NOVA ERA BRASIL-CHINA

 

 consul

Tivemos a grata satisfação em participar, junto com o Professor Nilton Silva, Diretor de Projetos da ABIDES, do evento de recepção ao Sr. Song Yang como Cônsul Geral da China no Rio de Janeiro e comemoração do Festival de Primavera no contexto das comemorações do ano novo chinês, o ano do Cavalo.

Este é um momento muito especial nas relações sino-brasileiras, pois, conforme palavras do novo Cônsul, as relações entre os dois países nunca estiveram tão intensas como ocorre atualmente. Ele fez um positivo balanço das iniciativas do Governo do País Amigo no campo econômico e das relações com o Brasil, o que cria uma perspectiva muito promissora para o avanço da cooperação bilateral. A ABIDES vem recebendo delegações comerciais da China desde 2008 para expor aos executivos de grandes grupos empresarias e gestores de cidades e empresas governamentais, as oportunidades de negócios no Brasil nas áreas de energia, florestas, agronegócio e preservação ambiental, expondo em detalhes estes potenciais e nossas peculiaridades em termos de gestão e do nosso sistema legal.

cavalo

Este Ano do Cavalo do calendário chinês, muito se conecta com a força e a flexibilidade deste animal, fatores que deverão nortear os avanços chineses e nos proporciona um bom indicador da forma que devemos buscar intensificar as nossas já maduras relações com este grande parceiro, que tem uma densidade populacional de 136 ha/Km2 contra os 23 ha/Km2 do Brasil, fator este que deve ser levado em conta no planejamento das relações bilaterais, par e passo com os demais fatores complementares da economia, ecossistemas e cultura.

Em relação ao salto produtivo da China no inicio da década de 90, nas grandes cidades chinesas o meio de transporte urbano era a bicicleta, que chegavam a formar grandes congestionamentos. Nessa época o único automóvel produzido na China era uma pequena Van de cor amarela geralmente e muito pouco trafego de automóveis era observável. A situação atual na qual a China atingiu a produção de 8 milhões de automóveis por ano, sendo 6 milhões para o mercado interno, transformou o país no segundo maior produtor de automóveis no mundo. No mesmo período a China pulou de uma produção de 50 milhões de toneladas de aço para uma produção de 500 milhões de toneladas atuais.

Esta ascensão chinesa representada pela multiplicação do PIB de 1998 por um fator de 19.5 foi uma grande conquista do Povo Chinês.

Os investimentos realizados no período funcionaram na linha da racionalidade produtiva, redução do protecionismo, aumento do valor agregado e reexportação de produtos acabados, sendo que a China está presente em todas estas fases. A modernização da China tem levado a uma concentração maior da população nas cidades, causando a redução da população rural de 80% na década de 70 para 65% atualmente.

O significado da China na economia mundial passou a ser de grande relevância, a ponto de ter evitado efeitos negativos maiores da crise do sistema financeiro de 2008, pois as necessidades chinesas por commodities manteve os preços destas em níveis elevados, favorecendo países em desenvolvimento como o Brasil, funcionado de fato como um amortecedor da crise. Por outro lado os baixos preços dos produtos industrializados chineses também permitiram uma melhora na competitividade da indústria brasileira, pois componentes de produtos e maquinas utilizada na indústria favoreceram uma redução nos custos de produção.

Em termos de oportunidades, os requisitos por energia para sustentar as altas taxas de crescimento da economia chinesa constitui-se na grande janela de oportunidade para o Brasil, tanto diretamente através dos biocombustíveis, como na produção de produtos acabados intensivos em energia em território brasileiro. Em relação ao etanol a China utiliza o milho para sua produção, que compete com a cadeia alimentar o que levou o governo a criar fortes barreiras para a produção interna, fator este que amplia as chances brasileiras no mercado chinês, o que exigirá de nossa parte uma política especifica para a China dedicada à exportação de biocombustíveis, pois aquele país importa hoje 50% do petróleo que consome o que leva a uma necessidade de criar alternativas a esta dependência, que poderá ser um aumento nas importações de biocombustíveis. Até mesmo plantas da medicina tradicional chinesa poderão ser plantadas no Brasil e incentivos e tecnologia devem ser oferecidos aos pequenos produtores rurais brasileiros com concomitante difusão dos conhecimentos desta medicina milenar no nosso País, carente em assistência de saúde para a população mais vulnerável e criação de um mercado interno para estes produtos medicinais, com exportação dos excedentes para a China.

Brasil e a China estariam em condições de firmar um amplo acordo agrícola, em função das necessidades chinesas por alimentos e biocombustíveis, aproveitando as vantagens comparativas que esta associação traria face ao mercado internacional em termos de disponibilidade de terras apropriadas para a agricultura no Brasil, disponibilidade de tecnologia e tradição brasileira na área de biocombustíveis, disponibilidade de grande capacidade de investimentos na China, e disponibilidade de avançada tecnologia agrícola na China passível de ser adaptada às condições brasileiras para a produção de alimentos, necessitando-se porem de uma forte vontade política por parte dos governos de ambos os países.

Uma cooperação binacional com metas e objetivos concretos traria uma serie de resultados positivos. O Brasil teria a disponibilidade de capital estrangeiro em volume suficiente para dar um grande impulso na sua economia, aquecendo a indústria voltada para o campo, aumentando significativamente a produção de alimentos tanto para o mercado interno como para exportações direcionadas para a China, bem como contaria com um impulso adicional significativo nos programas de biocombustíveis. Sem duvida, uma atitude de realização de um acordo seria uma grande oportunidade para elevar o IDH das comunidades rurais brasileiras, particularmente para os pequenos e médios proprietários.

A energia nuclear seria também um campo de cooperação possível de ser explorado. A China tem hoje o mais dinâmico programa nucleoelétrico no mundo, que tem por meta atingir até 2030 uma potencia instalada de 31.000 MWe, sendo que perto de 1/3 desta potencia já esta instalada e 7 novas unidades nucleoelétricas estão sendo construídas simultaneamente no momento. Claro que uma pré-condição para uma associação realista ocorra neste campo, o Brasil teria que necessariamente que consolidar seu próprio programa nuclear.

A China tem buscado soluções energéticas efetivas o que resultou, por exemplo, na conclusão da mega-usina hidrelétrica de Três Gargantas, que possui 18.000 MWe de potência instalada.

Por todas estas condições a China consolida seu papel de modulador da economia mundial, facilitando a gestão da crise econômica global, mantendo o preço das commodities e promovendo a competitividade dos países em desenvolvimento pela oferta de bens de capital a baixo custo para dinamizar a indústria local destes países, o que interessa diretamente ao Brasil.

Que seja bem vindo o Cônsul Song Yang e que o Ano do Cavalo traga novos ares de cooperação mútua muito construtiva.

Engenheiro Nuclear Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.