Novos parâmetros para alimentos

OMS define novos parâmetros para alimentos processados que têm açúcar, sal ou gordura em excesso.

 

Agência da ONU publicou critérios para definir o que seriam quantidades excessivas de sal, açúcar e gordura em produtos industrializados. OPAS/OMS quer alertar os países e a população das Américas para os riscos do consumo de alimentos processados e ultraprocessados, responsável por taxas crescentes de diabetes, câncer, doenças do coração e obesidade.

 

Consumo de produtos industrializados em países das Américas estaria ligado a taxas crescentes de sobrepeso, obesidade e doenças crônicas, como diabetes, câncer e doenças do coração.

Foto: WikiCommons/lyzadanger/Diliff

 

A Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS – representação da Organização Mundial da Saúde – OMS  nas Américas – publicou na última sexta-feira, dia 19/02, critérios inéditos para a classificação dos alimentos processados e ultraprocessados.

Com os novos parâmetros, a agência da ONU quer mudar conceitos anteriores sobre o que seriam quantidades excessivas de sal, açúcar e gordura em produtos industrializados.

O objetivo é fornecer orientações aos Estados-membros para que estes implementem políticas públicas de incentivo à alimentação saudável.

“Temos dados que mostram que o consumo de alimentos pobres em nutrientes, ricos em calorias e ultraprocessados nos países das Américas está diretamente relacionado a taxas crescentes de sobrepeso e obesidade”, afirmou a conselheira sênior da OPAS sobre Alimentos e Nutrição, Chessa Lutter.

Segundo a agência, dietas pouco saudáveis estariam contribuindo para uma epidemia cada vez maior de doenças crônicas, como diabetes, câncer e doenças do coração.

O novo Modelo de Perfil de Nutrientes da OPAS define os alimentos processados como produtos alimentícios que são produzidos industrialmente usando sal, açúcar ou outros ingredientes para preservá-los ou torná-los mais palatáveis.

Já as comidas ultraprocessadas são aquelas industrialmente formuladas que contêm substâncias extraídas de alimentos, como caseína, soro de leite e proteínas isoladas, ou substâncias sintetizadas a partir de constituintes alimentares, como óleos hidrogenados, amidos modificados e sabores.

De acordo com os critérios estabelecidos pela OPAS, ambos os tipos de produtos apresentam quantidades excessivas de açúcar, sal e gordura quando:

— a quantidade de açúcares adicionados ou de gorduras saturadas representar 10% ou mais do total de calorias;

— ou as calorias associadas a todas as gorduras somarem 30% ou mais de toda a carga energética do alimento em questão;

— ou as calorias da gordura trans forem igual a 1% ou mais do total de calorias;

— ou ainda quando a proporção de sódio, em miligramas, em relação às calorias for de um para um ou mais.

Esses parâmetros devem ser aplicados a todos os alimentos processados e ultraprocessados, desde vegetais em conserva até ‘frios’, batatas fritas, sorvetes, iogurtes com sabor, cereais e barras de cereais.

As classificações não servem para comidas não industrializadas ou minimamente processadas, como vegetais frescos ou congelados, legumes, grãos, frutas, raízes, tubérculos, carnes, peixes, leite, ovos e pratos preparados com esses alimentos.

A OPAS acredita que, com as novas definições, países poderão elaborar regulações mais efetivas para, por exemplo, determinar que tipo de alimento poderá ser vendido ou servido em escolas. Restrições à publicidade infantil de alimentos pouco saudáveis também estão entre as medidas recomendadas.

Outras políticas públicas podem envolver a exigência de rótulos específicos nos produtos industrializados, que alertem para a presença de sal, açúcar ou gordura em excesso.

Segundo a OPAS, os Estados-membros podem ainda criar impostos distintos para alimentos processados pouco saudáveis, como refrigerantes à base de açúcar, além de redistribuir subsídios para a agricultura, a fim de estimular a produção e o consumo de produtos frescos.

Fonte: ONU Brasil

in EcoDebate, 03/03/2016

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