LOGÍSTICA: SINAL VERMELHO PARA O BRASIL

LOGÍSTICA: SINAL VERMELHO PARA O BRASIL

logica

Esta em tramitação no Congresso Nacional a MP 595, que reforma a Lei dos Portos. Na posse de Afif Domingos como Ministro das Pequenas Empresas, a Presidenta Dilma fez um apelo ao Congresso Nacional pela aprovação da referida medida provisória, argumentando que o Brasil perde em competitividade devido aos gargalos da logística portuária. Diversas disputas de posições entre empresários, trabalhadores e governo e também entre parlamentares, vem marcando a difícil tramitação da MP 595 no Congresso Nacional, algumas disputas são de cunho corporativo, outras ideológicas e outras em função de interesses contrariados do Governo.

A famosa frase de Winston Churchill – “A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos” – é muito pertinente na análise desta tumultuada tramitação da MP 595, pois este gargalo legislativo se enquadra no lado negativo do processo democrático. Embora tenhamos que reconhecer a veracidade da frase, por outro lado não nos devemos conformar e aceitar passivamente os limites da democracia, mas sim lutar pelo seu aperfeiçoamento. Neste caso específico dos portos, a questão tem dimensão de grave problema para o desenvolvimento do Brasil nas suas implicações com a crise logística que compõe o alto Custo Brasil, identificado, criticado, mas não resolvido.

De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Exterior – AEB, as exportações de soja em 2013 montariam em US$ 35.5 bilhões, superando as exportações de minério de ferro que totalizariam US$ 30 bilhões, mas os gargalos logísticos tendem a inviabilizar esta meta. Uma das raízes do problema se situa no nosso sistema de transporte de grãos – aqui no Brasil este transporte é distribuído na proporção de 82% rodoviário, 16% ferroviário e 2% hidroviário, enquanto que nos EUA esta distribuição é de 15% rodoviário, 35% ferroviário e 40% hidroviário. Estes dados explicam boa parte da nossa defasagem no custo de transporte por tonelada que é na média de US$ 85/ton, enquanto que nos EUA é de US$ 23/ton e na Argentina US$ 20/ton – esta defasagem consome nossa maior produtividade, que deveria ser um fator de aumento da nossa competitividade no comércio exterior. Além do fator transporte, a nossa capacidade de armazenagem de grãos é de somente 80% da safra, enquanto que nos EUA é de 120%, fato este que expõe nossos produtores às pressões dos países importadores, como a China, que adota posições de verdadeira chantagem comercial. Os nossos produtores não tem tempo para realizar a gestão eficiente das safras, pois correm o risco de apodrecimento dos produtos e são obrigados a vender suas safras por preços ditados de “fora para dentro” do país.

Em nosso estudo “Integração Paralela da Economia”, no qual desenvolvemos o Índice Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável e Competitividade – IBDSC, já alertávamos sobre a questão do gargalo logístico e sublinhávamos que em função da assimetria da nossa economia em relação às economias mais bem estruturadas, só nos resta adotar medidas “não lineares” para resolver nossos problemas de competitividade que resultam no enorme Custo Brasil.

É exatamente por esta razão que não conseguimos atingir níveis de crescimento do PIB que poderiam nos proporcionar um futuro melhor, em termos econômicos e sociais. Neste ponto reside a relação entre economia e política – como frisamos acima, não podemos nos conformar com os defeitos do nosso sistema democrático, mas sim romper com as barreiras que nos cerceiam em nome dos reais interesses do povo brasileiro. O Congresso Nacional e a Presidenta Dilma precisam se imbuir da necessidade e urgência da tomada de decisões do porte da MP 595, e outras medidas de mesmo caráter e assumir critérios mais elevados em termos do interesse nacional na adoção destas medidas estruturantes que solucionem a crise de logística atual.

Em termos das recomendações do estudo da ABIDES, um novo Plano Econômico deve ser definido pelas lideranças nacionais no qual se colocam as medidas não lineares que nos capacitem a diminuir as assimetrias de competitividade, quando apontamos a questão da logística e a criação de um Fundo Nacional de Investimento atrelado a uma nova modalidade de caderneta de poupança, entre outras ações prioritárias, que exige serem consideradas como de alta prioridade nacional, acima das disputas menores, com um tratamento diferenciado no processo decisório das instituições democráticas do País.

Eng. Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.