Energia Nuclear – Solução Ideal para a Crise do Rio São Francisco

Energia Nuclear – Solução Ideal para a Crise do Rio São Francisco

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A transposição do Rio São Francisco está colocada na agenda nacional como projeto estratégico do Estado Brasileiro. Projeto já idealizado no início do século passado, este passou por diversas revisões e adaptações às condições da realidade atual. Atualmente as obras da transposição estão atrasadas e os custos inicialmente projetados foram reajustados significadamente.

O ponto mais importante da discussão trata-se da disponibilidade de água para a transposição, face às necessidades de revitalização do Rio. Levando em consideração este parâmetro, o projeto original do ano de 2000, que previa uma vazão de transposição de 63.5 m3/s, foi revisto para uma vazão de 26 m3/s, em 2004, como forma de dar uma resposta aos questionamentos colocados.

A vazão de transposição atualmente projetada pelo Ministério da Integração Nacional representa 24.6% do total dos consumos consuntivos e perto de 5 vezes o consumo urbano atual. Em termos da vazão média anual do rio, a vazão de transposição corresponde a aproximadamente 1%.

Se prevalecesse a vazão de transposição do ano de 2000, esta representaria perto de 2.2% da vazão média anual. Portanto, em termos relativos, a vazão de transposição é pouco significativa em relação à vazão natural média do São Francisco. Já em relação à disponibilidade hídrica (vazão regularizada mais a vazão incremental com permanência de 95%) de 1849.4 m3/s, a vazão de transposição representa 1.4%.

Se compararmos com os usos consuntivos atuais, a vazão de transposição representa uma parcela significativa e elevará o total destes usos para 131.499 m3/s, (considerando que não haverá nenhum retorno da vazão de retirada).

Tecnicamente, portanto, o volume de água prevista na transposição não teria um impacto significativo, em termos da vazão média, mas os argumentos dos grupos ambientalistas e lideranças regionais são de que o Rio São Francisco está em uma fase de perda de vigor, em função de diversos fatores, como o desmatamento, poluição e assoreamento, o que faz sentido, e justifica a idéia de que a revitalização é uma necessidade urgente.

A realidade atual dos reservatórios da Bacia do São Francisco, em particular do reservatório principal de regulação, o Reservatório de Sobradinho, atingiu índices alarmantes em termos de disponibilidade hidroenergética, tornado muito mais agudos os problemas, tanto de revitalização quando em termos do desenvolvimento sustentável da toda a Região Nordeste, colocando até mesmo em risco o projeto de transposição.

No mês de outubro de 2015, a situação dos reservatórios da Região Nordeste é a mais crítica dos últimos 4 anos. O nível de energia armazenada na região atingiu o valor de 8.86% do máximo em outubro, abaixo dos 13.03% do mínimo obervado no ano passado em novembro de 2014.

 

A situação do reservatório de Sobradinho, que apresenta atualmente  somente 4.55% do volume útil, com afluência de 500 m3/s e defluência de 930 m3/s, diferença de 430 m3/s, responsável pela depreciação do volume útil, se torna assim insustentável do ponto de vista hídrico.

 

Considerando a permanência desta diferença no mês de novembro para a frente, o volume útil de projeto de Sobradinho de 2.86 x 1010 m3 e o nível atual, o volume atual estaria zerado em 35 dias – ou seja a geração hidrelétrica própria da Região Nordeste estaria zerada, sem considerar que antes de o nível zerar, as turbinas teriam que ser desligadas antes, por razões técnicas.

O gráfico abaixo demonstra que esta situação vem evoluindo negativamente desde a crise iniciada em 2012, com uma piora substancial neste ano de 2015, quando no período das chuvas (novembro/2014 a abril/2015) não ocorreu a recuperação sazonal obervada nos anos anteriores, fator que levou ao agravamento observado.

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A potência instalada na bacia do rio São Francisco, representa 90% de toda a energia hidrelétrica da Região Nordeste.

Portanto, em face deste quadro, retomamos proposta que elaboramos em 2013, apontando a solução nucleoelétrica como a melhor e talvez única opção racional e inteligente, capaz de permitir a recuperação dos volumes dos reservatórios da bacia do Rio São Francisco com impactos positivos em termos da tão desejada revitalização como da estabilidade do fornecimento de energia elétrica, fator fundamental para o desenvolvimento sustentável da Região Nordeste.

As metas desta proposta são as seguintes:

  1. Aumentar a oferta de energia elétrica para a Região Nordeste e para o Sistema Integrado Nacional – SIN;
  2. Viabilizar um aumento de vazão disponível para a revitalização do rio São Francisco no montante de até 300 m3/s.
  3. Disponibilizar uma vazão de até 65 m3/s para fins da transposição.
  4. Produzir energia para o bombeamento das águas da transposição.

A estratégia para atingir estas metas considera a flexibilização de até 30% da energia elétrica firme das usinas hidrelétricas atualmente em operação no rio São Francisco, como forma básica de aumentar a oferta de água para os demais usos e para a revitalização do rio.

Esta flexibilização será viabilizada pela oferta de 5.000 MWe (4 unidades) de potência nucleoelétrica  instalada, o que dá margem para a substituição de até 2000 MWe (até 30%) da energia gerada pelas hidrelétricas. Considerando que as quatro unidades nucleoelétricas operarão com um fator de carga de 90%, a energia firme será de 4500 MWe, dos quais  até 2000 MWe serão reservados para a substituição de hidroeletricidade e 2500 MWe para atender ao aumento da demanda do mercado e ao bombeamento das águas de transposição.

A vazão incremental de 365 m3/s, foi estimada em caráter preliminar considerando a variação de volume dos três maiores reservatórios existentes (28669 hm3), extrapolando-se a vazão necessária para a geração de 6000 MWe firmes pelas usinas hidrelétricas localizadas no rio São Francisco.

Sabemos que há uma grande relutância de pesquisadores e de lideranças ambientais e políticas da Região Nordeste em admitir a solução aqui proposta por diversas razões, que vão de desde legítimas preocupações com o risco de acidentes nas usinas nucleares, questões políticas e preocupações tecnológicas.

Porém, a experiência das usinas de Angra dos Reis e mesmo das usinas semelhantes em países como França, EUA, Rússia e China, demonstram que estas usinas apresentam margens de risco de acidentes muito baixos para os padrões de segurança ambiental e humana – se consideramos os valores desses riscos registrados dentro da realidade operacional deste conjunto de usinas.

Do ponto de vista ambiental, a adoção das usinas nucleoelétricas traz a vantagem de se evitar a emissão dos gases do efeito estufa. As quatro unidades sugeridas têm a capacidade de evitar a emissão de 20 milhões de toneladas de CO2 anualmente para a atmosfera.

Por outro lado, o desastre ambiental e social que representaria o esgotamento do Rio São Francisco, que seria mais uma grande tragédia para o povo nordestino, requer honestidade ideológica e racionalidade na adoção da melhor solução capaz de evitar este colapso – com esta percepção estamos oferecendo estes elementos para a reflexão daqueles interessados na solução deste grave problema nacional. Com a adoção da solução aqui sugerida, num prazo de 10 anos, poderemos ver recuperado quase na totalidade o volume dos reservatórios localizados na Bacia do Rio São Francisco.

Estamos conscientes de que uma solução nucleoelétrica, nos termos aqui propostos, também exigirá uma profunda reformulação do setor elétrico brasileiro, em particular no setor nuclear, que necessita urgentemente uma reorganização institucional capaz de oferecer as condições objetivas que permitam a construção das 4 unidades nucleoelétricas aqui em consideração, com ênfase na necessidade de participação de capital privado nacional e internacional neste novo empreendimento.

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Eng. Nuclear Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

Referências.

/1/ Modelo de Avaliação da Economia Hídrica de Reservatórios Hidrelétricos em Operação, Aloísio Caetano Ferreira, UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DA ENERGIA.

 

/2/ Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Hidrelétricos no Brasil: Uma Contribuição para o Debate, Escritório do Banco Mundial no Brasil, Relatório No. 40995-BR.

 

/3/ Energia Nuclear = Água, Everton de Almeida Carvalho, Editorial ABIDES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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