Projeto cria política nacional de produção e consumo sustentáveis

A Câmara analisa o Projeto de Lei 3899/12, da deputada Jandira Feghali – PCdoB/RJ, que institui a Política Nacional de Estímulo à Produção e ao Consumo Sustentáveis.

 

O objetivo é criar incentivos para a adoção de práticas de consumo e produção ecológica e economicamente sustentáveis.

 

Segundo a proposta, as regras serão articuladas com:

 

  • Política Nacional de Recursos Hídricos – Lei 9.433/97
  • Política Nacional sobre Mudança do Clima – Lei 12.187/09
  • Política Nacional de Resíduos Sólidos  – Lei 12.305/10.

 

O projeto lista uma série de conceitos, princípios, diretrizes, instrumentos e objetivos. Entre esses últimos estão:

 

  • Proteger a saúde pública e preservar e melhorar a qualidade ambiental;

 

  • Criar mecanismos de fomento à produção e ao consumo sustentáveis;

 

  • Estimular os consumidores a escolher produtos que sejam produzidos com base em processos ecologicamente sustentáveis;

 

  • Promover a redução do acúmulo de resíduos sólidos, por meio da implantação da logística reversa;

 

  • Incentivar a indústria da reciclagem e o uso de matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados;

 

  • Dar prioridade, nas aquisições e contratações governamentais, a produtos reciclados e recicláveis;

 

  • E a bens, serviços e obras que considerem critérios compatíveis com padrões de consumo social e ambientalmente sustentáveis.

 

Selo Para estabelecer os instrumentos necessários à implementação da política, a proposta cria o Selo Nacional de Produção e Consumo Sustentáveis.

 

O selo servirá para estimular práticas de produção e consumo sustentáveis e desestimular o consumo de bens e serviços que não atendam aos princípios da sustentabilidade ambiental e da equidade social.

 

“A Política Nacional de Estímulo à Produção e ao Consumo Sustentáveis não apenas complementa o esforço do Poder Executivo, mas também cria instrumentos relevantes para que os objetivos do desenvolvimento sustentável sejam alcançados rapidamente”, afirma a deputada.

 

O texto estabelece diversos critérios para a concessão do selo, como a possibilidade de reciclagem, reutilização e retorno dos bens produzidos e a existência do sistema de logística reversa.

 

O selo deverá ser concedido por instituição credenciada pelo órgão federal competente do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro), conforme critérios estabelecidos conjuntamente pelos seus órgãos consultivos.

 

Segundo o projeto, o selo será concedido por tempo determinado, podendo ser prorrogado a critério da entidade credenciadora.

 

Além do selo, o texto prevê outros instrumentos para a implementação da política: incentivos fiscais, financeiros e creditícios; pagamento por serviços ambientais; e investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

 

Incentivo

 

De acordo com o Projeto, até o dia 31 de dezembro de 2016, a indústria que obtiver o selo de produção sustentável, e que o mantenha durante todo o período de apuração, poderá receber desconto de 10% do Imposto de Renda correspondente à parcela do lucro proporcional ao faturamento obtido com a venda dos produtos classificados com o selo de produção e consumo sustentáveis, em relação ao faturamento total. Esse benefício terá que ser regulamentado por lei específica.

 

“A fim de atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável, é necessário eficiência na produção e mudanças nos padrões de consumo, com prioridade ao uso ótimo dos recursos e à redução do desperdício”, acrescenta Jandira Feghali.

 

Reciclagem Também poderá receber benefícios a pessoa jurídica que exercer, de maneira preponderante, a atividade de reciclagem de resíduos sólidos ou atividades relacionadas às suas etapas preparatórias.

 

Nesse caso, a empresa poderá receber os seguintes benefícios:

 

  • Redução a zero das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados, previstas na Tabela de Incidência do IPI – TIPI,

 

  • Incidente sobre a aquisição ou importação de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, assim como acessórios sobressalentes e ferramentas que os acompanhem, destinados à reciclagem de resíduos sólidos e ao seu aproveitamento como fonte geradora de energia;

 

  • Crédito presumido do IPI, calculado pela aplicação, sobre o valor do imposto devido, de coeficiente proporcional ao grau de utilização de matéria-prima reciclada em cada produto.

 

Há punições às empresas que deixarem de fazer jus aos benefícios. Já a falsificação ou adulteração do selo deverão ser punidas com detenção de até seis meses e multa.

 

Tramitação O projeto será votado por uma comissão especial e pelo Plenário.

 

Íntegra da proposta: PL-3899/2012

 

Reportagem – Rodrigo Bittar Edição – Pierre Triboli

 

Matéria da Agência Câmara de Notícias

 

Publicada pelo EcoDebate, 27/09/2012

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