MEDIDAS EMERGENCIAIS PARA O SETOR ELÉTRICO

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O nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas da Região SE/CO em janeiro de 2014 sofreu uma redução de acordo com o aumento da demanda (estimada em 11%) e redução da energia natural afluente de dezembro.

Observando as séries de 2012 a 2014, dois fatos chamam atenção e indica que ocorreu neste período uma importante mudança no regime hidrológico nas bacias localizadas na Região SE/CO:

  1. O valor máximo acumulado em 2012 atingiu 80% (Fev/2012), pouco acima de 60% em 2013 (Abr/2013) e 40% em 2014 (Jan/2014). A recuperação do nível em 2012 ocorreu com apoio de térmicas que não superaram a casa dos 2.000 MW nos três meses anteriores ao pico máximo; em 2013 as térmicas contribuíram com mais de 4.000 MW nos três meses anteriores e em 2014 esta contribuição foi acima de 3.000 MW, que se somou à transferência de 2.500 MW da Região N.
  2. O período de recuperação em 2012 foi de dez/2011 a fev/2012, em 2013 foi de jan/2013 a abr/2013 e em 2014 somente observou-se uma leve recuperação em dez/2013, já declinando em jan/2014 e mais acentuadamente em fev/2014. O deslocamento do período da recuperação de 2013 em relação a 2012 e de 2014 em relação a 2012 e 2013 indica que a sazonalidade das chuvas vem se alterando significadamente, devendo-se considerar o uso intensivo de térmicas ao longo de todo o ano de 2013.

A forte queda (-14%) no nível de fev/2014 em relação à jan/2014 é um dado bastante preocupante, pois esta queda ocorreu mesmo com um aumento substancial da geração térmica convencional conforme dados do ONS, que atingiu o máximo histórico nos últimos três anos em análise, de 5.561,25 MW (descontados os 2.000 MW das nucleares e 1000 da geração por derivados da cana). Esta elevação brusca da geração térmica confirma o diagnóstico de que o ONS poderia ter errado em manter relativamente baixa a geração térmica convencional em janeiro de 2014. Certamente outro forte recuo na energia natural afluente (-15%) em fev/2014, forçou a esta mudança de atitude, pois esta afluência chegou a um máximo de 40.000 MW em dez/2013, caiu para 30.000 MW em Jan/2014 e mais ainda para 22.500 MW em fev/2014 enquanto que esta variável esteve acima de 40.000 de janeiro a abril de 2013.

Vemos que quase todos os indicadores para Região SE/CO estão em trajetória desfavorável para a recuperação dos reservatórios, portanto para a redução do risco de desabastecimento durante a Copa de 2014 (alguns analistas falam em risco de 20%).

Único fator positivo é a constância do regime hidrológico na Região N e da carga de demanda, o que permite a continuidade da transferência de energia N-SE/CO de 2.500 MW médios.

Portanto, frente a este cenário desfavorável e a incerteza no regime de chuvas para os próximos meses (já com tendência declinante) a prudência recomenda medidas de “racionalização” do consumo de energia elétrica (por exemplo, através de uma campanha educativa e/ou de incentivo tarifário) no curto prazo e o desenvolvimento de um plano emergencial de médio prazo com aceleração das obras de geração e transmissão de energia elétrica e a montagem de uma estratégia de longo prazo, com consolidação do Programa Nucleoelétrico.

Engenheiro Nuclear Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

 

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