Japão: Dilema Nuclear

Japão: Dilema Nuclear

Notícias recentes anunciam que somente uma única usina nuclear do Japão encontra-se em operação. O país possui 50 reatores nucleares com capacidade para atender a 30% da demanda de energia elétrica do país. O Japão, para suprir a demanda de eletricidade causada pela paralisação de 49 reatores teve que acionar as usinas termelétricas a gás/carvão/óleo.

Considerando otimisticamente que estas usinas tenham uma taxa de emissão de CO2 equivalente ao gás natural (a menor taxa de emissões), o país emitirá 198 milhões de toneladas de CO2 adicionais, o que é um aumento de 12.5% das emissões totais daquele país ou equivalente a 55% do total das emissões do Brasil.

Quando o mundo clama pela redução do aquecimento global às vésperas da Rio+20, a terceira maior economia do mundo responde com mais emissões – é certo que as usinas nucleares do Japão devem passar pelos testes contra terremotos e tsunamis, mas também é certo que sem estas usinas o Japão aumenta o risco de uma catástrofe climática muito maior: O AQUECIMENTO GLOBAL.

Energia nuclear é a única fonte de produção de energia em larga escala não emissora dos gases do aquecimento global, portanto há que se haver racionalidade e não posições ideológicas e emotivas neste debate. Muitos ambientalistas de peso, inclusive o ambientalista James Lovelock, criador da Teoria Gaia, estão considerando a opção nuclear como fator inevitável para a redução das emissões: Afinal devemos obter energia do Pau ou da Pedra?

Queimar florestas, gás natural, petróleo e emitir bilhões de toneladas de CO2 e inundar grandes áreas ou usar o nosso minério de urânio? Cuidados devem ser tomados com todas as formas de geração de energia, pois todas possuem intrinsecamente potencial de causar danos ambientais – os exemplos dos vazamentos de óleo da BP no Golfo do México e da Chevron na Bacia de Campos e a polêmica sobre a hidrelétrica de Belo Monte, demonstram esta realidade.

A situação do Japão é dramática, pois o país não conta com recursos naturais em seu território e para manter a alta qualidade de vida da população, os altos níveis de consumo e o crescimento econômico depende de combustível importado. O Japão ó o terceiro maior importador de petróleo, perdendo somente para a China e EUA, e o primeiro importador de LNG (Gás Natural Liquefeito) e de carvão. Na matriz primária de energia o carvão, gás natural e óleo respondem por 85%, nuclear 11%, hidreletricidade 3% e renováveis 2%. Em suma a matriz energética do Japão talvez seja a “mais suja” do mundo e com o desligamento dos reatores, mesmo que temporariamente, se tornou ainda “mais suja”.

Então a questão colocada trata da opção estratégica de sobrevivência de um povo agora e também das gerações futuras, conservando seu alto padrão de vida – a questão do desenvolvimento sustentável se coloca em confronto com a atual situação energética do Japão – os japoneses deveriam estar pagando uma taxa pelo seu alto grau de emissão dos gases do aquecimento global per capita de 10.4 ton/hab/ano CO2 equivalente, quase 6 vezes o índice do brasileiro.

São estes os pontos críticos que no final prevalecerão quanto à difícil decisão japonesa sobre o uso da energia nuclear, numa sociedade ainda fortemente marcada pelos impactos do terremoto e do tsunami de março de 2011.

Demonizar a energia nuclear não é uma opção inteligente e vai na linha do mesmo obscurantismo que levou ao Holocausto de Hitler, que se utilizou da fragilidade da sociedade alemã da época, sob forte crise econômica, através da máquina de lavagem cerebral de Goebels.

Será que este é o caminho correto para debatermos a questão energética e o uso da nucleoeletricidade?

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