Há Esperança após o Abismo.

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Há Esperança após o Abismo.

Quando publicamos o nosso estudo “Integração Paralela da Economia” em 2012 ( A Revolução Possível), estávamos longe de imaginar que em 2015, somente 3 anos depois, o Brasil estaria nesta situação de grave crise econômica e institucional. Nas conclusões do estudo, elencamos os tópicos abaixo.

 A utilização do conceito de Integração Paralela da Economia tem todas as condições de introduzir um novo dinamismo no nosso processo de crescimento econômico, na medida em que se constitui num instrumento estruturante inserido na nossa realidade.

 A Integração Paralela da Economia não é um programa clássico de ajuste econômico.

 Engloba ações e segmentos dinâmicos com plena capacidade de utilizar os nossos recursos e vantagens comparativas para quebrar a assimetria competitiva em relação aos países das economias centrais e outras nações do nosso porte. Ao oficializar atos legais no Novo Plano da Economia, o país contará com instrumentos para atuar nos fóruns do comércio internacional, combater barreiras não tarifárias e promover a nossa competitividade.

 Constituindo-se em instrumento de alcance nacional e intergeracional, a IPE terá no Presidente da República e demais lideranças expressivas nacionais, os agentes mobilizadores coordenadores de todo o processo, oferecendo ao conjunto da sociedade uma nova utopia, capaz de reinventar a autoestima e a mobilização nacional.

No primeiro tópico resaltamos o fator da mudança estrutural, que significa uma mudança de paradigma, calcada na realidade nacional, nas nossas vantagens comparativas, combinadas de maneira a introduzir dinâmica na nossa economia. Um dos elementos da nossa abordagem quando a este fator é a estruturação de um “Novo Fundo Nacional de Desenvolvimento”, com fundamentos na captação da poupança nacional dentro de regras justas de remuneração referenciada na taxa de retorno de empreendimentos seletos. Por este mecanismo, até mesmo a proposta de repatriação de capitais poderia ser efetivada de uma forma ética e dentro da lógica do mercado financeiro.

No segundo e no terceiro tópicos informávamos que a Integração Paralela da Economia – IPE não é um programa clássico de ajuste econômico. Na realidade IPE é uma fórmula ousada de superação de barreiras e obstruções ao processo de aceleração do crescimento econômico em bases sustentáveis e sustentadas, considerando marcos claros de inserção de novos processos de promoção do crescimento dos investimentos, redução dos custos de produção e aproveitamento inteligente das nossas vantagens comparativas. Porém, o pânico que se instalou nos governantes deste País, nos levou ao apego aos modelos clássicos do ajuste econômico e a escolha de opções aparentemente fáceis para engendrar uma recuperação da economia, que na realidade é repetição de mecanismos utilizados na crise de 2008, com alguns disfarces. Nossos indicadores já apontavam em 2013 para a insuficiência deste modelo clássico para diminuir a assimetria do nosso processo de crescimento em relação às economias desenvolvidas e mesmo em relação às economias de nações em desenvolvimento, como a China e a Índia, que souberam identificar caminhos novos que os levaram a altas taxas de desenvolvimento na primeira década deste século XXI.

No quarto tópico tratamos da questão institucional, em particular do papel do Presidente da República e demais lideranças políticas para a condução de um programa com as características o IPE. Sabíamos, quando formulamos esta proposta, que ela só seria viável se apoiada por uma coesa unidade nacional, que para ser efetiva necessitaria da atitude de liderança dos governantes nos três poderes da República, pois somente assim, com esta motivação e força mobilizadora, a sociedade se integraria a este grande esforço nacional.

Mas infelizmente o que hoje vemos é um Presidente da República na defensiva, um esgarçamento das forças que apoiam o governo e uma ação do Poder Judiciário que expões as entranhas de um vergonhoso esquema de corrupção nunca antes visto no País, levando ao descrédito das instituições junto à maioria da sociedade.

Neste momento cremos pouco provável que uma proposta de um plano com as características da IPE possa ser colocada em prática – as condições para tal existiram no pós-crise de 2008, mas o ufanismo e o apego ao poder cegaram os governantes e a arrogância dos detentores do poder não permitiu que estas ideias inovadoras pudessem ser consideradas.

Agora, neste momento crítico, só nos resta a esperança de que após o desfecho desta grave crise ou mesmo após cairmos no abismo para o qual estamos sendo direcionados, mentes abertas e inteligentes possam se ater ao conteúdo da nossa proposta e utilizá-lo para o resgate do País.

Engenheiro Nuclear Everton Carvalho
Presidente da ABIDES

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