Parque Estadual da Pedra Branca ganha guia de trilhas

3-pedra-do-quilombo-hugo-de-castro

 

Pedra do Quilombo. Foto: Pedro de Castro

 

 

Para quem está no Rio de Janeiro, gosta de natureza e curte aventuras e caminhadas pela mata, uma das boas opções é a Trilha do Pico da Pedra Branca.

 

 

Com 1.025 metros, o Maciço da Pedra Branca é o maior do estado e localiza-se no Parque Estadual de mesmo nome. A caminhada é considerada difícil com fortes aclives, mas, em compensação, oferece uma visão privilegiada da zona oeste do Rio.

 

 

capacontracapa-GUIA-DE-TRILHAS Page 1-1

 

 

Contracapa do Guia de TrilhasNo Pico, existe uma rocha de três metros de altura. Ela parece ter sido “cuidadosamente colocada no local” para permitir que a Pedra Branca supere o Pico da Tijuca de 1.021 metros, brinca o escalador André Ilha, também diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Estadual do Ambiente – INEA.

 

 

Criado em 1974, o Parque Estadual da Pedra Branca ocupa pouco mais de 10% do território do município do Rio, mas só agora ganhou um guia de trilhas completo com mapas e fotografias das suas travessias e circuitos de caminhada.

 

 

Este é o segundo guia de uma série elaborada pelo INEA. O primeiro foi o guia do Parque Estadual do Desengano, disponível para download.

 

 

Os guias ainda são bilíngues, com versão dos textos em inglês, incluindo legendas de ilustrações e indicativos de níveis de dificuldade.

 

 

“Havia muita carência de informação disponível sobre as belas trilhas do parque. Pretendemos ter guias completos e bonitos para todos os nossos parques, mas é um processo que demanda tempo, pois é grande a quantidade de informação contida em trabalhos desta natureza”, disse a ((o))eco André Ilha.

 

 

Um Parque especial

 

 

“O Parque Estadual da Pedra Branca é um dos maiores, se não o maior, parque urbano do mundo, com 12.394 hectares, três vezes o tamanho do Parque Nacional da Tijuca, por exemplo. Só isso já é um grande diferencial”.

 

 

Uma curiosidade: o nome “Pedra Branca” deriva de um bloco rochoso, localizado em um topo de montanha, e que ficou branquinho devido aos dejetos de urubus, que ali pousavam com frequência. Hoje, André garante que os urubus se foram das matas do entorno.

 

 

A região foi afetada pela expansão urbana da cidade. É rodeada por 17 bairros como Campo Grande, Vargem Grande e Recreio dos Bandeirantes.

 

 

Vários níveis

 

 

André Ilha diz que o guia oferece opções de trilhas de vários níveis de dificuldade: “Tivemos a preocupação de incluir trilhas para todos os gostos. A trilha para o Pico da Pedra Branca, que deu o nome ao parque, por exemplo, é bem longa, leva mais ou menos três horas, mas é bem suave”.

 

 

A trilha da Pedra do Quilombo, embora mais curta, tem uma passagem mais exposta em um paredão rochoso, onde foi instalado um cabo de aço e apoios metálicos para os pés neste curto trecho de 10 metros de extensão, para aumentar a segurança dos caminhantes.

 

 

A travessia mais extensa tem 11,8 quilômetros e leva o visitante de Jacarepaguá a Campo Grande. São 5 horas de caminhada em trechos de uma antiga estrada colonial, onde ainda podem ser vistos os resquícios do calçamento com grandes blocos de pedra.

 

 

A mais difícil é a Travessia Pau da Fome-Rio da Prata, mas que recompensa com mirantes naturais, rios, cachoeiras e vegetação de Mata Atlântica, numa altitude máxima de 793 metros.

 

 

Se o visitante quiser aproveitar para tomar banho de mar, é possível seguir pelas áreas de praia, como a Travessia Piabas-Grumari, com 3 quilômetros e direito a banho de mar na Praia de Grumari.

 

Esta é uma outra antiga estrada colonial utilizada para o escoamento da produção do Engenho de Grumari, onde se cultivava café e cana-de-açúcar. Com altitude máxima de 184 metros, a travessia inclui mirantes e densa vegetação de Mata Atlântica.

 

 

Riqueza e biodiversidade

 

 

A riqueza da fauna e flora do Parque inclui espécies raras e ameaçadas. Segundo a bióloga do INEA, Camila Rezende, a cobertura florestal do Parque é um grande mosaico formado por manchas de vegetação em diferentes estágios. O tipo dominante é a Floresta Ombrófila Densa.

 

 

Na área do Parque, catalogou-se um total de 934 espécies pertencentes a 118 famílias botânicas. Destas, 429 apresentam algum grau de endemismo. “Vale ressaltar a presença, inclusive, de uma espécie endêmica de bromélia, a Neoregelia camorimiana, encontrada especialmente nas matas em estágio avançado de regeneração”, escreveu Camila referindo-se ao plano de manejo do parque.

 

A fauna registra 338 espécies de aves, das quais 20 encontram-se em alguma categoria de ameaça, como a tiriba-de-orelha-branca, classificado como espécie vulnerável à extinção nas listas estadual e nacional, e também no resto do mundo.

 

 

Existem ainda 51 espécies de mamíferos, das quais 8 ameaçadas, como o morcego-fruteiro-claro, vulnerável à extinção em território nacional. Entre as 43 espécies de peixes, 5 são ameaçadas, como o peixe-das-nuvens.

 

 

Maior número de visitantes

 

 

A média estimada de visitantes ao mês é de pelo menos 3 mil, ou, segundo o INEA, 36 mil frequentadores por ano. Mas há novas e ambiciosas metas, como, em 2014, receber 30 mil visitantes por mês. O guia bilíngue vai ajudar na divulgação do lugar para os turistas. No ano de 2016, a meta é alcançar um público de 60 mil visitantes por mês.

 

 

Por ser considerado um dos maiores parques urbanos do mundo, ele também sofre pressões e ameaças à sua preservação. André Ilha admite que o “cardápio de ameaças” do Parque da Pedra Branca é “completo”, pois ele está cercado pela área que mais cresce no município do Rio de Janeiro, a sua Zona Oeste.

 

 

O local tem 40 guarda-parques e lá foi instalada a primeira Unidade de Polícia Ambiental – UPAm ,   do Estado. Entretanto, nenhuma das duas medidas resolve o problema dos balões, que caem sobre o parque em grande número na época das festas juninas e julinas – que coincidem com o período mais seco do ano.

 

 

“Representam um autêntico bombardeio aéreo que temos que enfrentar todos os anos. Felizmente,  graças ao pronto combate dos guarda-parques, tais incêndios, cujo início não conseguimos evitar, não prosperam”, disse Ilha.

 

 

Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas

 

146---Caminho-de-Santa-Barbara---Hugo-de-Castro 39-pau-da-fome-rio-da-prata-hugo-de-castro 36---Pedra-do-Ponto
281---1---Vale-da-Caixa-DAgua Cachoeiras-do-Pedra-Branca-(5)

 

Fabíola Ortiz – 02/12/13

 

http://www.oeco.org.br/

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.