Projeto leva técnicas para aumentar produtividade da mandioca a comunidades do AM

 

 

mandioca

 

Com a adoção de técnicas simples, utilizando a mesma área e sem grandes investimentos, o agricultor do Amazonas pode aumentar a produção de mandioca, reduzir custos de produção e aumentar seu lucro. É o que apresenta o projeto Manareiro, coordenado pela Embrapa Amazônia Ocidental, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em Manaus – AM.

 

Dentre diversas ações, o projeto busca capacitar produtores com recomendações técnicas e tecnologias para o cultivo e incremento da produtividade da cultura da mandioca.

 

Uma das alternativas apresentadas pelo projeto como sugestão aos agricultores é a tecnologia chamada de Trio da Produtividade, que pode dobrar a produtividade da cultura  e consiste na seleção de manivas-sementes e corte em ângulo de 90o, adequação do espaçamento de plantio conforme arquitetura da planta e controle de plantas daninhas nos primeiros 150 dias pós-plantio.

 

Essa tecnologia foi lançada pela Embrapa Amazônia Oriental – Belém/PA  e vem sendo adotada em diversos municípios paraenses, ajudando a incrementar a produção de mandioca naquele estado, que há alguns anos é o maior produtor de mandioca do País.

 

Conforme o engenheiro agrônomo da Embrapa, Raimundo Rocha, coordenador do projeto, aliado ao Trio da Produtividade, se o produtor realizar a correção da acidez do solo por meio de calagem e seguir as recomendações para adubação fosfatada no plantio e de cobertura aos 45 e 90 dias com nitrogênio e potássio, a produtividade, em vez de duplicada, poderá ser triplicada. Ele informa que esse incremento na produtividade, além de amortizar 100% do custo da fertilização, proporciona uma receita líquida significativa, quando comparada ao sistema de cultivo tradicional sem o uso dessas tecnologias.

 

“Esses métodos baseiam-se, principalmente, na mudança de procedimentos de cultivo e podem alavancar a produção de mandioca no interior do Amazonas, aumentar a disponibilidade de produtos e subprodutos da mandioca no mercado e melhorar a qualidade de vida das famílias agricultoras”, afirma Rocha.

 

Região do Janauacá

 

A região do Janauacá, no município de Manaquiri – AM, é uma das localidades onde foi implantada uma Unidade de Observação – UO  para socializar estas práticas, já conhecidas em outras regiões, mas ainda pouco utilizadas em alguns locais do Amazonas, onde o sistema predominante de cultivo da mandioca se baseia no processo rudimentar de derruba e queima.

 

“Hoje os produtores do Janauacá, por exemplo, estão obtendo uma produtividade média de 6,4 toneladas de raízes de mandioca por hectare. Esta é a mesma realidade de muitos agricultores no Amazonas”, informa Rocha. No sistema de produção apresentado pela Embrapa, a perspectiva é obter produtividade superior a 25 t/ha, ou seja, quatro vezes mais que a atual no Janauacá.

 

“É claro que essa diferença de produtividade também se reflete nos lucros do agricultor, ainda mais agora que o cenário está indicando uma queda nos preços dos derivados da mandioca. Vale lembrar que em 2013, a farinha de mandioca teve um aumento de 500% em seu valor no Amazonas e 151% no país”, observa Rocha. Um dos motivos da elevação do preço da farinha no ano passado chama a atenção: a diminuição da oferta de mandioca, principalmente pela redução da área plantada em diversas regiões do País.

 

Métodos demonstrados

 

Uma das principais etapas para garantir o maior potencial de produção da mandioca é a seleção das manivas-sementes, que são hastes da planta utilizadas para o plantio. A maniva deve ter qualidade, ser madura, sadia e sem ferimentos. Também deve ser cortada corretamente, ter de 1,5 cm a 3 cm de diâmetro e tamanho de, aproximadamente, 20 cm, com cinco ou seis gemas. O cuidado na seleção da maniva já pode garantir um aumento entre 30% e 50% da produtividade.

 

Outra ação simples e que garante bons resultados é o espaçamento entre plantas e o plantio em linha. No Janauacá, a forma de plantio permite que os agricultores consigam colocar apenas sete mil plantas por hectare, sem contar que quase a metade se perde devido às manivas não selecionadas. Plantando com o espaçamento mais comum, que é de 1,0 x 1,0 m, é possível colocar 10 mil plantas por hectare.

 

Além de permitir o aumento do número de plantas por hectare, o espaçamento adequado repercute na diminuição de um custo importante para o produtor: “com o espaçamento certo, o gasto com o controle de plantas daninhas pode cair pela metade, ou seja, o produtor começa a utilizar a planta em seu benefício”, destacou Rocha. A seleção da maniva e o espaçamento apropriado são métodos que o agricultor pode fazer sem gastar a mais. “É preciso aproveitar melhor os insumos destes agricultores, que são a mão de obra e a maniva”, completou.

 

“No Janauacá, há cerca de 60 agricultores que produzem mandioca. Eles já têm a maniva, então é só orientar como se faz uma boa seleção”, destacou Rocha.

 

O sistema implantado na Unidade de Observação também apresenta a calagem, que é a correção da acidez do solo com calcário,  e a adubação como boas alternativas para o produtor de mandioca. A calagem e adubação têm custo, mas, em contrapartida, oferecem um incremento importante na produtividade da cultura.

 

Números

 

As Unidades de Observação implantadas pelo projeto Manareiro cumprem o importante papel de ser a comprovação da capacidade produtiva do sistema. Aliados à demonstração estão os números. Para que os produtores de mandioca das comunidades que participam do projeto Manareiro tenham conhecimento sobre a lucratividade que as técnicas e tecnologias podem gerar, Rocha usou a matemática e colocou tudo na ponta do lápis. De certa forma, a proposta também é incentivar os produtores para o uso de ferramentas administrativas na gestão financeira da atividade agrícola.

 

Tomando como exemplo uma propriedade do Janauacá, com o método utilizado atualmente pelos produtores, são gastos R$ 7.280,00/ha para implantação do plantio, colheita, transporte e beneficiamento da mandioca. Os custos referem-se exclusivamente à mão e obra: 182 diárias de R$ 40,00, em média, e envolvem serviços diversos. Em algumas das atividades, a mão de obra é familiar e em outras é terceirizada, dependendo de cada agricultor. Para contabilizar os custos de produção, no entanto, tanto a mão de obra familiar como a terceirizada devem ser calculadas.

 

Com a produção de 6,4 toneladas, é possível beneficiar duas toneladas de farinha, o que gera uma receita bruta de R$ 4 mil. Se o rendimento bruto da produção for excetuado do custo total, que é R$ 7.280,00, a receita líquida do produtor seria negativa, com um prejuízo de R$ 3.280,00. Boa parte desse valor não sai do bolso do agricultor, já que é a sua própria mão de obra. “De toda forma, o agricultor precisa entender que a mão de obra, mesmo sendo familiar, é um custo, e deve entrar na conta, e nessa conta o produtor está tendo déficit”, destacou Rocha.

 

Por outro lado, o sistema de produção de mandioca apresentado pela Embrapa custa R$ 5.490,00, contabilizado também em mão de obra e com o acréscimo R$ 1.650,00 de gastos com adubação e calcário. A receita bruta, com a produção de 25 toneladas, é de R$ 12,5 mil. Excetuando-se os custos de produção, sobra para o agricultor R$ 7.010,00. Além de uma produção quatro vezes maior, outros fatores influenciam o lucro maior nesse sistema, como a redução dos custos devido a técnicas que diminuem a necessidade de mão de obra.

 

Manareiro

 

O Manareiro – Estratégia de multiplicação rápida de variedades superiores de mandioca para o aumento da produção de farinha e fécula no Estado do Amazonas – é um projeto desenvolvido pela Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus/AM) nos municípios amazonenses de Manaquiri e Careiro Castanho.

 

O projeto tem como objetivo incrementar a produção de farinha e fécula no Estado do Amazonas por meio da disponibilização de manivas-sementes de cultivares de mandioca com alto teor de amido. Os recursos para o projeto são financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM.

 

Colaboração de Felipe Rosa e Síglia Souza, Embrapa Amazônia Ocidental

EcoDebate, 17/09/2014

 

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