixador Pedro Leão Veloso e o preclaro estadista Embaixador  Oswaldo Aranha, a gravidade da situação criada para o Brasil pela necessidade de instituir-se um sistema internacional, eficaz, de contrôle da energia atômica, a fim de evitar-se a calamidade no seu uso militar. No último relatório a 24 de maio transacto, apresentado ao Senhor  Almirante  Attila Aché, Adido Naval em Washington, de quem me honro de haver sido Adjunto, encontrarão Vossas Excelências um rumo das providências que se me afiguravam prementes.

No momento, limito-me a resumir perante Vossas Excelências, Senhores Oficiais Generais, o resultado de minhas observações e reflexões nesta forma rude, porém, realista: ou nos preparamos, enérgica e decisivamente, para entrar na posse efetiva e ativa de nossas riquezas, inclusive atômicas, ou teremos, algum dia, que assistir, impotentes, à sua evasão para as mãos dos que forem capazes de explorá-las.

A mentalidade que tende a prevalecer entre as nações fortes pela fiança, pela ciência, pela técnica ou pela indústria, é que, nesta altura da marcha da economia do mundo, não se devem tolerar as riquezas improdutivas e indefinidamente no estado potencial, quando tantos povos clamam por elas, para que sejam postas “a serviço do gênero humano”…

Tal doutrina se torna especialmente perigosa quanto às matérias primas para energia atômica, pois apenas quatro ou cinco países as possuem em quantidade capaz de abastecer os demais, que se ligam todos no comum interêsse de se provarem… em detrimento, está claro, dos detentores de urânio ou tório, como si, por exemplo, os que produzem os combustíveis usuais consentissem em exportá-los, sem prover, prèviamente, às exigências da economia interna.

Circunstância que agrava ainda a ameaça latente decorre de não se enquadrarem êsses produtores de matérias primas atômicas entre as nações militarmente fortes e, paradoxalmente, não se insurgirem contra a doutrina esboçada, como nós, isolados, o fizemos.

Como brasileiro e como participante das discussões travadas nesse inquietante terreno, peço venia a Vossas Excelências para solicitar-lhes o apôio no sentido de acautelar-nos contra possíveis concretizações das tendências em marcha.

Estas palavras, Senhores Almirantes, não traduzem nenhum sentimento de jocobinismo que jamais nutri, por absurdo e contraproducente.

Tampouco reflete qualquer animada versão em face da cooperação estrangeira, cujos recursos técnicos e financeiros reputo altamente desejáveis e, em certo casos, mesmo indispensáveis.

Isto, porém, não significa que esperemos a pressão de fóra para nos movermos a cuidar da mobilização do nosso imenso e cobiçado patrimônio natural.

No campo da investigação das possibilidades industriais da energia atômica, acredita-se que, como solução econômica, a produção de energia elétrica em larga escala estará em uso corrente dentro de uma a duas décadas; em meio século, a generalização do aproveitamento da energia nuclear estará consumada. É o que asseveram autoridades da estatura de um Oppenheimer.

Para chegar a êsse resultado, são, realmente necessário largos recursos científicos, técnicos, financeiros e industriais, mas a base física é, obviamente prima.

Mais preciosa que a matéria prima mineral, é a humana; numa e noutra foi servido o bom Deus (que por tantos títulos justifica a ser brasileiro) favorecer o Brasil bem fadado.

É indeclinável dever da atual geração mostrar-se digna de tão alta munificência, e não alheiar-se às realidades do momento histórico que vivemos.

Não venho postular perante o Almirantado a utopia de reivindicar para a nossa Marinha papel semelhante ao que representa, por exemplo, a Marinha norte-americana, que consumiu 42% do total da verba de 625 milhões de dólares, empregada pelo Govêrno federal estadunidense em pesquizas científicas e técnicas, no exercício financeiro de 1947…

Mas aspiro para o nosso País uma posição que o não deixe caudatário de quasi toda a civilização, inclusive de numerosas pequenas nações, que se vão avantajando nas investigações das quais depende o aproveitamento prático da nova e gigantesca fonte de energia, que há de condicionar o prestígio, a grandeza industrial e a fôrças das nacionalidades.

Urge, pois, que o Brasil se inspire no sadio exemplo da Suécia, da Holanda, da Suissa, da Noruega, da Dinamarca, da Espanha – para não falar dos colossais empreendimentos dos Estados Unidos, e no admirável esfôrço da Grã-Bretanha, do Canadá e da Rússia, ou mesmo no da França e até da Alemanha, mau grado a convalescença do terrível colapso militar que a abateu.

Para isso, é inadiável, como primeiro passo, a ampliação do brilhante núcleo de cientistas e técnicos, formados à custa de ingentes sacrifícios, mórmente pelas Universidades de S. Paulo e do Brasil. É urgente enviarmos os nossos professores, técnicos e militares de todas as armas, aos grandes centros de cultura que lhes abrem seus laboratórios, onde irão ampliar e aprimorar os necessários conhecimentos, e tomar parte nas investigações em curso.

Isso não é uma quimera; só depende de amparo dos poderes públicos de nosso país.

Concomitantemente, urge, a bem dos nosso fóros de cultura, dar realidade a uma velha aspiração dos que no Brasil labutam pelo engrandecimento do nosso acervo científico e técnico: um órgão propugnador e coordenador – o Conselho Nacional de Pesquisas, à guisa do que existe na quasi totalidade dos países cultos, e sôbre o qual assenta boa parte das aplicações da ciência, da técnica e da indústria aos problemas da defesa nacional.

A vitória dependerá, sempre em grande parte, das fôrças espirituais, dos fatores imponderáveis que determinar a inquebrantabilidade do caráter e a decisão inabalável de vencer. Mas cada dia depende mais da qualidade e da quantidade do armamento – e êste resume o progresso da técnica e a pujança da indústria – dois indices seguros da grandeza das nações.

Vossas Excelências, Senhores oficiais generais, dispõem das mais altas credenciais e do acesso aos órgãos governamentais e legislativos; o Conselho do Almirantado é, por assim dizer, a própria Marinha em ação, harmoniosa das nações.

Vossas Excelências, em suas (sic) visão patriótica, saberão tomar as providências cabíveis no quadro das elevadas atribuições dêste colendo Conselho.

E, em sua magnânimidade me hão de perdoar o desalinho desta exposição, inspirada no só afan de servir o Brasil.

Senhores membros do Conselho do Almirantado:

Antes de encerrar estas palavras quero abrir o meu coração ante o mais alto sodalício da Marinha, para reafirmar a Vossas Excelências o meu comovido reconhecimento por tamanho galardão, que houveram por bem outorgar ao velho companheiro, que, tendo labutado em vários outros setores da vida nacional, foi sempre, antes  de  tudo, um filho da Marinha, que sempre a amou com tôdas as véras d’alma.

E concedam-me, Vossas Excelências a graça de uma profissão de fé.

Um nobre soldado que se cobriu de louros na campanha do Paraguai, tanto como na ciência, na literatura, na diplomacia e na política, deixou dito nas páginas palpitantes das suas “Reminiscencias” que tinha imenso orgulho de haver pertencido às gloriosas fileiras do Batalhão Tiburcio, acrescentando comovidamente: “Ainda hoje, depois de velho, desvaneço-me mais de ter sido seu ajudante, do que Ministro de Estado’.

Sem pretenção, quer seria estulta, a qualquer paralelo – e, ao contrário, feita a necessária redução, a devida escala, quanto à estatura das personalidades – seja-me permitido, parafrazeando Dionisio Cerqueira, afirmar, perante êste cenáculo, que me desvaneço mais de haver sido o tenente da Marinha que o destino fez testemunha do heroismo espartano de Baptista das Neves – meu padrinho de sangue – do que haver presidido a Comissão de Energia Atômica das Nações Unidas.

A Marinha é como um grande templo em cujas piras arde, perpètuamente, o fogo sagrado ao Amôr Pátrio, e em cujo altar se venera, abençoada por Deus, a imagem do Brasil.

Aos pés dessa imagem deponho a oblata do meu coração”.

 

TRANSCRIÇÃO DO DIÁRIO DO CONGRESSO

 

Página nº 4248

 

1 de agôsto de 1947

“O SR. PRESIDENTE – 1ª. discussão do Projeto nº 12 de 1947 que concede as honras do pôsto de Contra-Almirante ao capitão de mar e guerra Álvaro Alberto da Mota e Silva, em reconhecimento de relevantes  e excepcionais serviços prestados à Marinha do Brasil. (Com pareceres favoráveis das Comissões de Constituição e de Justiça e de Fôrças Armadas, respectivamente, ns. 152 e 153).

O SR. FRANCISCO GALLOTTI – Peço a palavra.

O SR. PRESIDENTE – Tem a palavra o nobre senador.

O SR. FRANCISCO GALLOTTI – (*) Sr. Presidente, Srs. Senadores, entrando em discussão o projeto de minha autoria, que concede as honras do pôsto de Contra-Almirante ao Capitão de mar e guerra Álvaro Alberto da Mota e Silva, quero ter o prazer de oferecer ao Senado alguns dados sôbre a vida dêste ilustre marinheiro, para  constem dos Anais desta Casa. Farei ràpidamente a leitura dêsses dados, que foram coligidos no Ministério da Marinha, na Escola Naval e no Clube de Engenharia.

(Lê):

O capitão de mar e guerra Álvaro Alberto da Mota e Silva, nascido no Rio de Janeiro, a 22 de abril de 1889, matriculou-se na Escola Naval em 1906. Aprovado com distinção em tôdas as matérias  do 1º ano, exceto uma, em que foi plenamente, passou para o 2º ano fazendo a viagem de instrução regulamentar, na qual alcançou a nota máxima em conduta e aproveitamento. Foi classificado em 1º lugar, em sua turma, na ordem de merecimento, mantendo esse lugar em todo o curso.

Com brilho igual fêz o 2º ano, passando para o 3º e fazendo a viagem de instrução regulamentar, com as melhores notas.

Com notas plenas e distintas passou para o 4º ano, promovido a guarda-marinha, sempre em primeiro lugar no ordem de merecimento.

Fez em seguida viagem de instrução no Divisão de Encouraçados. As notas dos seus exames, no 4º ano foram as mais altas, tanto das cadeiras e aulas quanto dos exercícios práticos. Já então fôra louvado por conferências instrutivas feitas a bordo do couraçado Floriano, em viagem. Como aspirante do 3º ano a bordo do Tamandaré, fizera uma conferência, louvado em ordem do dia, sôbre o Oceano e seus habitantes, liberdade dos mares, influência do oceano no desenvolvimento e civilização dos povos.

Pode avaliar-se ainda o mérito do então guarda-marinha Álvaro Alberto, através desta ordem do dia ao Almirante João Justino de Proença, diretor da Escola Naval:

 

“11 de Junho de 1909 – Ordem do dia nº 28.

A comemoração da grande vitória naval de Riachuelo, traz-nos sempre à lembrança a firme convicção de que o passo alcançado pelos nossos camaradas, em 11 de junho de  1865,  foi  a  chave  dos  nossos posteriores triunfos, e de que, sem êle, a marcha dos acontecimentos seria inteiramente diferente, mais claro e mais penoso para as armas brasileiras.

A alma íntegra de Barroso, a alma inabalável de Abreu, a energia patriótica de Greenhalgh, o braço másculo e o peito adamantino de Marcilio Dias, de quem os demais companheiros da esquadrilha foram êmulos, forneceram à nossa história páginas imorredouras e à Marinha Brasileira, exemplos vivos, modêlos inestinguíveis que nós sempre temos seguidos e que vós, – oh! mocidade brasileira, tomareis como o marco do vosso espírito, o final de vossa orientação.

Pôr as vossas energias a serviço da Pátria, lutar até mesmo morrer por ela, é mil vezes preferível a viver, morrendo todos os dias com a lembrança de que fraqueamos quando ela acenava por nós.

Tal foi o procedimento do guarda-marinha Greenhalgh, quando a bordo do Parnaíba, lutando só contra um grupo de inimigos, perdeu a vida na defesa do pavilhão nacional. Seu nome, é hoje, entre nós, bastante expressivo para estimular, se preciso for, as energias da mocidade naval, como edificante foi o exemplo de Barroso, como grande e belo foi o clarão crepuscular, ao pôr do sol daquele dia glorioso.

Para honra daquele feito do bravo guarda-marinha, que tão brilhante e bravamente defendeu a bandeira nacional, foi instituida nesta Escola, uma medalha para ser conferida ao aluno que mais se distinguisse por seus estudos e procedimento.

Êste ano tal recompensa cabe ao distinto guarda-marinha Álvaro Alberto da Mota e Silva e é com bastante prazer que eu convido ao Sr. Contra-Almirante Antonio Alves Câmara, instituidor desta medalha, para com as suas próprias mãos colocá-la no peito do nosso jovem camarada”.

Saindo laureado da Escola Naval, o guarda-marinha Álvaro Alberto no decurso dos anos, sucessivamente e a breve trecho obteve numerosos louvores e prêmios.

Promovido ao pôsto de 2º tenente a 6 de janeiro de 1910, iniciou a bordo do couraçado Deodoro, os seus embarques em navios da esquadra. Em meio daquele ano, a bordo do vapor Carlos Gomes, seguiu para Toulon, passando nêsse pôrto  francês  para  o  navio  escola Benjamin Constatant. Em viagem de instrução nêsse navio, foi a Plymouth, New Castle, Falmouth, S. Miguel, S. Juan, Vera Cruz, Havana, Barbados e Pernambuco, regressando ao Rio de Janeiro foi louvado nominalmente.

Embarcou no couraçado Minas Gerais em novembro de 1910,. Foi tal a sua conduta neste navio, por ocasião da revolta dos marinheiros, que o Ministro da Marinha em Aviso número 1905 de 6 de março de 1911, ao Chefe do Estado Maior da Armada determinou:

“Em nome do Govêrno mandei elogiar, em ordem do dia dessa repartição, a cada um dos oficiais e praças que dedicadamente auxiliaram o restabelecimento da ordem, por ocasião dos tristes sucessos de novembro e dezembro passado.

Nesse número deve ser incluído………………………………………….. Dentre todos, porém, julgo dever destacar alguns cuja conduta especialmente mereceu a atenção do govêrno. É assim que agradece-vos …………………………….. e encarrego-vos de distinguir nominalmente, os seguintes chefes, comandantes, oficiais e praças… O segundo tenente Álvaro Alberto da Mota e Silva, oficial de quarto do E. Minas Gerais, que tombou ferido no seu pôsto, defendendo o princípio da autoridade, na noite de 23 de novembro, pela coragem e sangue frios revelados”.

 

Foi instrutor, ajudante e imediato na Escola Modêlo de Aprendizes Marinheiros do Rio Grande do Norte em 1911. Regressando ao Rio de Janeiro em 1912, embarcou no contratorpedeiro Alagôas, navio em que fez numerosas viagens e exercícios, em divisão e isoladamente, exercendo os encargos um após o outro, de artilharia e navegação, telegrafia sem fio e sinais. Em 1913 fez parte da comissão designada por ordem superior, para determinar os dados táticos dos navios da esquadra, tendo tomado parte em todos os trabalhos daquela comissão. Continuando embarcado no torpedeiro Alagôas em 1913, fez nesse navio sucessivas viagens de exercícios às aguas do sul. A essas viagens sucederam-se outras no decurso do ano de 1914. Ao então Segundo-tenente Álvaro Alberto destinaram-se vários elogios das altas autoridades.

Promovido ao pôsto de Primeiro-tenente a 25 de março de 1914, foi êste oficial mantido no Alagôas até o mês de abril seguinte, quando foi designado para servir na Flotilha do Amazonas. Nessa ocasião foi designado para acompanhar e fiscalizar, por parte do Ministério da Marinha, os trabalhos de uma comissão de hidrógrafos estrangeiros incumbidos pela Booth Line, devidamente autorizada, de levantar os bancos e canais da embocadura oriental, do rio Amazonas, entre Colares e Caité. Cumpriu as ordens recebidas a bordo do rebocador Conqueror (levantamento expedido da Ilhota das Gaivotas, determinação das coordenadas do farolete respectivo e da barca farol, da ponta da Fomana e da Tijuca e de outros pontos, sondagens, etc.). Apresentou relatório de duas cartas da região onde se executaram os trabalhos hidrográficos aludidos. Pela execução de tão afanosos trabalhos, foi o Primeiro-tenente Álvaro Alberto elogiado pelo govêrno, em vista de sua aptidão profissional, pelo zêlo, dedicação e boa vontade “provadas na referida comissão, na qual, além de ser fiscal do govêrno, como era de seu dever, em virtude das instruções recebidas, foi um colaborador eficaz”.

Em 1915, regressou ao Rio de Janeiro, depois de achar-se em constante mobilização naquela Flotilha, ao tempo da primeira guerra mundial, sendo então, mais uma vez, destacadamente elogiado. Embarcou no Cruzador Rio Grande do Sul, em março de 1915.

Quando em serviço no Rio Grande do Norte, o comandante do Segundo-tenente Álvaro Alberto, fazendo público um elogio do govêrno, pela sua compustura nos tristes acontecimentos de 1910, fez a seguinte exortação:

“Aproveito a oportunidade para dizer aos aprendizes marinheiros que só o fato de possuir a Escola um oficial de estatura moral e intelectual do Sr. Segundo-tenente Álvaro Alberto da Mota e Silva, é motivo de ufania, porque êle realiza o ideal do oficial de marinha como estudante foi o primeiro de sua época, em tôdas as matérias do seu curso, e como oficial no princípio de carreira, já demonstrou que lhe podem ser confiados os postos de maior perigo.

É para um ideal assim que devem convertir todos os esforços individuais dos aprendizes – adquirir maior copia de saber e ser bravo dentro da lei até a morte”.

Em agôsto de 1909, o Sr. Chefe do Estado Maior da Armada dirigindo-se ao Sr. Ministro, assim se manifestou:

“Passando às vossas mãos os inclusos ofícios dos Comandantes da Divisão de Couraçados e do Floriano, cobrindo o relatório da última comissão desempenhada por êsse navio e pelo Deodoro, solicito vossa atenção, tanto para o dito relatório como para a conferência, realizada abordo do primeiro dêles, pelo guarda-marinha Álvaro Alberto que expendeu minuciosa e brilhantemente quanto se refere às pólvoras de guerra.

Aqueles comandantes encarecem o valor da conferência e estou de acôrdo, principalmente por ter sido o conferente um jovem oficial, apenas no início da carreira naval, dando a esperança de vir a ser valioso elemento da Marinha Nacional, e por isso solicito-vos seja êle louvado por aquele trabalho. – Pinheiro Guedes, Chefe do Estado Maior”.

Desembarcando do Cruzador Rio Grande do Sul a 15 de abril de 1916, foi nomeado para exercer o cargo de preparador da 3ª cadeira do 2º ano da Escola Naval, passando em conseqüência para o quadro suplementar.

Em 1917, foi destacado para servir em comissão na Diretoria do Armamento, como encarregado de prosseguir os estudos dos explosivos derivados dos sais de guanidina, descoberta do Dr. Álvaro Alberto da Silva, e aplicações militares do explosivo de seu invento, denominado Rupturita.

Em 1919, passou a instrutor da 3ª cadeira do 2º ano da Escola Naval, transferida para Baptista das Neves (Angra dos Reis).

Até 1921, exerceu cumulativamente as funções de instrutor e preparador da 3ª cadeira do 2º ano.

Em seguida voltou a embarcar revertendo ao quadro ativo. Em comissão exerceu instrutoria de Quimica Mineral e Orgânica, especialmente quanto ao estudo de explosivos e metalurgia (junho de 1920).

Por despacho de 30 de setembro do mesmo ano, o Ministro da Marinha mandou que constasse dos assentamentos de Álvaro Alberto, ter êle apresentado o trabalho de sua lavra denominado “Notas sôbre resistência dos meios”, em concurso para membro efetivo da Academia Brasileira de Ciências. O trabalho teve parecer plenamente favorável e foi unânimemente aprovado, sendo o autor eleito membro efetivo do mesmo instituto científico.

O Conselho do Clube de Engenharia, em parecer unânimemente aprovado, achou, relativamente, ao alto explosivo Rupturita, invento do Primeiro-tenente Álvaro Alberto “serem as provas executadas bastante concludentes, comprovando a excelência do explosivo em questão, que realiza os fins a que é destinado, produzindo efeitos idênticos aos dos explosivos Nobel”.

A congregação da Escola Naval, unânimemente, em 1921, aprovou o trabalho do Primeiro-tenente Álvaro Alberto, intitulado, “Racionalizações das equações a n radicais quadrados em têrmos racionais”.

Outro trabalho original do mesmo autor sob o título “Nota sôbre reconcentração dos ácidos residuais dos banhos sulfo-nítricos”, foi unânime e igualmente aprovado por aquela mesma congregação.

A 5 de dezembro de 1921, o Primeiro-tenente Álvaro Alberto foi promovido ao pôsto de Capitão-tenente. Foi sucessivamente lente substituto e catedrático da Escola Naval, onde sua capacidade e cultura têm proporcionado a numerosas turmas de alunos sólidos e indispensáveis conhecimentos.

Possuidor de vastos conhecimentos no domínio da matemática e das ciências físicas, autor de numerosos escritos e memórias de larga circulação entre os técnicos do país e do estrangeiro, o atual capitão de mar e guerra Álvaro Alberto da Mota e Silva conquistou o prêmio Einstein da Academia Brasileira de Ciências, mediante o seu notável trabalho “Do Problema das Pólvoras e sua solução atual”.

Representante do Brasil na Comissão de Energia Atômica das Nações Unidas, com sede em Lake Sucess, N. Y., o ilustre oficial ex-presidente da Academia Brasileira de Ciências e do Terceiro Congresso Sul-americano de Química, tendo estado há pouco no Rio de Janeiro, onde se realizou notáveis conferências, ouvido pelas altas autoridades militares navais e aeronáuticas, além de figuras do nosso meio científico, alcançou ainda o prêmio Revista Marítima Brasileira (publicação do Ministério da Marinha) constituido de medalha e diploma outorgados porque os trabalhos do ilustre oficial foram apreciados “pelo que representando do ponto de vista científico, pelo caráter eminentemente útil que os distingue, tanto como peças de alcance instrutivo tanto quando documentos honrosos à tradição cultural de nossa Marinha de Guerra demonstrada brilhantemente pelo próprio autor nos Estados Unidos da America do Norte, em 1946, na qualidade de delegado do Brasil junto à Comissão  de  Energia  Atômica.  Por outro lado trabalhos de tal natureza, num memorável momento histórico da evolução das ciências, correspondem ao resultado ou são fruto de extensa, intensa e profunda cultura, o que de sobra legitima o galardão, isto é, o prêmio Revista Marítima Brasileira – conforme os têrmos do parecer lavrado pela comissão designada pelo Sr. Ministro da Marinha.

São copiosos e merecidos os elogios feitos ao capitão de mar e guerra Álvaro Alberto da Mota e Silva, em toda a sua carreira de oficial de marinha, elogios coroados por diversas condecorações, entre as quais as medalhas Greenhalgh, Mérito Naval (Comendador), duas Humanitárias, etc.

Eis aí, Sr. Presidente, os dados biográficos do ilustre marinheiro de que trata o projeto que tive a honra de apresentar a esta Casa. Estou certo da sua aprovação, como uma homenagem a êste valoroso soldado e um estímulo aos que devam prosseguir no mesmo caminho de bem servir à Pátria.

(Muito bem; muito bem).

Durante o discurso do Sr. Senador Francisco Gallotti, o Senhor Nereu Ramos, Presidente, passa a presidência ao Sr. Mello Viana, Presidente.

O SR. PRESIDENTE – Continua a discussão.

O SR. ANDRADE RAMOS – Peço a palavra.

O SR. PRESIDENTE – Tem a palavra o nobre senador.

O SR. ANDRADE RAMOS – Senhor Presidente, depois da bela folha de serviços que acabamos de ouvir lêr, julgava dispensado aduzir algumas considerações as que acabam de ser feitas pelo Senador Francisco Gallotti, autor do projeto em discussão; mas muito me parece o homenageado, por velhas relações de estima.

Trata-se com justiça de conceder as honras de Contra-Almirante ao ilustre capitão de mar e guerra Álvaro Alberto. Foi êste distinto professor de Química e antigo oficial da Armada, meu aluno, quando eu lecionava a cadeira Eletro-Técnica. Todos nós o conhecemos como um exato cumpridor de seus deveres, professor criterioso e pesquisador hábil. Em sua especialidade – justamente no estudo da química – tornou-se notável pelas suas  investigações,  particularmente em relação aos explosivos e sus (sic) efeitos. Exerceu diversas comissões científicas sempre com brilho e saber. Membro da Academia de Ciências, foi meu colega na seção de ciências físico-químicas, na qual tivemos oportunidade de apreciar vários de seus trabalhos e pareceres, sendo-lhe concedido o prêmio Einstein, por nós instituídos em 1925, para galardoar os méritos dos estudos notáveis apresentados àquela sociedade científica.

Como vê o plenário, tenho algum conhecimento íntimo e consciente da vida deste professor e digno militar.

É pois com grande alegria de coração que me associo às palavras do nobre Senador Francisco Gallotti, cujo, projeto, concedendo os bordados de Contra-Almirante a êste ilustre brasileiro, representa, nesta hora, merecida e justa recompensa que o Senado toma a iniciativa de conceder a um servidor da Pátria, moço e capaz de muito ainda fazer. (Muito bem; muito bem).

O SR. PRESIDENTE – Continua em debate o Projeto.

Ninguém mais, desejando usar da palavra, declaro encerrada a discussão.

É aprovado o seguinte:

 

PROJETO

Nº 12 – 1947

 

O Congresso Nacional decreta:

ARTIGO ÚNICO – São concedidas as honras do Pôsto de Contra-Almirante ao capitão de mar e guerra Álvaro Alberto da Mota e Silva, como reconhecimento dos relevantes e excepcionais serviços  por êle prestados à Marinha e ao Brasil.

 

——————–

 

CÓPIA

 

Nova York, em 10 de junho de 1948.

 

Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva

Senhor Ministro,

 

É com o maior prazer que me dirijo a Vossa Excelência para assinalar e louvar a corporação dada a esta Delegação pelo  Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, na qualidade de Delegado brasileiro na Comissão de Energia Atômica das Nações Unidas.

  1. Cidadão exemplar, singularmente devotado às causas de nossa terra e à nossa gente, pôs o Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, no exercício das importantes funções que o Govêrno da República lhe confiou, todo o vigor e entusiasmo de sua formação idealista, trabalhando, sem esmorecimento, para favorecer, durante sua estada nos Estados Unidos, a criação de condições asseguradoras do nosso futuro no terreno da energia atômica.
  2. Vossa Excelência por certo não ignora os esforços dêsse instinto oficial para fazer aos centros de estudo e pesquisas dêste país jovens brasileiros, civis e militares, seus contatos com os homens de ciência mais ilustres, suas conferencias em Universidades norte-americanas, sua preocupação pela obtenção de aparêlhagem para os nossos órgãos de ensino, suas informações de natureza científica, política e militar.
  3. A Comissão de Energia Atômica, que por duas vêzes presidiu com maestria, e onde sempre manteve esclarecida vigilância na defesa dos interêsses nacionais, deu o nosso representante a valiosa contribuição do seu grande cabedal científico e da sua habilidade no trato e discussão de delicadas e complexas questões políticas, méritos mais de uma vez pùblicamente reconhecidos por seus pares.
  4. Afigura-se oportuno recordar que ao Delegado brasileiro se deveu a sugestão, em boa hora aprovada pela Comissão de Energia Atômica, no sentido de o referido órgão pôr temporàriamente de lado os debates sôbre os aspectos políticos do problema e passar ao estudo dos aspectos técnicos e científicos, setor em que entendimentos pareciam possíveis, como de fato se verificou, em diversas ocasiões.
  5. Tal decisão, num momento em que os trabalhos da Comissão chegavam a uma fase extremamente crítica, dada a oposição irredutível das correntes em luta, permitiu aquele órgão estender suas atividades por cêrca de mais de um ano, dando ensejo a um sem número de novas oportunidades de harmonização e poupando às Nações Unidas um insucesso cujos efeitos, àquela altura, dificilmente se poderá estimar quais houvessem sido.

A Sua Excelência o Senhor Raul Fernandes.

Ministro de Estado das Relações Exteriores.

  1. Cumpre registrar, porém, e sobretudo, o êxito do representante brasileiro na luta pela afirmação de princípios de ilimitada significação para os nossos interesses nacionais, entre os quais bastará enunciar os seguintes: reconhecimentos das exigências do desenvolvimento econômico das nações fornecedoras de matérias primas, mediante preferência para instalação de potência e concessão de quota de energia proveniente de material atômico próprio; beneficiamento e tratamento primário dos minérios, a serem exportados por conta do Órgão Internacional de Controle, no próprio país fornecedor; trabalhos de prospecção pelos órgãos técnicos nacionais, ou por êle acompanhados; possível disposição, pelo país produtor, dos elementos não “cindíveis” (fissibles).
  2. Juntem-se a isso a adoção do princípio de que a posse das minas ou dos minérios ainda no solo não será obrigatória por parte do Órgão Internacional de Contrôle e os entendimentos para que seja assegurada ao Brasil um lugar de membro permanente naquele organismo e ter-se-á em suas linhas gerais, o quadro da atuação do Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva na Comissão de Energia Atômica, do qual deriva, para nós brasileiros, a certesa de que se acham definitivamente assentadas as diretrizes da nossa política e aplanado o caminho de quaisquer futuras reivindicações que consideremos efetuar no terreno do contrôle internacional da energia atômica.
  3. Recapitulando êsses fatos, Senhor Ministro, muito agradeceria a Vossa Excelência determinar seja transmitida cópia do presente ofício ao Senhor Ministro da Marinha, afim de se deixarem expressos, perante aquele titular, o reconhecimento desta Delegação pelos serviços que lhe foram prestados, e ao Brasil, pelo Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, e a admiração e estima de cada um dos que aqui servem pelo colega e amigo que ora regressa ao Brasil.

Aproveito a oportunidade para renovar a Vossa Excelência os protestos da minha respeitosa consideração.

(a.) João Carlos Muniz

Chefe da Delegação

 

CONFERE                                                 CONFORME:

(a.) Wanda de Mayrink,                                  (a.) Egberto Silva Mafra

Auxiliar                                                            3º Secretário

 

Êste trabalho foi publicado na Revista Marítima Brasileira, de Julho, Agôsto e Setembro de 1948.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.