IV Encontro da Bacia debateu a crise hídrica e o futuro do Rio São Francisco

Mais de 100 pessoas entre pescadores, quilombolas, indígenas e agricultores, dentre outros representantes das diversas comunidades tradicionais existentes ao longo da bacia do Rio São Francisco, representando organizações e movimentos sociais, participaram na tarde de quinta-feira, 28 de maio, do debate sobre “A crise hídrica presente e o futuro da Bacia do Rio São Francisco”, que abriu o IV Encontro Popular da Bacia do São Francisco, em Bom Jesus da Lapa-BA.

 

 

As ações de revitalização da bacia do Rio foi uma das principais questões debatidas durante o encontro, que contou com a presença do gerente de revitalização da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba – CODEVASF  do médio São Francisco, Edson Marques.

 

Diante dos relatos dos participantes de que não enxergam as ações da Companhia na revitalização do Rio, mas sim interferências que têm piorado o desempenho do Velho Chico, Edson esclareceu que por ser um órgão executor, a CODEVASF  enfrenta dificuldades para implementar projetos e conseguir resultados em curto prazo.

 

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“O que eu puder fazer enquanto gerente de revitalização eu vou fazer. Tenho aqui em Bom Jesus da Lapa, uma gama de profissionais capacitados para ajudar nesse trabalho e precisamos também do apoio da população”, disse informando que no momento a companhia está trabalhando em projetos para a recuperação de nascentes.

 

Também presente na mesa redonda, Claudio Pereira, coordenador da Câmara Consultiva do médio São Francisco do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio – CBHSF  falou sobre a elaboração do Plano da Bacia e da necessidade da participação da população.

 

“Se os usuários não se empenharem para manter o rio vivo teremos um desastre, porque não há política pública que se sustente ou que mantenha água onde já não tem. Precisamos que a população participe junto com o comitê para trabalhar no plano”.

 

O debate seguiu questionando a participação popular nas decisões e na elaboração de planos para a revitalização da bacia. Para o ambientalista e jornalista Henrique Cortez os órgãos não ouvem a população no momento de construção dos planos: “A contribuição técnica da sociedade civil é desprezada. Os planos não ouvem a sociedade”, afirmou.

 

Problemas ao longo da Bacia

 

 

Representantes de cada um dos pontos da bacia participaram da mesa redonda apresentando as dificuldades que têm enfrentado em suas regiões.

 

João Carlos da Silva, da comunidade Caraíbas do alto São Francisco, relatou que no ano de 2014 a comunidade sofreu com a falta de água. “Nós precisamos pedir água de poço para poder beber, ou seja, além da dificuldade de encontrar pescado, agora também estamos enfrentando a falta de água”.

 

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Na região do médio Seu Carlos, do Quilombo Lagoa do Peixe, declarou que tem presenciado a morte do rio. “Hoje temos muitos peixes que estão em extinção e não sei o que será da gente que vive na beira do rio. Eu seu que vai ser difícil salvar porque é difícil conscientizar a sociedade para que ela também cuide do rio”, disse.

 

Maria Alice Borges, presidente da Associação de Pescadores e Pescadoras de Juazeiro e membro do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais – MPP  afirmou que o mesmo problema é sentido no submédio São Francisco. “Recebemos do Governo uma lista dos peixes que não podemos pescar, além disso o rio está cada vez mais estreito e mais raso, tivemos que cortar nossas redes pela metade”, desabafou.

 

No baixo São Francisco, Zennus Dinys, do Conselho Indigenista Missionário – CIIMI  de Alagoas apontou a situação dos povos indígenas como crítica. “O governo não regulariza as áreas e querem mudar as populações de lugar, ignorando suas origens, seus antepassados, além disso a cidade tem jogado o esgoto no rio e a população indígena tem que conviver com a sujeira”, disse.

 

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Matéria da Articulação Popular pela Revitalização da Bacia do São Francisco

 

Publicada pelo Portal EcoDebate, 06/02/2015

 

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