Projetos de recuperação de áreas degradadas.

Projetos de recuperação de áreas degradadas.
Fonte: EcoDebate

Os motivos mais frequentes e mais relevantes para recuperar áreas são o desmatamento e as diversas formas de erosão. Mais recentemente ocorrem diversas ocorrências de depósitos irregulares de resíduos sólidos que são objeto de biorremediação ou mesmo remoção para valas de aterros sanitários adequados e reurbanização dos terrenos.

Em função da própria natureza da degradação é que são feitos os levantamentos para recuperação. A degradação física dos terrenos por erosão ou escavação indevida e a própria disposição inadequada de resíduos sólidos, na prática, acabam gerando antes de tudo o desmatamento das áreas. Por isso falar em recuperar áreas pode ter biorremediação, obras físicas, mas fundamentalmente é revegetação. E posterior reurbanização se for o caso.

Inicialmente se avalia os remanescentes florestais existentes na área, seja de natureza florestal ou resultante de ajardinamento humano. Após é feito um levantamento das condições ambientais e possíveis causas da degradação. Não adianta recuperar uma área e as condições de degradação permanecerem.

De acordo com as características do local e com os objetivos específicos do caso concreto a recuperar, é escolhido o modelo de recuperação que vai ser aplicado: plantio em linhas, sistemas alternados, sistemas agroflorestais, etc.

A escolha das espécies na formulação de projeto considera as espécies presentes na vegetação original, seja natural, seja antrópica, considera também o modelo de reflorestamento escolhido e as características locais do ambiente, se é constituído por mata ciliar ou área sujeita a ocorrência de alagamentos e informações desta natureza.

Num primeiro momento são utilizadas espécies vegetais ditas pioneiras, que tem por características a facilidade de propagação, a facilidade de produção de sementes, rapidez de crescimento e boa capacidade de fornecimento de matéria orgânica para reconstituição da capacidade de germinação dos solos.

As espécies pioneiras podem ser plantadas através de mudas ou por sementes diretamente no campo, com o uso de hidrossemeaduras ou técnicas análogas. Em terreno previamente preparado, é possível utilizar lançamento simples, hídrico ou em ponta de facão.

Posteriormente virão as espécies secundárias iniciais ou tardias e as espécies de clímax. É interessante a implantação de viveiro para produção de mudas destes tipos, pois o local degradado geralmente é hostil para a produção de sementes e portanto a consecução dos objetivos gerais da recuperação.

Os tipos de plantio alternam várias técnicas. No chamado modelo I existe a simples instalação alternando espécies pioneiras com não pioneiras. Neste modelo, enquanto as pioneiras não crescem ocorre a infiltração de excesso de luz, prejudicando momentaneamente espécies secundárias e cllimácicas. O problema é minorado com o atraso no plantio deste último tipo de espécie vegetal.

No modelo II, o plantio alternado de pioneiras e não pioneiras é regulado por alternância entre as linhas paralelas, dificultando a penetração de excesso de luminosidade.

No chamado modelo III são alternadas pioneiras de copa mais densa e pioneiras de copa mais rala, mas também é feita alternância entre pioneiras e os demais tipos. Neste modelo importa saber quais os tipos de espécies secundária mais afetadas ou não pela luminosidade. O plantio é planejado para a implantação de microclimas favorável para todo tipo de espécie vegetal. Quando bem implementado alcança melhores resultados do que os modelos anteriores, mas exige maior conhecimento das espécies e planejamento mais detalhado.

O melhor método no entanto é a utillização de sistemas agroflorestais (SAFs) que exige conhecimento de todos os elementos do sistema ecológico local para que se possam estabelecer todas as interações e planejar uma recuperação integrada de flora e fauna, reestabelecendo toda a biodiversidade dos seres vivos que habitavam a área. Somente com esta concepção a área seria realmente recuperada com o reestabelecimento pleno da vida.

Em termos físicos são construídos terraços em taludes, banquetas verdes ou canaletas para melhorar o escoamento de água e a drenagem geral da área.

Terraços são “escadarias” construídas sobre taludes naturais ou de escavação, nos quais são operadas as atividades de reflorestamento.

Banquetas verdes são bancos de pedras colocados em curva de nível no terreno para reduzir as quantidades de partículas arrastadas pela ação erosiva da água e que servem também para retenção de umidade nos terrenos subjacentes.

Por fim, canaletas são canais abertos no terreno com a finalidade de diminuir a velocidade das águas e restringir o dano da ação erosiva das enxurradas. São executadas em terrenos que tenham declividade.

No caso de resíduos sólidos, a recuperação pode se dar pela construção de um aterro sanitário adequado, e remoção para o interior deste aterro sanitário dos materiais irregularmente dispostos ou pelo uso de técnicas de biorremediação que são cada vez maiores e mais intensas tanto no exterior como no Brasil também.

Dr. Roberto Naime, colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

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