Os cientistas exigem melhor gestão de todos os ecossistemas do fundo do mar

O fundo do mar está em apuros. Um estudo recente descobriu que o fundo do mar está sendo destruído pelas atividades humanas, e que isto tende a piorar.

Os cientistas agora estão exigindo uma melhor gestão e conservação de todos os ecossistemas do fundo do mar.


Oceano ensolarado

É como se diz que os olhos não vêem o coração não sente que as pessoas costumaram usar o fundo do mar como um local de despejo por centenas de anos.

Enquanto isto ainda é um problema, os autores do relatório afirmam que a ameaça mais urgente ao fundo do mar agora vem da exploração e dos efeitos das mudanças climáticas.

O fundo do mar – classificado como profundidades de águas de mais de 200 metros – abrange 360 milhões de quilômetros quadrados e forma por volta de metade da superfície da Terra, tornando-o o maior ambiente e último grande deserto na Terra.

Profundidades médias de aproximadamente quatro quilômetros, mas que chegam a quase 11 quilômetros na fossa mais profunda da Terra, na Fossa Marianas.
É um mundo estranho, pouco estudado.

Mas longe de ser desprovido de vida, é cheio de seres incomuns que podem sobreviver à escuridão e a grandes pressões.

É também cheio de recursos valiosos: peixes, minerais e – sob o fundo do mar – petróleo e gás. Isto o torna particularmente propenso à exploração.

Como nossas atividades afetam exatamente o fundo do mar?

‘É uma pergunta difícil de responder, porque sabemos relativamente pouco sobre isso’, declara o Professor Paul Tyler do Centro Oceanográfico Nacional, Southampton, co-autor do estudo, publicado no PLoS One neste mês. ‘Mas durante as redes científicas de volta nos anos 80, não era incomum trazer barris de petróleo e isso é apenas em uma área pequena.’

Em uma tentativa de responder a esta pergunta, uma equipe de 20 pesquisadores de países de todo o mundo se reuniram para um seminário como parte da iniciativa de 10 anos do COML – Censo da Vida Marinha.

O objetivo do projeto COML foi avaliar e explicar a diversidade, distribuição e abundância da vida nos oceanos.

Os cientistas analisaram os efeitos do passado, do presente e do futuro das atividades humanas nos habitats do fundo do mar, concentrando-se especificamente na eliminação, exploração e mudanças climáticas – incluindo acidificação dos oceanos.

‘Muitas vezes as pessoas pensam que o fundo do mar é ‘o grande, o grande molhado lá de fora.’ Mas é uma grande variedade de ecossistemas. Você tem vales, montanhas, vulcões e planícies na terra; é a mesma variação no fundo do mar, mais a água’, declara Tyler.

Despejo de resíduos costumava ser o maior problema: plásticos, vidros e metais são os tipos mais comuns de lixos encontrados no fundo do mar.

“Entre 1973 e 1978, mais de 387.000 toneladas de resíduos farmacêuticos foram despejados na Fossa de Porto Rico. Isto equivale a 880 aviões Boeing 747”, dizem os pesquisadores.

Enquanto o despejo de alguns resíduos como esgoto, produtos farmacêuticos, materiais radioativos de baixo nível no mar está proibido, o lixo despejado permanece no fundo do mar, então isso continua sendo um problema.

Agora, a exploração é o problema número um para o fundo do mar. Os desenvolvimentos tecnológicos nos levam a explorar as riquezas minerais do fundo do mar, prospecção de petróleo e gás e quantidades grandes de criação de peixes.

Junto com a mudança climática, isto significa que a região enfrenta ‘desafios grandes e crescentes’.

Mas à medida que o século passa, Tyler e seus co-autores dizem que a mudança climática ultrapassará a exploração como a atividade mais prejudicial.

A mudança climática tornará os oceanos mais ácidos, o que causaria problemas nos corais e criaturas com esqueletos calcários como estrelas do mar, ouriços do mar e pepinos do mar.

“As mudanças climáticas atuais estão acontecendo tão rapidamente que a mudança evolutiva está lutando para manter-se,” dizem os autores.

Uma das barreiras para uma melhor gestão do fundo do mar é que as atividades como o despejo do lixo, a pesca e as mudanças climáticas estão alterando o fundo do mar muito mais rápido do que os cientistas podem estudá-lo.

“Um dos principais problemas que continuam preocupando é que os transportadores mais rápidos no fundo do mar são aqueles que querem usá-lo como um prestador de serviços”, disse Tyler.

‘Ficando para trás de certa forma são os cientistas, gerentes e legisladores.’
‘Você pode argumentar que a legislação deveria vir em primeiro lugar, depois a ciência, depois a exploração”.

Os cientistas concluem: “A implementação das medidas regulamentares em alto mar – 64% do oceano global – requer uma revisão e muda a legislação UNCLOS vigente para fornecer proteção mais ampla.

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS) é um acordo que define os direitos e responsabilidades das nações em seu uso dos oceanos no mundo”.

* Texto de Tamera Jones, PlanetEarth Online/Natural Environment Research Council

Publicado pelo EcoDebate, 30/08/2011

** Tradução de Fernanda Medeiros, MR Tradutores Associados, para o EcoDebate

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