EQUIVALÊNCIA NUCLEOELETRICIDADE = ÁGUA.

EQUIVALÊNCIA NUCLEOELETRICIDADE = ÁGUA.

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  1. Contexto.

Desde setembro de 2012, o setor elétrico experimenta problemas sérios em relação aos reservatórios das hidrelétricas, particularmente evidências de que estes não estão mais conseguindo cumprir seu papel regulador, que já foi plurianual até a década passada. Nos últimos dois anos este papel foi inteiramente superado e a utilização intensiva de térmicas convencionais para tentar manter os níveis dos reservatórios durante todo o período de setembro de 2012 a março de 2014, é a evidência mais cabal de que este papel se esgotou.

Portanto, dentro da configuração atual da matriz elétrica, é necessário evidenciar as causas deste quadro crítico, identificar parâmetros que possam orientar medidas de revisão do modelo do setor tendo por meta criar condições de estabilidade e melhoria da segurança energética.

Atualmente as usinas térmicas respondem por 20% do total da potência instalada no Sistema Integrado Nacional – SIN (106 GW) e o despacho de todas as térmicas disponíveis tem sido a âncora para preservar os atuais níveis dos reservatórios das hidrelétricas, claro com um custo elevado devido à utilização de combustível fóssil (gás natural, óleo diesel, óleo combustível e carvão), que vem causando sérios impactos nas finanças públicas e na economia das empresas distribuidoras de energia.

Considerando que nossa matriz elétrica tem uma predominância de geração hidrelétrica, (72.13% – ONS – 31/12/2012), a segurança energética em médio prazo depende da conservação do nível dos reservatórios existentes, pois novos reservatórios não serão construídos tão cedo, tendo em vista a intensiva utilização de usinas “a fio d’água” nos novos projetos (Santo Antonio, Jirau, Belo Monte e futuramente Teles Pires).

Neste estudo abordamos a intensificação do uso de usinas nucleoelétricas na base do sistema, como uma forma de “criar água”, no sentido de propiciar uma maior acumulação de água nos reservatórios existentes de modo a que estes voltem a ter pelo menos uma capacidade regulatória de 2 a 3 anos. Avaliamos também o papel das térmicas convencionais, que a partir da atual crise, juntamente com as usinas nucleoelétricas existentes e a virem ser construídas (Angra 1, Angra 2+3) já estão incorporadas na geração de base do SIN.

 

  1. PARÂMETROS DA EQUIVALÊNCIA.

Utilizando O fator de conversão extrapolado dos dados hídricos e elétricos do sistema do Rio São Francisco, calculamos a “Equivalência Nucleoeletricidade = Água” para as usinas nucleoelétricas brasileiras considerando um fator de carga de 90%:

A1+A2 = 1.900 MW x 0.9 = 1710 MW > 1,508 x 109 m3

(5.27 % Vu de Sobradinho ou 0.838 x Vol. da Baia de Guanabara)

A1+A2+A3 = 3.200 MW x 0.9 = 2.880 > 2.541 x 109 m

 (8.88 % Vu – Sobradinho ou 1.41x Vol. da Baia de Guanabara)

 

Considerando por hipótese um aumento de 10% (aumento de 20% para 30%) da base térmica utilizando usinas nucleoelétricas, equivaleria a uma reserva hídrica (colchão para amortecer os efeitos hidrológicos) de:

 

10.000 MWx0.8823 x 106 =8.823×1010  m3> Aproximadamente 3 vezes o Volume Útil de Sobradinho ou  5 vezes o Volume Útil do reservatório de Furnas, volumes estes capazes de absolver parte significativa das incertezas hidrológicas propiciando a retomada da capacidade plurianual dos reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras.

 

Utilizando O fator de conversão extrapolado dos dados hídricos e elétricos da Usina de Furnas, calculamos também a “Equivalência Nucleoeletricidade = Água” para as usinas nucleoelétricas brasileiras considerando um fator de carga de 90%:

 

A1+A2 = 1.900 MW x 0.9 = 1710 MW > 0.94 x 109 m3

(3.28 % Vu de Sobradinho ou 0.52 x Vol. da Baia de Guanabara)

A1+A2+A3 = 3.200 MW x 0.9 = 2.880 > 1.584 x 109 m

 (5.48 % Vu – Sobradinho ou 0.88 x Vol. da Baia de Guanabara)

 

Considerando por hipótese um aumento de 10% (aumento de 20% para 30%) da base térmica utilizando usinas nucleoelétricas, equivaleria a uma reserva hídrica (colchão para amortecer os efeitos hidrológicos) de:

 

10.000 MWx0.55 x 106 =5.500×1010  m3> Aproximadamente 2 vezes o Volume Útil de Sobradinho ou  3 vezes o Volume Útil do reservatório de Furnas.

 

Resumindo, podemos considerar dois extremos:

1)    Considerando os dados de Sobradinho.

10.000 MWe Nucleoelétricos = 3 x Vol.u de Sobradinho ou 5 x Vol.u Furnas

2)    Considerando os dados da Usina de Furnas.

10.000 MWe Nucleoelétricos = 2 x Vol.u de Sobradinho ou 3 x Vol.u Furnas

 

  1. Conclusões.

Os levantamentos aqui realizados nos permitem constatar que os reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras perderam definitivamente o seu papel regulador dos efeitos das variações hidrológicas, aumentando substancialmente o risco de desabastecimento elétrico no país. O acionamento das térmicas convencionais e a utilização das usinas nucleoelétricas de Angra dos Reis durante o período de setembro de 2012 a março de 2014 (quando todas as térmicas foram despachadas pelo ONS) é prova cabal deste esgotamento.

Dentro deste quadro, as térmicas convencionais, concebidas para serem operadas somente como backup das hidrelétricas passam a integrar a energia de base do sistema, implicando em custos operacionais mais elevados, com consequente impacto nas tarifas de energia elétrica.

Considerando esta realidade, cabe, em médio e longo prazo, aumentar a base térmica de modo a proporcionar um colchão de amortecimento para absolver as incertezas hidrológicas e para tal a intensificação do uso de usinas nucleoelétricas é a única opção confiável, considerando as incertezas no aumento da oferta de gás natural e a real disponibilidade de reservas expressivas de urânio no Brasil, dentro do conceito da “Equivalência Nucleoeletricidade = Água”, aqui desenvolvido.

Com esta solução de médio e longo prazo, se restabelece a capacidade regulatória plurianual das hidrelétricas brasileiras.

 

Engenheiro Nuclear Everton de Almeida Carvalho

Presidente da ABIDES

 

 

Referências.

 

Ref/1/ A indústria e o Brasil – Gás natural: Uma proposta de política para o Brasil /

Confederação Nacional da Indústria. – Brasília, 2010. ISBN 978-85-7957-054-4

 

Ref/2/ ANÁLISE ESTRATÉGICA DOS RESERVATÓRIOS DAS HIDRELÉTRICAS; Everton Carvalho; ABIDES; dezembro/2012.

Ref./3/ Modelo de Avaliação da Economia Hídrica de Reservatórios Hidrelétricos em Operação, Aloisio Caetano Ferreira, UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DA ENERGIA.

 

Ref./4/ Projeto de Gerenciamento Integrado da Bacia do São Francisco – ANA- São Paulo (SP) – Novembro/2002.

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