O Risco Irã.

Neste estágio do conflito fica reservado para a China, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, um papel central para desatar o nó criado. Uma evolução negativa desta crise pode levar a uma situação real de guerra com todas as conseqüências catastróficas para o mundo, que esta ainda tentando sair da grave crise financeira e econômica iniciada em setembro de 2008.O Brasil precisa contribuir de forma muito mais forte, aliando-se à China, na busca de uma saída diplomática para esta grave ameaça global, mesmo que esta hipótese a cada dia se torne mais remota.

O Risco Irã.

Cresce a cada dia a batalha, por enquanto retórica, entre o Irã e os EUA e seus aliados mais próximos em torno do programa nuclear do Irã. As últimas declarações da Secretária de Estado Hillary Clinton, afirmando que o Irã caminha para uma ditadura militar sob a égide da Guarda Revolucionária, sugere que os EUA apostam na promoção da divisão interna do Irã, na busca de enfraquecer o regime comandado pelo Aiatolá Khamanei.

Recente relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU, controlado pelos países desenvolvidos liderados pelos EUA, colocou mais lenha na fogueira e está sendo utilizado pelos EUA para angariar apoio para aumentar a pressão sobre Teerã. A França e a Alemanha, que vinham buscando a linha do diálogo diplomático para solucionar o impasse, agora falam em sanções adicionais contra o Irã. A Federação Russa, aliada do Irã, vem dando sinais de concordância com estas novas sanções.

A escalada da crise iniciou-se com a declaração pelo Irã da construção da nova unidade de enriquecimento de urânio de Fordow, próxima da cidade de Qom. Dentro de um clima de divergência com a AIEA e com os países aliados dos EUA, o Irã fez sucessivos anúncios de aumento da produção de urânio enriquecido e do grau de enriquecimento. Quando o presidente Ahmadinejad anunciou que o país iniciou o enriquecimento de urânio com teor de 20% e que tinha condições de chegar a 80%, disparou o termômetro da crise, que culminou com o recente relatório da AIEA.

O Irã continua afirmando que os propósitos do seu programa nuclear são exclusivamente pacíficos, posição reforçada por declarações recentes do líder supremo Aiatolá Ali Khamenei de que “as acusações do Ocidente não têm fundamentos” citando que o Islã proíbe o uso de armas nucleares.

O polemico relatório da AIEA sugere que pelo fato do Irã “não ter disponibilizado a cooperação necessária” a Agência não poderia confirmar que os materiais nucleares estariam sendo usados exclusivamente para fins pacíficos, declaração esta que forneceu o combustível para que os EUA e Israel elevassem o tom das ameaças ao Irã. O ponto crítico do relatório se refere a supostos esforços secretos, presentes e passados, do Irã voltados para o desenvolvimento de mísseis nucleares. O ponto focal do relatório está na afirmação de que estas atividades, consistindo em vários projetos e subprojetos cobrindo itens da tecnologia nuclear e do desenvolvimento de mísseis, são desenvolvidas por organizações militares do Irã.

Esta crise deve ser analisada sob dois aspectos. O primeiro fator é o direito do Irã em desenvolver a tecnologia nuclear para fins pacíficos, o que é inegável à luz dos tratados internacionais que regulam as atividades nucleares. O Brasil, de forma acertada, vem dando apoio a esta posição. O outro lado da moeda é o aspecto político da questão, pois o Irã é um país que vem liderando as lutas do mundo árabe contra Israel e contra as virtuais ameaças do Ocidente. A natureza do regime do Irã, baseado num sistema religioso autoritário, justificam preocupações quanto ao desvio do programa nuclear para fins militares. Se os EUA e seus aliados têm razão ao desconfiar das intenções do Irã devido à sua estrutura de poder decisório sustentado por um forte esquema militar liderado pela Guarda Revolucionária, por outro lado, a AIEA busca se aprofundar sobre pontos do esforço tecnológico do Irã que extrapolam a área nuclear. A Agência quer ter acesso a informações sobre as atividades militares convencionais do Irã, pois a tecnologia para o desenvolvimento de armas convencionais pode ser teoricamente desviada para um programa de armas nucleares, e é claro que o Irã não deseja revelar seus segredos militares. Dentro deste cenário não há saída negociada e a elevação do tom das ameaças e respostas do Irã indicam que o impasse só será superado por um esforço muito mais abrangente em termos diplomáticos.

Neste estágio do conflito fica reservado para a China, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, um papel central para desatar o nó criado. Uma evolução negativa desta crise pode levar a uma situação real de guerra com todas as conseqüências catastróficas para o mundo, que esta ainda tentando sair da grave crise financeira e econômica iniciada em setembro de 2008.

O Brasil precisa contribuir de forma muito mais forte, aliando-se à China, na busca de uma saída diplomática para esta grave ameaça global, mesmo que esta hipótese a cada dia se torne mais remota.

Gerson Bastos

Gerson Bastos é um desenvolvedor de sites especializado na plataforma open source Wordpress. Trabalha com desenvolvimento de sites desde 2007 e atua principalmente em Brasília-DF. Email: gerson@gersonbastos.com.br

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