Quando a não-humanidade fala com a gente

Na segunda semana de dezembro de 2015, entre os dias 7 e 8, Paris sediou a COP21, a 21ª Conferência do Clima, que teve,  dentre outras discussões socioambientais,  o objetivo de estabelecer um novo acordo entre os países para a diminuição de Gases do Efeito Estufa – GEEs.

 

Para a ocasião, uma gorila deixou uma mensagem para a humanidade. Sim, isso mesmo, uma gorila! Estou me referindo à Koko, uma gorila que consegue se comunicar com humanos por meio da língua de sinais americana – ASL.

 

Projeto Koko: único estudo de comunicação interespécies com gorilas

 

Acompanho a Koko desde o tempo da faculdade, pois ela reúne uma conjunto de coisas pelas quais me interesso: animais, língua de sinais e comunicação interespécies. Embora seja a única gorila, Koko é apenas uma entre outros experimentos linguísticos realizados com grandes símios a partir da década de 1960 nos Estados Unidos.

 

Esses experimentos consistiram o trabalho de desenvolvimento de aquisição da ASL por parte de chimpanzés, com intuito de estudar até que medida um animal não-humano é capaz de fazer uso de um tipo de linguagem percebida até então apenas em humanos, as línguas.

 

As línguas de sinais, que tiveram seu reconhecimento linguístico como línguas naturais na mesma época, por serem línguas de modalidade espaço-visual, foram selecionadas como o tipo de língua mais apropriado a ser ensinado a um animal que não possui o aparato fonológico comum em humanos, mas as mesmas habilidades manuais.

 

Nascida em 1971, em São Francisco, na Califórnia, Koko se destaca entre os chimpanzés que também foram aculturados assim como ela. Treinada pela psicóloga estadunidense Francine Petterson e outros cientistas da Universidade de Stanford, a gorila já manifestou, ao longo de sua vida, o desejo de adotar gatos, Koko adora gatos!, foi capaz de batizá-los e de lamentar suas mortes.

 

Não tenho conhecimento de até que ponto Koko se manifesta livremente com o conjunto de sinais da ASL que domina e até que ponto ela é influenciada a formar determinadas frases. O fato é que a gorila representa um elo bastante raro de comunicação entre humanos e não-humanos por meio de uma língua genuinamente humana.

 

Quando Koko é convocada a ser embaixadora da voz da natureza, seu comentário está focado no que ela simboliza e no que nós simbolizamos.

 

Não quero associar essa publicação àquelas ingênuas afirmações de que os animais são seres puros que sabem melhor do que nós, humanos, como cuidar do planeta, mas preciso admitir: Koko nos força a pensar o lugar que ocupamos neste mundo.

 

Independentemente de presença ou ausência de um roteiro, a sensibilização, uma condição necessária para a educação ambiental, é forte no comentário da gorila.

 

A mensagem de Koko é simples, curta, mas clara. Em meio a carência de consciência em que vivemos, o direcionamento de um olhar para nós mesmos é feito por um ser não-humano. Um momento épico que definitivamente precisa ser compartilhado e comentado.

Abaixo, assista ao vídeo original ou à versão legendada em português.

 

http://essetalmeioambiente.com/

 

 

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