Mês das mulheres

mulher

O que seria, senhor, das pessoas desse mundo sem as mulheres? Elas seriam escassas, senhor, extremamente escassas.

(Mark Twain, 1868)

 

Em março é comemorado o Dia das Mulheres. Flores são distribuídas, alguns cumprimentos e, talvez, presentes. A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda que este mês de março sirva para que se crie uma consciência sobre os direitos das mulheres e da luta política e social ao redor do planeta que os problemas das mulheres sejam trazidos à tona e examinados pela sociedade.

O dado é pouco divulgado, mas, segundo o economista indiano e ganhador do prêmio Nobel Amartya Sem, existem mais de 100 milhões de mulheres desaparecidas no mundo. Estudos posteriores apontaram diferenças, principalmente devido à definição de “desaparecidas”, porém as cifras apontam números entre 60 e 101 milhões de mulheres. O economista aponta que não é difícil provar essa teoria. Sabe-se que as mulheres vivem mais do que os homens, logo elas são maioria em toda parte das populações ocidentais, porém, em regiões onde há uma desigualdade de gênero muito grande, as mulheres “desaparecem”. Na China, existem 107 homens para cada 100 mulheres, em sua população geral. Na índia são 108 e no Paquistão 111.

Segundo a fundação “Half the Sky”, mais mulheres foram mortas nos últimos 50 anos, somente por serem do sexo feminino, do que homens foram mortos em todas as guerras do século XX.  Na Índia, a “queima de noivas”, uma punição a esposas devido a um dote considerado “inadequado” ou para eliminá-la para que o noivo possa casar-se novamente, acontece uma vez a cada duas horas, mas esse fato nunca chega aos noticiários. No Paquistão, cinco mil mulheres e meninas foram queimadas com querosene ou ácido por “desobediência” somente nos últimos cinco anos.

No Brasil não é muito diferente, a violência contra a mulher tomou conta do noticiário neste mês. Vimos casos famosos serem julgados: O goleiro “Bruno” e assassinato de Elísa Samúdio, que foi sequestrada, assassinada e seu corpo mutilado e devorado por cachorros. O ex-policial Mizael Bispo e o assassinato de Mércia Nakashima, ferida a tiros e morta por afogamento quando seu carro foi jogado na água. Casos de impacto  nos quais os criminosos receberam penas questionadas por organizações de Direitos Humanos.

O principal meio de entretenimento do público brasileiro, a novela, trouxe à tona um assunto ainda desconhecido para grande parte da população: o tráfico internacional de mulheres.  Durante muitos anos o tema ficou mascarado como uma forma de migração ilegal de prostitutas para países europeus e asiáticos, mas a realidade é bem diferente. Segundo dados da ONU, existem 140 milhões de mulheres traficadas, muitas brasileiras, vivendo sob regime de escravidão, somente na Europa.

O tráfico de mulheres para fins de exploração sexual não poupa crianças. Meninas de até três anos são vendidas como mercadoria, estupradas e exploradas sexualmente em bordéis.  Na semana passada, 14 mulheres foras resgatadas de um prostíbulo no canteiro de obras da Usina de Belo Monte, entre elas uma menina de 16 anos. Todas eram mantidas em um quarto sem ventilação, com apenas uma cama de casal e trancadas com um cadeado. As meninas eram obrigadas a trabalhar 24 horas por dia, e só podiam dormir e comer quando não houvesse movimento de clientes.

A violência contra meninas e mulheres é um problema global. Aparece em todas as camadas sociais e em países desde a Suécia até o Chade. A forma de combate a esse mal planetário passa pela educação, erradicação da miséria e pela justiça. O desenvolvimento social e financeiro está apoiado no fim das desigualdades entre gênero. Instituições importantes como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a ONU apoiam a solução conhecida como “Girl Effect”.  Nesse modelo, a repressão e violência contra as mulheres são diminuídas, há a possibilidade de estudo em igualdade em meninas e meninos. Essas meninas se transformam em mulheres livres que participarão da força de trabalho. Toda a sociedade se beneficia pois, nesse esquema, as mulheres se casam mais tarde, tendem a ter menos filhos e contribuem para a força produtiva do país. Mulheres que trabalham também financiam a educação de parentes mais novos e economizam o suficiente para alavancar as “poupanças” nacionais.

O mês de março deveria ser lembrado como um mês de luta para todas as mulheres do mundo. Uma luta pelo fim das desigualdades e da violência que dela é derivada. Da conscientização de que o direito feminino está inserido nos Direitos Humanos e que todos serão beneficiados por mudanças positivas dessa agenda.

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