Manifestação em Brasília pede a preservação do Cerrado

Para chamar atenção da sociedade e das autoridades sobre a necessidade de preservar o segundo maior bioma brasileiro, indígenas e populações tradicionais do Cerrado realizaram manifestação na Esplanada dos Ministérios nesta quinta-feira, 13/9.

 

O Grito do Cerrado, protesto que envolve mais de 500 organizações identificadas com a causa socioambiental do bioma,  entre trabalhadores rurais, extrativistas, indígenas, quilombolas, quebradeiras de côco e pescadores artesanais, coloca como problema central para a a preservação do Cerrado, sua ocupação territorial e econômica.

 

“É o caráter predatório do modelo agrosilvipastoril predominante, que ameaça a própria existência do bioma e de seus povos” afirma o manifesto da Rede Cerrado, movimento que agrega as organizações envolvidas com a causa.

 

Por volta das 14h, indígenas das etnias Timbira e Xavantes começaram a se concentrar na Catedral de Brasília para a corrida das toras, uma disputa travada anualmente entre eles.

 

O objetivo era chegar até o final do trajeto, a Praça dos Três Poderes, com uma tora de madeira buriti, que podem chegar a 60 kg,  revezada entre os integrantes de cada etnia, cada uma conta com dez representantes.

 

Veja no vídeo do site,  quais são as principais reivindicações das lideranças indígenas que participaram do ato.

 

Confirmando o favoritismo, os Timbiras ganharam a corrida deste ano, mas a confraternização logo tomou o lugar da rivalidade.  Assista a chegada da corrida no vídeo do site.

 

De mãos dadas, formando uma grande roda, os indígenas de ambas as etnias se juntaram aos representantes das demais comunidades tradicionais e voltaram suas forças para um objetivo comum: o político.

 

Ainda com as toras, o grupo seguiu para audiência pública no Congresso Nacional, com parlamentares do Senado e representantes do governo federal.

 

O senador Rodrigo Rollemberg – PSB/DF, presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado Federal, recebeu os povos tradicionais que, novamente em roda, deram seu recado. Veja vídeo no site..

 

Rollemberg, abriu a audiência com uma homenagem aos irmãos Villas Boas e ressaltou a necessidade de preservar o Cerrado. Em seguida, o diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Pedro Arraes, defendeu a exploração sustentável do bioma.

 

Maria Nice, representante das quebradeiras de côco, exigiu respeito para com os que lutam pela preservação do meio ambiente e ressaltou a necessidade da demarcação de territórios.

 

“Terra é para todos os que sabem viver nela” . Dona Nice, como é conhecida em sua comunidade, no Maranhão, defendeu o estímulo ao desenvolvimento da agricultura familiar para garantir a sobrevivência dos povos tradicionais.

 

“O agronegócio não nos alimenta, o que nos alimenta é a agricultura familiar”, pontuou.

 

Ela entregou aos parlamentares ali presentes a Carta do Cerrado, documento que destaca os posicionamentos políticos e reivindicações da Rede Cerrado em relação às políticas públicas de proteção ao bioma e sua população.

 

Além da segurança alimentar, a organização destaca a necessidade de garantia de seus direitos também no campo da saúde e da educação, com um modelo de ensino que reconheça e valorize as culturas tradicionais.

 

Matéria de Leandro Melito, da EBC 

 

Publicada pelo EcoDebate, 14/09/2012

 

http://www.ecodebate.com.br/2012/09/14/manifestacao-em-brasilia-pede-a-preservacao-do-cerrado/

 

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