MS: CEASA e fornecedores devem monitorar presença de agrotóxicos em vegetais

Uso de agrotóxicos na agricultura brasileira passou de 2,7 kg por hectare em 2002 para 6,9 kg em 2012.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Central de Abastecimento comercializa mais de 170 mil toneladas de produtos por ano, mas não faz qualquer acompanhamento do uso de agrotóxicos nas lavouras.

 

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul – MPF/MS  recomendou à Central de Abastecimento – CEASA/MS  e à Associação de Usuários da Ceasa/MS – AUCE,  que seja realizado o monitoramento da existência de agrotóxicos em frutas, verduras, legumes e hortaliças comercializados na central.

 

A recomendação foi expedida após inércia da empresa e de seus fornecedores na análise da presença de resíduos químicos nos produtos comercializados.

 

O documento solicita que seja verificada a existência de agrotóxicos acima do limite permitido, de uso proibido ou não recomendados para as culturas alimentícias vendidas no local. A iniciativa, já realizada em outros estados do país, pretende aumentar o controle sobre a utilização dos agrotóxicos, preservar a qualidade dos produtos comercializados e a saúde dos consumidores.

 

Segundo site nacional da Ceasa, por ano, 170 mil toneladas de produtos hortigranjeiros são vendidos em Mato Grosso do Sul. Contudo, nem a central e nem os fornecedores monitoram com efetividade a presença de resíduos de agrotóxicos nos vegetais ofertados.

 

A Ceasa e os fornecedores têm 30 dias para responder se acatam ou não a recomendação e, em caso positivo, informar como ocorrerá o monitoramento.

 

40 litros de agrotóxicos por ano – Em maio, ciclo de palestras realizado pela Comissão Estadual de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos em Mato Grosso do Sul reacendeu o alerta sobre o alto consumo de agrotóxicos no Estado.

 

De acordo com o professor Wanderlei Pignati, da UFMT, os sul-mato-grossenses ingerem, por ano, até 40 litros de agrotóxicos, enquanto a média nacional é de 5,2 litros  e a presença de agrotóxicos já foi identificada até no leite materno.

 

Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, os agrotóxicos podem se dispersar no meio ambiente com facilidade, causando danos ao solo, água, fauna e flora da região, em alguns casos de forma irreversível.

 

Segundo estudos recentes da agência, a alface e o tomate, que fazem parte do consumo diário de muitas famílias, estão no topo da lista de uso de agrotóxicos.

 

Em relação à saúde, pesquisas apontam que os princípios ativos presentes nos inseticidas podem causar esterilidade masculina, distúrbios neurológicos, respiratórios, cardíacos, pulmonares, no sistema imunológico e na produção de hormônios, além de má formação fetal e desenvolvimento de câncer.

 

Informações do Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul

 

Publicadas no PortalEcoDebate, 09/07/2015

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