Queimadas aumentam 96% em Mato Grosso

O ditado popular que diz “onde há fumaça há fogo”, infelizmente, pode ser perfeitamente aplicado em Mato Grosso.

 

O estado registrou 11.969 focos de calor entre o dia primeiro de janeiro e 31 de agosto deste ano. Um aumento de 96% se comparado ao mesmo período do ano passado, quando o total detectado ficou em 6.097 focos, segundo o satélite AGUA, usado como referência pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE nesse monitoramento.

 

Três municípios contabilizam mais de 500 focos nos oito primeiros meses deste ano. Feliz Natal aparece no topo da lista, com 584 focos, seguido por Colniza e Paranatinga, ambos com 558.

 

Outros quatro municípios tiveram mais de 400 focos registrados durante o período:

 

  • Gaúcha do Norte  – 468
  • Campinápolis  – 455
  • Tangará da Serra  – 420
  • Nova Maringá  – 403

 

Em relação ao ranking nacional, Mato Grosso ocupa a segunda posição, ficando atrás apenas do Maranhão, que registrou 15.662 focos de calor entre janeiro e agosto deste ano. Em terceiro lugar está o Pará, com 8.363 registros.

 

Os números colocam Mato Grosso em alerta, pois apenas durante o mês de agosto foram registrados 6.195 focos de calor. Além disso, apenas nos primeiros cinco dias do mês de setembro, o estado já registra 1.451 novos focos.

 

Algo que chama a atenção é o fato que a maior parte das queimadas acontece durante o período em que essa prática é proíbida no estado, sendo considerado crítico por conta da seca.

 

Uma análise por tipologia fundiária realizada pelo ICV apontou que a maior parte dos focos registrados ocorreu em áreas rurais não cadastradas no Sistema Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental – SIMLAM, totalizando 4.304 ocorrências, seguido por áreas rurais cadastradas no SIMLAM, com 3.729 focos.

 

Os registros mostram ainda 2.779 focos em Terras Indígenas, 1.013 em assentamentos rurais e 137 em Unidades de Conservação.

Para Laurent Micol, coordenador executivo do Instituto Centro de Vida  – ICV, o problema das queimadas em Mato Grosso é crônico e exige medidas mais contundentes por parte do governo para ser resolvido.

 

“O fogo é um fenômeno cíclico e para combatê-lo é preciso um trabalho de prevenção, monitoramento e, principalmente, responsabilização. Se olharmos a lista dos municípios que mais queimam percebemos que há pouca mudança de um ano para outro.”

 

“A atuação tem que focar nessas regiões, onde a punição efetiva terá um importante efeito didático”, disse.

 

De  acordo com o coordenador, a responsabilização pelas queimadas ilegais é fundamental, pois, como os dados demonstram, a maioria acontece durante o período proibitivo.

 

“A multa é apenas o primeiro passo. É preciso fazer com que ela seja efetivada e, para isso, é preciso fortalecer a capacidade de gerar provas sobre a autoria das queimadas.

 

Existem possibilidades e propostas concretas para isso, como a criação de um corpo de perícia, por exemplo.”, explica Micol.

 

O decreto estadual proibindo as queimadas em Mato Grosso teve início em 15 julho e vai até 15 de setembro, podendo ser prorrogado.

 

Matéria de Daniela Torezzan / ICV

 

EcoDebate, 06/09/2012

 

 

 

 

 

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