Países precisam se preparar para eventos climáticos extremos recorrentes

Países precisam se preparar para eventos climáticos extremos recorrentes
por Sergio Abranches, do Ecopolítica
Resultado de uma combinação El-Niño-La Niña muito rigorosos, anomalias climáticas cíclicas que produzem exacerbação dos fenômenos climáticos, ou sinais iniciais de mudanças climáticas, não importa muito do ponto de vista prático. Para o nosso cotidiano, o fato relevante é que estamos entrando no oitavo ano consecutivo marcado por desastres associados a mudanças climáticas. É uma questão relevante para a ciência.
Este ano tem sido particularmente duro para os Estados Unidos. Passou por um inverno muito rigoroso, com nevascas recordes em várias partes do país, que tiveram efeitos disruptivos na economia e nos transportes e causaram várias mortes. Agora enfrentam a maior cheia da história no rio Mississipi. Ontem, o Corpo de Engenheiros do Exército, que cuida dos rios e barragens no EUA, teve que abrir as comportas da barragem anti-enchente de Morganza, inundando fazendas e pequenos povoados, desalojando perto de 30 mil pessoas, para proteger Baton Rouge e New Orleans. O administrador dos diques do Mississipi disse que existe a possibilidade de que eles não aguentem a força das águas. O governador informou à população que as águas ainda não atingiram seu máximo e a cheia pode durar muitas semanas ainda.
New Orleans está assombrada pelo fantasma de mais um desastre, após ter sido devastada pelo furacão Katrina, em 2005. Os diques, que se romperam naquela época, foram refeitos, mas com previsão de cheia acima da média histórica do Mississipi. Um erro de precaução. Hoje, o correto é trabalhar com o pior cenário. Acima do pico histórico. O pior cenário é sempre que o máximo anterior será ultrapassado em breve: seja quando se pensa em chuvas, enchentes, deslizamentos, tempestades de neve, furacões, secas; seja quando se pensa em eventos naturais não-climáticos, como terremotos e erupções vulcânicas.
Isso não é pessimismo, nem catastrofismo. É precaução. Há evidência científica de que os eventos climáticos se tornarão mais extremos e mais frequentes. Para proteger vidas e patrimônio, é preciso se preparar para o pior. Isto é ser precavido. Ser pessimista é achar que sempre vai acontecer o pior e se conformar. Ser precavido é imaginar que o pior pode acontecer e se preparar para enfrentá-lo com o mínimo possível de perdas.
* Para ouvir o comentário do autor na rádio clique aqui.
** Publicado originalmente no site Ecopolítica.
(Ecopolítica)

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