Pesquisadores da UENF apresentam o ‘carvocapim’, carvão vegetal produzido a partir do capim-elefante

Carvão obtido de capim-elefante pode ser alternativa energética para a indústria cerâmica local.

Pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) apresentaram ontem (21), o carvocapim – carvão vegetal produzido a partir de uma variedade de capim muito utilizado na alimentação de bovinos: o capim-elefante.

Eles fizeram uma demonstração prática de todo o processo de produção do carvocapim – coleta do capim-elefante no campo, moagem, carvoejamento da biomassa e briquetagem – na área de pesquisa da UENF no Colégio Agrícola.

Financiadas pela Faperj e pelo CNPq, as pesquisas que deram origem ao carvocapim reúnem dois professores do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA) – Hernan Maldonado Vásquez e José Fernando Coelho da Silva – e dois outros do Centro de Ciência e Tecnologia (CCT) – Carlos Maurício Fontes Vieira e Marcelo Silva Sthel -, além do doutorando em Ciência Animal Lucival de Souza Júnior.

Além de constituir uma fonte energética alternativa contínua e sustentável – contribuindo para evitar o desmatamento das florestas (pois o carvão vegetal tradicional é obtido a partir da lenha) -, o carvocapim apresenta um maior poder calorífico, devido à sua maior densidade. Outra vantagem é o formato uniforme, que facilita a logística de transporte.

Mas o maior diferencial competitivo do carvocapim está no campo. Enquanto a produção de carvão de eucalipto precisa esperar no mínimo cinco anos para o corte definitivo da planta, o capim-elefante permite duas colheitas por ano e tem uma vida produtiva em torno de 10 anos.

É possível produzir cerca de 35 toneladas de matéria seca de capim-elefante por hectare.
– O manejo é muito mais simples que o do eucalipto. E o plantio é semelhante ao da cana-de-açúcar.
Em 150 dias, a planta desenvolve 3 metros de altura e 2 cm de diâmetro – explica o agrônomo Lucival de Souza Júnior, cuja tese de doutorado é sobre o carvocapim.

O processo de carvoejamento da biomassa do capim-elefante é semelhante ao do carvão tradicional. Depois de moída, a biomassa vai para um forno a uma temperatura de 380 graus, onde permanece por duas horas e meia.

O carvão obtido é triturado e colocado em uma máquina para ser densificado – ou seja, transformado em briquetes. Antes, o material recebe água e um ingrediente cuja fórmula é mantida em segredo.

Agora, os pesquisadores pretendem determinar o poder calorífico dos briquetes de capim-elefante visando à sua aplicação comercial e industrial. Pretendem ainda analisar a viabilidade técnica-econômica de sua produção, bem como quantificar a emissão de gases estufa (potenciais poluentes atmosféricos) no processo de carvoejamento do capim-elefante.

O carvocapim pode representar uma opção econômica e perene para a geração de energia, podendo ser utilizado em fornos de padarias, pizzarias, caldeiras industriais e na indústria ceramista, que ainda utiliza a energia térmica liberada do carvão vegetal tradicional – diz o professor Maldonado, que coordena as pesquisas.

Fonte: Ascom Uenf
EcoDebate, 27/06/2011

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