IBDSC: A Revolução Possível.

IBDSC: A Revolução Possível.

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A ABIDES concluiu a atualização de seus índices de sustentabilidade o IBDSC (Índice Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável e Competitividade) e o IBDSCCO2 (Considera o impacto das emissões de CO2 devido ao consumo de energia) incluindo os dados de 2011 e 2012. Esta atualização coincidiu com a divulgação de dois fatos relevantes: a taxa de crescimento do PIB brasileiro do primeiro trimestre de 2013 de 0.6% e a publicação do balanço econômico da OECD (OECD Economic Outlook), contendo as previsões sobre o comportamento das principais economias mundiais para 2013 e 2014.

A Figura 1, abaixo, apresenta os resultados atualizados do IBDSC.

Figura 1 – IBDSC

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O conceito básico do IBDSC pode ser obtido no link

Como pode-se observar, o dado mais importante é a continuada evolução positiva da China, que em 2012 superou, pela primeira vez, os EUA em termos de volume do comércio exterior. A crise européia fica evidente quando observamos os dados de 2009 a 2012 da França, Alemanha, Itália e Inglaterra, numa indicação de que o IBDSC tem a capacidade de captar os efeitos negativos da crise econômica mundial iniciada em 2008.

Os países emergentes, de uma forma geral não foram fortemente afetados pela crise de 2008, porém, países como Argentina, Brasil e Índia, apresentam uma assimetria competitiva muito significativa, e a crise mundial não permitirá uma superação rápida deste quadro atual, a menos que estes países tenham condições de apresentar taxas de crescimento de IBDSC’s no mesmo ritmo que a China, que repetimos, “realizou uma revolução sem armas nos últimos 12 anos”.

Esta questão está no centro do debate sobre o potencial de desenvolvimento sustentável destes países em face do desenvolvimento real – somente a China e a Índia estão conseguindo transformar suas vantagens competitivas em crescimento real. A resposta está na adoção por estes dois países de políticas econômicas agressivas, fundadas em altas taxas de investimento, reformas de base, educação e tecnologia – em outras palavras, políticas “não lineares”, únicas capazes de superar a enorme assimetria competitiva.

Os dados da OECD demonstram claramente uma lenta recuperação da economia mundial, com previsão de crescimento do PIB da OECD de 1.2% em 2013 e de 2.3% em 2014. Para os países fora da OECD estas taxas são de 5.5% e 6.2% (neste segmento estão todos os países emergentes), com destaque das melhores previsões para a China (8.4% em 2014) e Índia (6.4% em 2014) contrastando com os dados referentes ao Brasil – 2.9% em 2013 e 3.5% em 2014. Estas informações guardam uma consistência muito positiva com os dados de IBDSC acima apresentados, o que qualifica o índice da ABIDES como um indicador confiável.

Na Figura 2, abaixo, são apresentados os resultados atualizados do IBDSCCO2 no qual os efeitos das emissões per capita de CO2 causadas pelo consumo de energia foram computados. A infrodução deste parâmetro foi adotada pela ABIDES visando colocar no cenário do IBDSC uma variável com forte ligação com o processo de desenvolvimento sustentável global e para isto selecionamos estas taxas de emissão por dois fatores: as emissões de CO2 devido ao consumo de energia é um dado representativo regionalmente das causas do aquecimento global e consideramos a confiabilidade e a disponibilidade pública destes dados. Deste modo, temos uma primeira demonstração da consideração do conceito de “economia inclusiva” através de um índice socioeconômico, pois além do IDH, que mede os efeitos econômicos e sociais, consideramos também um efeito significativo vinculado ao processo do aquecimento global, ou seja, consideramos também a variável ambiental nos valores do IBDSC.

Figura 2 – IBDSCCO2

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Os dados se apresentam de uma outra forma, agora mais favoráveis aos países emergentes, pois estes, de uma forma genérica, apresentam emissões per cápita de CO2 pelo consumo de energia, muito menores em relação aos países desenvolvidos. Por exemplo, Brasil e Argentina se aproximam do Canadá (alto grau de emissão de CO2) e os EUA já não apresenta IBDSC=1, como na Figura 1. Fica também evidente que a China, em contrapartida negativa ao seu rápido crescimento, paga um preço ambiental mais alto e a Índia, pela sua baixíssima emissão per cápita de CO2, supera países como Itália e Russia.

É exatamente nestas constatações que podermos encontar a chave do desenvolvimento futuro dos países com forte desequilíbrio de competitividade: é a utilização das variáveis ambientais favoráveis, como motores da revolução possível – o Brasil, por exemplo, conforme dados da UNEP, tem potencial de multiplicar o seu crescimento por um fator 8, se considerarmos o potencial da nossa “economia verde”.

É este o debate que colocamos para a sociedade brasileira e mundial, a partir das conclusões que agora podemos obter com a análise do IBDSC.

ENG. EVERTON CARVALHO

PRESIDENTE DA ABIDES

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