O HOMEM NO UNIVERSO INFINITO E ETERNO

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O HOMEM NO UNIVERSO INFINITO E ETERNO

Resumia para o Barsa (Filósofo da Favela do Arará) a minha reflexão sobre o Universo. Muitos buscam compreender, dentro da nossa capacidade limitada da mente, o Universo e particularmente suas origens e propriedades.

Várias teorias surgiram com destaque para a do Big Bang Theory, que parte do princípio de que há 13.7 bilhões de anos atrás não havia nada e que uma explosão resultou no Universo que nós parcialmente conhecemos hoje. Mas se não havia “nada” antes no Universo, que matéria ou energia levaram a esta súbita explosão criativa?

Bem, explorando os limites da minha mente parti para responder a três indagações básicas:

  1. Qual o limite do Universo?
  2. Qual a idade do Universo?
  3. Quais as implicações destas duas indagações para a humanidade.

 

  1. Qual o limite do Universo.

Para obtermos a percepção do limite do Universo caminhamos em alguma direção e se encontrarmos o limite do universo, a partir deste ponto não poderá haver nenhum resquício de matéria ou energia, e se houver, será um outro universo ou uma continuidade do nosso Universo, pois pela teoria das interfaces, as partículas dos átomos de um meio interagem com o do outro, caracterizando a continuidade.

Portanto, se o Universo tem um limite, após este limite há que haver “o nada absoluto” – sem matéria e sem energia, seja na forma que for! Hora, sob o mais amplo limite da nossa capacidade de entender os fenômenos, algo que não contenha matéria ou energia – O Nada Absoluto ou Vácuo Perfeito – não existe, pois o “nada não existe”.

Portanto concluímos, sem apelar para cálculos sofisticados, que se o Universo se limita com o Nada Absoluto e este não existe, O UNIVERSO É INFINITO.

 

  1. Qual a idade do Universo.

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Bem, a partir da conclusão de que o Universo é infinito, dedicamos a pensar qual seria a sua idade. Bem, algo para ter uma idade deve  ter um início e/ou um fim. Para que o Universo tenha um fim seria necessário destruí-lo – como destruir algo que é infinito – por mais que algum agente tentasse nunca conseguiria destruí-lo posto que o Universo não tem fim – é infinito. Como é impossível destruir algo que não tem limites, o Universo é indestrutível, portanto O UNIVERSO É ETERNO.

Embora a mente humana ainda não possa compreender na totalidade algo eterno, pelo menos indiretamente não há como contestar a eternidade do nosso Universo.

Rio, 07/01/2013

Everton

  1. Quais as implicações destas duas indagações para a humanidade.

Misterios do Espaço

Com as duas definições deduzidas acima, podemos iniciar a tarefa mais difícil, qual seja identificar as mais relevantes implicações destas indagações para a humanidade. Seguindo a orientação de Spinoza, adotaremos o método sintético para orientar esta busca filosófica.

3.1 Da Infinitude do Universo.

Em primeiro lugar tratamos da infinitude do universo, para depois compor um quadro mais abrangente com a incorporação da eternidade do universo.

Cabe aqui citar Edgard Morin (La Relación Ántropo-bio-cósmica; Edgar Morin; Director Honorario de Investigaciones  del CNRS, París, Francia; Gazeta de Antropología Nº 11, 1995 Texto 11-01), quanto à teoria do Big Bang:

“Como é sabido, a demonstração da dispersão de galáxias (1930) e, em seguida, a descoberta de uma radiação fóssil de todos os horizontes do Universo (1965), impuseram, na maioria dos astrônomos, a ideia de um momento inicial, de natureza explosiva, chamada Big Bang, a partir do qual teriam se formado as partículas, cujas reuniões formaram as partículas atômicas organizadas, cujas reuniões formaram os átomos, em seguida núcleos, e cujas agregações havia engendrado galáxias e estrelas.

A combinação das observações e teorias astronômicas e microfísicas têm permitido dar uma visão coerente da gênese, a organização e o futuro desta gênese, a organização e o futuro deste novo universo.

Mas, para isso, era necessário (Que é sempre) aceitar a ideia absurda, que no entanto, temos sido racionalmente conduzidas, ao nascimento do espaço, tempo, matéria do não-espaço, do não-tempo, da não-matéria.”

Morin, de forma indireta, rejeita um universo criado a partir do nada e respalda nossa posição afirmativa de um universo infinito, embora fora da nossa capacidade de compreensão atual, mas concebível metafisicamente e quiçá compreendido na sua plenitude com o avanço da humanidade rumo a um elevado nível de conhecimento.

Ao assumir o universo como um sistema infinito, dentro dos conceitos matemáticos da probabilidade, a primeira constatação relevante é a certeza de que cada ser, ou cada objeto no universo tem a probabilidade de 100% de existência de um outro ser ou objeto totalmente idêntico, pois as infinitas causas ou combinação de causas que levaram à sua existência e a infinitude do universo como referência nos leva a uma divisão de INFINITO/INFINITO = 1. Partindo da hipótese de um determinado infinito possa ser maior que um outro infinito poderíamos ter resultados como 4INFINITO/2INFINITO = 2 ou                             9 INFINITO/3INFINITO = 3 e assim sucessivamente até chegarmos no limite de INFINITO*INFINITO/INFINITO = INFINITO!

As primeiras aproximações que formulamos a partir das deduções acima nos levam a concluir que todas as coisas, inclusive nós seres humanos, temos obrigatoriamente uma réplica ou mais, ou até infinitas réplicas no universo – não somos seres únicos, pelo menos em termos de espaço, num primeiro momento. Dentro dos limites da nossa capacidade intelectual, é de fato difícil conceber que possam existir infinitos “eus” no universo.

Se um conjunto de causas e suas múltiplas interações geraram um eu, como estas causas e estas múltiplas interações se associam à probabilidade 1, 2 3 ou INFINITO, portanto do ponto de vista sistêmico e matemático estas hipótese é verdadeira, embora não caiba na nossa compreensão humana.

Para aludir a uma compreensão mínima, vamos iniciar com os grãos de areia no deserto do Saara – nele certamente vamos encontrar dezenas, centenas ou talvez milhares de grãos de arreia idênticos, pois que a morfologia dos grãos de areia é relativamente uniforme. Se adentrarmos pelo microcosmo dos átomos de uma mesma substância as réplicas se contam na casa dos milhares, milhões ou bilhões de átomos idênticos e se nos aprofundarmos nos elétrons, prótons e nêutrons, mais e mais ainda esta multiplicidade de réplicas ganha cada vez uma dimensão maior, sugerindo que o universo tem uma tendência a reproduzir coisas a serem idênticas em série.

A matéria e sua estrutura como a conhecemos atualmente é parte do universo, tanto na forma concreta dos elementos químicos e biológicos, como na sua composição fundamental microcósmica – a matéria é um espelho do universo e nós somos a consequência de múltiplas combinações destes elementos, portanto uma reprodução do próprio sistema universal – somos produtos das infinitas causas e efeitos e suas infinitas combinações possíveis existentes no sistema universal, e como o grão de areia do deserto ou dos átomos, elétrons, prótons e nêutrons, para ficarmos nesta escala, somos passíveis de inúmeras réplicas, sem entrar no mérito das dimensões destas “inúmeras”.

Esta conclusão é relevante para iniciarmos uma reflexão sobre as crenças no “livre arbítrio”, conceito arraigado tanto dentro da filosofia religiosa Judaico/Cristã, no Islamismo e nas principais correntes religiosas e filosóficas que pensam o homem a partir de conceitos metafísicos que levam ao relacionamento, homem associado a um Deus (deuses) criador, transcendente, superior e pessoal, e ao consequente antropocentrismo que vigorou ao longo de muitos séculos e vigora ainda até hoje. Na sua angústia perante fenômenos inexplicáveis, medo do desconhecido e sede de poder, a humanidade optou por criar deuses a sua imagem e semelhança – não foram os deuses que criaram os homens a sua imagem e semelhança, pois Deus, enquanto expressão máxima do universo e da natureza não pode ser replicado em um ser limitado como o homem.

A universalização da matéria e da energia elimina qualquer ideia de livre arbítrio ilimitado, do ponto de vista físico, pois que as partes que compõe o ser humano se regem por leis universais, capazes, estas sim, de combinar múltiplas ações emanadas da dinâmica do universo e nossa vontade, desejos e ações são permitidas e se realizam dentro dos limites desta ordem cósmica.

Avaliando as implicações no sistema dialético corpo e alma, que auxilia na modelagem do funcionamento do ser humano, algo semelhante a um sistema de gestão de característica “comando e controle”, a infinitude do universo, sem entrar ainda nos aspectos de eternidade do universo, explica porque a natureza se organizou ao longo de milhões de anos a ponto de, utilizando um imenso número de causas e combinações destas, foi aperfeiçoando um ser capaz de pensar, sentir e agir, derivando deste conjunto as nossas habilidades de nos relacionarmos entre si no conjunto dos afetos por nós hoje experimentadas, conosco mesmos, e com a natureza que nos cerca através dos nossos sentidos.

Certamente este laboratório deriva das infinitas experiências no universo em todas as regiões do mesmo, transmitidas para o Planeta Terra pelas ondas de energia combinadas com a natureza das massas que formaram o planeta, fatores tão diversificados e ricos que possibilitaram este verdadeiro “milagre”, só possível a partir de um estoque infinito de causas, efeitos e conteúdos, sem os quais poderíamos talvez ter chegado somente no estágio de bactérias.

A alma pode ser considerada uma parte do ser humano super sofisticada, que armazena a essência da aventura humana na terra e por esta essência é profundamente afetada. É o cordão que nos une com as energias que emanam do universo e que se realizam nas construções no nosso sistema planetário e em nosso planeta propriamente, cordão este que serve de bússola para o nosso sistema intelectual/corporal, capaz de interagir com a “alma” e nos orientar em todos os momentos das nossas vidas, nossas ações e reações em face da dinâmica da natureza, dos demais seres vivos e principalmente com os outros homens, nas relações sociais e de afeto.

Como resultado da infinitude do universo, abre-se um grande campo de hipóteses quanto às possibilidades da existência de outros seres inteligentes no universo – pela lei da probabilidade exposta no encadeamento das probabilidades 1, 2, 3 e INFINITO, com toda a certeza existem sim outras civilizações ou povos fora do nosso planeta. Outras espécies poderão possuir 10 olhos, múltiplas pernas e múltiplos braços ou outros membros por nós desconhecidos. Poderão existir seres mais evoluídos, menos evoluídos e tão evoluídos quanto. Poderá haver um ser, por exemplo, capaz de viver sem respirar em função de sua genética e das condições da atmosfera do planeta que habita – suas necessidades biológicas poderão requer senão oxigênio, outras substancias para alimentar seu metabolismo e seu sistema vital.

Em outra hipótese poderemos ter seres inteligentes alados, capazes de voar, como nossos pássaros dada a alta densidade de sua atmosfera. Seres super avançados com dez ou vinte sentidos, capazes de perceber e processar ondas eletromagnéticas e gravitacionais, processá-las e se comunicarem por telepatia. Também existirão povos “inferiores” com menor potencia de realizações, como talvez foram os nossos antepassados a milhões de atrás.

Alguns desses povos mais avançados poderão vir até nós, analisar e concluir que somos uma ameaça a eles, e nos destruir; outros poderão nos ver com outros olhos, olhos bondosos e altruístas e nos adotar. Portanto abrem-se vários cenários da existência de vida inteligente no universo, pelo potencial da existência de outros milhares, ou milhões de sistemas planetários, compondo galáxias, com condições de abrigar processos de formação de seres inteligentes, vida e biomas desconhecidos por nós.

Engatinhamos na era espacial com o envio de satélites exploratórios a distâncias apreciáveis, considerando que esta era ainda não perfaz nem 100 anos de existência; mas estas aventuras são os primeiros passos de um bebê na busca de conhecer o seu mundo universal infinito!

A relatividade de espaço e tempo e mesmo sua fusão numa partícula fundamental do universo permite-nos deduzir que um contato com outros seres, outras formas de organização inteligente será um evento fortuito, na medida da probabilidade de uma tal eventualidade, que certamente não se coaduna com a nossa escala de tempo planetária.

De todas estas cogitações, a principal conclusão é que “com toda a certeza, não estamos sós no universo“.

 

3.2 Da Eternidade do Universo.

Felizmente Einstein nos legou a Teoria da Relatividade, como um ponto de partida para a busca de um entendimento mais profundo sobre a propriedade temporal do universo – ele próprio aponta para os limites da teoria geral da relatividade, atribuindo uma compreensão maior sobre a teoria da matéria a avanços nos estudos futuros sobre os campos gravitacionais e eletromagnéticos.

Ao contrário do tom afirmativo do início do tópico anterior,  começo com as incertezas, mesmo com a potência da Teoria da Relatividade, relativas ao entendimento da dimensão temporal do universo, até mesmo porque Einstein sugere a fusão de espaço e tempo numa única “unidade fundamental”.

Ao definir a convergência das constatações espaço-temporais e as coincidências espaço-temporais pelo postulado da covariância geral, o gênio nos coloca frente a frente com um novo paradigma de pensar o universo, e por conseguinte a matéria, como um sistema no qual não importa o tempo absoluto nem a posição espacial isoladamente, mas todas as possíveis combinações paritárias em função do referencial tomado. Em outras palavras, um par espaço-tempo no espaço curvo, pode estar ou não estar em um ponto do universo em tempos infinitesimais ou em tempos tendendo ao infinito, o que nos aproxima da ideia de universo eterno, por indestrutível.

Neste ponto vamos apontar a primeira consequência direta da eternidade do universo para a humanidade.

Para nós humanos, limitados ao tempo referenciado ao nosso sistema solar em particular do movimento de rotação da terra em torno do sol (ano) e da terra em torno do seu próprio eixo (dia) com os devidos múltiplos e submúltiplos (século, hora, minuto, segundo e outros sistemas semelhantes de contagem), teremos dificuldade em entender o tempo na sua concepção relativa, como variável da dinâmica do cosmos como um todo.

Não temos a propriedade de viajar pelo espaço à velocidade da luz C, constante para Einstein e, portanto, nossa escala de tempo não é a escala intergaláctica, mas sim aquela determinada pelo nosso sistema solar que nos remete ao nosso ciclo de vida biológico.

Ao conceber o universo como eterno, concebemos também a matéria como eterna numa miríade de mutações e transformações em função da própria dinâmica do universo – ai esta o primeiro ponto de contato da humanidade com a eternidade; somos compostos de elementos que são tão eternos quanto o universo.

A consequência imediata desta constatação é que cada uma das partículas, átomos, moléculas e todas as partes do nosso corpo, em primeira instância, estão sujeitos às mesmas causas e consequências a que estão sujeitas todas as matérias e energias cósmicas, portanto somos seres cósmicos.

O equilíbrio do sistema próximo no qual vivemos, a saber, a  Via Láctea, o nosso Sistema Solar, com o Sol no seu centro e o Planeta Terra, permitiu ao longo de milhões de anos as condições para as combinações e evoluções que permitiram a formação do homem, composto de corpo e alma, espécie hoje submetida uma experiência vivencial e sensorial neste planeta, inserido que é numa diversidade de seres vivos e inanimados.

Conforme Espinosa, somos parte da natureza e com ela interagimos a cada momento na busca do que se convencionou chamar de felicidade, estado momentâneo que está ligado intrinsecamente à nossa capacidade de perceber e sentir afetos positivos, que elevam nosso estado de ser no aumento de sua potencia.

Foi devido à suficientemente longa existência (tendente ao eterno) do universo que se gerou o tempo necessário para que, em primeiro lugar, fosse gerado um sistema estável para a nossa sobrevivência e suficiente para que se processassem as evoluções e involuções que geraram vida na terra, até chegar ao complexo ser humano.

Somente a perspectiva de um universo eterno, no qual as energias e matérias compõe sistemas estáveis ou não ao longo desta eternidade permite o potencial de criação e manutenção de seres vivos, finitos pela natureza de seu equilíbrio com as forças da natureza.

Este é o grande milagre – a eternidade do universo é a garantia da hipótese de vida e a humanidade é uma prova contundente desta verdade.

Everton

Cuiabá, 16/07/2016

 

 

 

 

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