Mais um Dia Mundial da Água

A ONU – Organização das Nações Unidas – proclamou 2013 como o Ano Internacional da Cooperação da Água.

 

O nome é pomposo e bonito. Mas oco. Vazio. Não sei ainda o que isso significa. Cooperar com a água? Seja lá o que for, é pouco. Afinal, essa ONU, em 2010, divulgou que:

 

“Água poluída mata mais que violência no mundo, incluindo guerras”. E que: “Falta de água potável mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade por ano”  (1).

 

Estamos em 2013… Desde 2010, eu pergunto: já que a ONU descobriu tudo isso, vai fazer o quê? Continuar conivente com essas mortes?

 

Ou vai criar regras claras e duras para punir os assassinos das nossas crianças? Porque, até agora, ela só criou resoluções, declarações, princípios, pactos e outros blablablás…

 

Não precisa ser muito esperto, antenado, pra saber que tais números recrudescem a cada ano. Até a Mídia Marrom fala a respeito. E uma das principais causas da poluição é a destinação ilegal de resíduos: mais de dois milhões de toneladas são lançadas nas águas por dia: esgoto, poluição industrial, pesticidas agrícolas e resíduos animais…

 

Basta um olhar, ou uma cheirada nos rios da sua cidade pra perceber isso. Moro em Florianópolis – SC, terra de pescadores, de turista apreciador de peixe e outros frutos do mar. E aqui não tem um rio, nem mar, saudável. Todos morrendo, agonizando, … as cidades do interior catarinense também padecem do mesmo mal.

 

 

Ou seja: estão destruindo a água,  líquido vital cuja falta leva o ser humano à morte em 3 dias.

 

Quem são os culpados por essa destruição? Não sei se alguém está interessado na resposta. Ainda mais num Brasil onde a impunidade é corriqueira. Onde o crime ambiental é perdoado com a assinatura de um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta.

 

Não é assim? A mortandade dos peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas – RJ,  um dos cartões postais brasileiros, é uma das provas mais recentes disso  (2).

 

“Nos próximos cinco meses, a Refinaria Duque de Caxias – REDUC, na Baixada Fluminense, vai diminuir em até 60%, até agosto, o despejo de resíduos poluentes na Baía de Guanabara, disse nesta quarta-feira (13/3) o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc.

 

A REDUC assinou, em 2011, o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC com o governo do estado se comprometendo a investir cerca de R$ 1,08 bilhão em melhorias ambientais até 2017. O TAC da Reduc é o termo de maior valor assinado até agora no Brasil”.

 

Quando ouço minha neta pedir “vó, fecha a torneira  porque a água vai acabar”, penso nas meias verdades hipócritas que levamos ao cérebro da futura geração. Eu fecho a torneira e economizo no pagamento de 30 litros de água tratada.

 

Uma bagana de cigarro jogada na praia polui até 500 litros. Uma empresa lança esgoto no rio e destrói milhares de litros (e os bichinhos e vegetais que ali habitam.

 

A geração atual precisa salvar a água. Para sobrevivência própria e das gerações futuras. E acordar para a triste realidade que experimentamos. Acho que ainda há tempo pra isso!

 

Lembrei agora que um dos Objetivos do Milênio, compromisso firmado entre 189 nações, em setembro de 2010,  inserto no PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – é “Reduzir pela metade, até 2015, a proporção da população sem acesso permanente e sustentável a água potável segura e esgotamento sanitário”.

 

Quem sabe isso vira realidade? Vamos pensar positivo!

 

E, no Dia da Água, pare alguns minutos e reflita sobre a relação direta da água com a sua sobrevivência, e dos que você ama!

 

O grande escritor uruguaio Eduardo Galeano já brincou,  de forma muito séria,  com o tema: pra que água se podemos beber Coca Cola???

 

1 http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&newsID=a2846071.htm

 

2 http://oglobo.globo.com/rio/lagoa-rodrigo-de-freitas-amanhece-coberta-de-peixes-mortos-7836349

 

3 http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2013/03/13/interna_brasil,354605/reduc-se-compromete-a-reduzir-poluentes-despejados-na-baia-de-guanabara.shtml

 

Artigo de Ana Candida Echevenguá, advogada e articulista, especializada em Direito Ambiental e em Direito do Consumidor. Presidente da Academia Livre das Águas e do Instituto Eco&Ação, nos quais desenvolve um trabalho diretamente ligado às questões socioambientais, difundindo e defendendo os direitos do cidadão à sadia qualidade de vida e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

E-mail: ana@ecoeacao.com.br.

EcoDebate, 22/03/2013

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