HIDRELÉTRICAS: NOVA FRONTEIRA DA COOPERAÇÃO ECONÔMICA BOLÍVIA-BRASIL.

HIDRELÉTRICAS: NOVA FRONTEIRA DA COOPERAÇÃO ECONÔMICA BOLÍVIA-BRASIL.

 

CACHUELA ESPERANZA – BOLÍVIA

CACHUELA-ESPERANZA

Com a reeleição de Evo Morales na Bolívia e Dilma Rousseff no Brasil, estão dadas as condições políticas para a construção de mais um laço de cooperação entre os dois países no campo energético. A construção das hidrelétricas Binacional (3.000MWe), no Rio Madeira em território boliviano e a de Cachoeira Esperança (800 MWe), no Rio Madre de Dios em território boliviano.

Conforme dados do Portfólio de Projetos da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-AmericanaIIRSA, os investimentos previstos para estes dois empreendimentos montam em US$ 3.2 bilhões.

Em 2013 o Brasil foi o principal destino das exportações bolivianas totalizando US$ 3.94 bilhões (37.7%), bem acima das exportações para a Argentina de US$ 1,73 bilhões (16.6%) e EUA de US$ 1.30 (12.4%). Já nas importações o Brasil fica em segundo lugar com US$ 1.53 bilhões (20.5%) abaixo do Chile com US$ 1.70 (22.7%).

A Bolívia foi o 21º parceiro comercial brasileiro, com participação de 1,1% no total em 2013. Entre 2009 e 2013, o intercâmbio comercial brasileiro com o país cresceu 113%, de US$ 2,57 bilhões para US$ 5,47 bilhões. Nesse período, as exportações cresceram 66,9% e as importações, 138,7%. O saldo da balança comercial, favorável à Bolívia em todo o período, registrou déficit brasileiro de US$ 2,4 bilhões em 2013.

A análise das pautas de importação e exportação da Bolívia no âmbito do comércio bilateral aponta para necessidade de mudanças e avanços. A pauta de importações se concentra em produtos manufaturados do Brasil, principalmente Máquinas Mecânicas, Ferro e Aço, Automóveis, e Máquinas Elétricas, entre outros, enquanto que a pauta de exportações para o Brasil se concentra nos combustíveis, particularmente as exportações de gás natural pelo GASBOL, que atende a 28% do consumo interno do Brasil deste insumo energético, que representou 97.35% (US$ 3.83 bilhões) das exportações em 2013, restando resíduos nas áreas de alimentos, gesso e sal.

Fica evidente a necessidade de diversificação da pauta de exportação da Bolívia, que tem potencial para isto nas áreas mineral, alimentos, e como aqui apontado, a exportação de energia elétrica, mercado este que pode adicionar entre US$ 3.00 a US$ 3.50 bilhões às receitas de exportações da Bolívia, ou seja valores equivalentes às atuais exportações de gás natural. Seria como se implantássemos um novo ELETROBOL.

É inegável que a integração elétrica Bolívia-Brasil, em adição ao mercado de gás natural, é um fator de grande significado na formação de um cluster energético na América do Sul, capaz de fomentar um processo de desenvolvimento econômico sustentável no continente, atraindo investimentos nas áreas de logística, produção industrial e agronegócio. A navegabilidade do sistema hidroviário Madre de Dios – Beni – Madeira é um fator de indução deste novo processo de desenvolvimento sustentável, principalmente no contexto dos Países da Bacia Amazônica, e para que isto seja possível, a construção das eclusas nas duas barragens tem que ser garantida dentro do âmbito de um Acordo Binacional, no qual o Brasil também terá como contrapartida garantir a implantação das eclusas das Usinas de Santo Antônio e Jirau, motivo de polêmicas em nosso país, mas que precisam ser superadas.

Atenção especial terá que ser dedicada aos impactos sócio ambientais, o que irá requeres profundos estudos capazes de gerar dados e elementos para as necessárias compensações ambientais. Este tema tem sido objeto de justas preocupações do Governo Boliviano e de organizações não governamentais ambientalistas do país amigo. A ABIDES (Brasil), em parceria com a CUMAT (Bolívia), vem se dedicando a estes estudos e consideramos fundamental que as comunidades bolivianas a serem impactadas sejam consultadas desde o início do processo e não somente consultadas, mas devidamente envolvidas nos projetos e ações, de modo a se preservar a cultura e os valores destas populações, bem como tornar viável o aumento do emprego e renda nas regiões da área de influência destes dois empreendimentos. Erros que foram cometidos no passado, como no Peru, devem servir como elementos de reflexão, para que estes não se repitam no caso da cooperação elétrica Bolívia-Brasil.

Assim como somos conscientes da grande relevância desta cooperação para unir definitivamente Bolívia e Brasil, somos também sabedores da dimensão dos desafios a serem enfrentados e superados. Porém, com o aumento da sinergia hoje verificada entre os dois povos, seremos capazes de juntos realizar este sonho.

Eng. Everton Carvalho (Presidente da ABIDES e Diretor da Câmara de Comércio Brasil-Bolívia da ACRJ)

 

 

 

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