Primavera Brasileira!

Primavera Brasileira!

brasil

É setembro, o mês no qual se inicia a primavera. Este símbolo temporal e climático foi o ícone dos movimentos de transformação no mundo árabe, iniciados na Tunísia passando pelo Egito, Líbia chegando á Síria, onde os conflitos levaram a uma verdadeira tragédia humana. Tudo começou na Tunísia, quando um jovem teve sua banca de frutas e legumes confiscada pela polícia e ateou fogo em seu próprio corpo em protesto às condições de vida a que era submetido.

Verdade é que os movimentos e as mudanças nos regimes autoritários promovidos pela Primavera Árabe ainda não chegaram a uma configuração definitiva, pois movimentos político-sociais tem a característica da incerteza que exige um tempo de maturação e consolidação. Mas há uma certeza em todos estes movimentos – busca-se o fim de regimes autoritários, a consolidação da democracia e da participação popular.

No Brasil, esperamos que não seja necessário que alguém ateie fogo a si próprio. As grande mobilizações de 2013 e todas as outras que se seguiram são indicadores de que o povo brasileiro exige transformações, não somente na superfície do sistema, mas no seu conteúdo e nas expressões concretas do nosso sistema político, que claramente chegou aos seus limites de esgotamento. As expressões “Fora Dilma” e “Fora Temer”, nada mais são que repúdios ao sistema político-social vigente que representam a necessidade absoluta de reforma deste sistema, que ganha neste setembro a estética da Primavera Brasileira.

A queda do Lulopetismo, que na verdade deveria ser Lulopetismo-Pmdetismo, representa o virtual fim do Presidencialismo de Coalizão, sistema este que consegui abrigar os interesses díspares, tanto da burguesia conservadora, quanto da vanguarda reformista – o resultado disto tudo foi o aparelhamento do Estado Brasileiro em nome de interesses pessoais, de corporações e de grandes grupos empresariais, que usurparam a missão precípua do Estado de defender e promover os interesses da sociedade e a tornaram instrumento de defesa e promoção de seus próprios interesses.

O resultado esta aí aos nosso olhos – só não enxergam aqueles que não querem ver – o Estado Falido, sugado em suas potencialidades por um verdadeiro assalto aos recursos públicos pela via da corrupção, expressos nos casos do Mensalão e do Petrolão, além do desvirtuamento dos deveres do Estado a favor de projetos políticos de poder.

O presidencialismo de coalizão é a fonte de todos os males, desde Sarney, e serviu para atender o apetite da oligarquia dominante, paradoxalmente, em aliança com forças ditas progressistas.

O movimento de 2013 é exatamente isto – uma demonstração cabal da nossa sociedade contra o status quo – uma tomada de posição contra o sistema político partidário e seus desdobramento em termos de aparelhamento do estado e da corrupção sistêmica.

Ali se iniciou a Primavera Brasileira de 2016 propiciada pelo desfecho do impeachment da Ex-Presidente Dilma, que cai não por seus deméritos próprios, mas sim pelos deméritos do sistema que representou e que precisa ser inexoravelmente transmutado, para um outro, capaz de incorporar o povo no processo decisório, romper com os favorecimentos de grupos, priorizar a resgate social e desenvolver um projeto nacional.

Portanto, repetir o mantra de “fora A ou fora B” é um grande equívoco, pois se calca nas meras disputas de poder do falido presidencialismo de coalizão e repete mantras impostos por grupos de poder que se utilizam da ignorância e desinformação para se alternar no poder com os mesmos objetivos – colocar o Estado e a sociedade submetidos aos seus interesses.

Por isto, a Primavera Brasileira terá que ser diferente – terá que ser um movimento amplo da sociedade por uma reforma radical do nosso sistema político, com bases na ampliação da participação popular, implantação de fortes mecanismos de controle do poder dos governantes e baseado no Estado Democrático de Direito, com o fim das benesses dos políticos e das corporações favorecidas pelo sistema atual – acima de tudo a reforma ética incorporada ao processo com o consequente fim da corrupção.

A pergunta que não se cala é como esta verdadeira revolução se dará, pois neste momento, trocamos seis pro meia dúzia. O que fará com que as forças políticas organizada em partidos falidos promovam as grandes transformações necessárias?

Só ha uma resposta para esta questão: a mobilização e atuação da sociedade organizada e não organizada pressionando direta e indiretamente os agentes políticos.

A Primavera Brasileira só será transformadora se for uma continuidade de 2013, movimento retomado e revigorado como instrumento de superação da profunda crise econômica, política e ética a que fomos levados pela irresponsabilidade e incompetência da classe política, dentro da lógica do presidencialismo de coalizão.

Somente o medo das vozes roucas das ruas será capaz de mover os sistema rumo a um novo modelo que represente de fato o Povo Brasileiro. Sem um Projeto Brasil, inspirando as massas na luta pelas reformas fundamentais, só restará o caos.

Nosso desejo é que a nossa primavera não transforme o Brasil numa nova Síria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.