QUANDO ANGRA 3 SERÁ CONCLUÍDA?

QUANDO ANGRA 3 SERÁ CONCLUÍDA.

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Desde meados de 2015, a empresa Andrade Gutierrez parou a obra civil de Angra 3 e demitiu milhares de trabalhadores por não receber o dinheiro do contrato com a Eletronuclear, que por sua vez,  não recebeu os repasses do governo para honrar os seus compromissos. Outras empresas do consórcio, por razões diversas e também em função da Operação Lava Jato deixaram o canteiro de obras.

Fala-se em negociações com grupos estrangeiros, mas não há nenhuma transparência nestas tratativas e nós contribuintes, ficamos sem saber quando se encontrará uma solução para este grave problema de paralisação das obras de Angra 3, prevista para entrar em operação em 2018 – fato este já inviabilizado pelos atrasos constatados.

Negociações não transparentes com grupos estrangeiros soam muito estranho, até porque a participação de capital estrangeiro, que em princípio seria bem vinda, requer uma revisão do atual modelo institucional do setor, não só para viabilizar Angra 3, mas também para encaminhar a inclusão de novos projetos nucleoelétricos na nossa matriz energética.

O próprio planejamento do setor elétrico já é bastante ambíguo em relação ao futuro de novas centrais nucleoelétricas, mesmo porque os documentos oficiais de planejamento decenal do setor elétrico estão totalmente defasados com atrasos nas suas atualizações necessárias, pois as premissas econômicas assumidas nesse planejamento estão erradas, em face da crise econômica que assola o Brasil.

Assim sendo, é bom recordar Angra 2, como o bom exemplo a ser seguido. Quando Fernando Henrique autorizou a continuidade da obra estávamos preparados para retomar e concluir no prazo previsto a obra, tal como foi feito. Havia uma competência gerencial na Eletrobrás e na Eletronuclear capaz de responder ao desafio e um apoio político-institucional no MME, então sob gestão profissional, do qual participamos com orgulho, apoiando dirigentes que cabem serem citados por questão de justiça, como Antonio Imbassahy, Ronaldo Fabrício e Evaldo Césari Oliveira – dirigentes do setor elétrico com experiência e compromisso com o setor nucleoelétrico, que hoje fazem muita falta.

Bem, o passado não volta, mas as lições devem ser aprendidas e neste momento em que um governo de emergência, citando FHC, está para se instalar em Brasília, é o momento de formularmos uma proposta clara para retomar as obra de Angra 3, como elemento de retomada do crescimento econômico e geração de emprego e renda na região de Angra dos Reis que sofre grave crise de desemprego em função da desmobilização de estaleiros e queda na atividade de turismo.

Iremos levar estas ideias para o novo governo, principalmente apontar uma equação econômica e financeira capaz de gerar um fluxo sustentável de recursos para a conclusão da obra de Angra 3, de forma transparente, para não sermos apanhados em caminhos duvidosos.

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