Distribuição de Mudas de Araucária

Programa de Recomposição de Matas de Araucária
REGIÃO DE VISCONDE DE MAUÁ

Em parceria com o Centro Cultural de Visconde de Mauá – CCVM, a ABIDES promoveu durante os meses de outubro e novembro de 2012 a distribuição de 1000 mudas de Araucária, árvore símbolo da Região de Visconde de Mauá.

Foi realizada atividade de distribuição de 300 mudas de Araucárias pelos alunos do Colégio Estadual Antonio Quirino, no último dia 17 no centro de Maringa (RJ). Outras 700 mudas foram distribuídas para proprietários rurais, pousadas e condomínios da região, atividades que contou com o apoio e participação do CCVM na pessoa do ambientalistas Joaquim Moura.

O momento mais marcante do programa foi o evento de encerramento das atividades de 2012 com distribuição de mudas de araucária no centro de Maringá/Itatiaia, com a presença do Presidente da ABIDES, Eng. Everton Carvalho, do artista plástico Maurício Rosa, curador da Exposição “O Papel das Vilas” e do estudante Uriel Barone, representando o coletivo dos alunos do Colégio Estadual Antônio Quirino, que participou do programa de distribuição de mudas. Foi realizado um balança das atividades e a continuidade do programa em 2013 foi objeto de debate com a presença do Administrador Regional de Itatiaia em Maringá, Dr. Alexandre Florêncio.

O Projeto e as cartilhas informativas sobre a araucária foram apresentados no evento de encerramento das atividades socioambientais do Colégio Estadual Antônio Quirino, atividades estas apresentadas no vídeo.

 

 

INFORMAÇÕES TÉCNICAS SOBRE A ARAUCÁRIA.

Araucária Angustifólia.

Araucária L. Jussieu compreende dezenove espécies de ocorrências restritas ao hemisfério sul, sua origem remonta a mais de 200 milhões de anos atrás. Destaca-se a Araucária Angustifólia, o genuíno pinheiro brasileiro, esta arvore também conhecida como pinheiro do paraná, araucária, pinho, pinheiro das missões e por outros nomes populares. Chamada de curi e curiúva pelos índios brasileiros. Esta inserida no domínio da Mata Atlântica, classificada como Floresta Ombrófila Mista, ou seja, mata de araucária, floresta de pinheiros ou pinhais.

Trata-se de uma típica conífera brasileira, árvore grande e perenifólia, de tronco reto e quase cilíndrico, com altura variando entre 10m e 35m, fuste com até 20m ou mais e, diâmetro à altura do peito acima de 50cm, quando adulta, alcançando melhor desenvolvimento a partir dos 30 anos de idade. Possui forma única na paisagem brasileira, parecendo uma taça ou candelabro. Pode atingir alturas de até 50m, com um diâmetro de tronco à altura do peito de 2,5
A Floresta de Araucária ocupava uma área original de 200 mil km², quando do descobrimento do Brasil se estendia numa faixa contínua no planalto meridional, desde o sul do estado de SP até o norte do RS chegando à província de Missiones na Argentina. Outras manchas esparsas existiam nos estados MG, RJ até o ES. Seu habitat perfeito são regiões altas de 400m até 1000m, sendo que são encontrados alguns exemplares até a 1800m de altitude na Serra da Mantiqueira.
A partir do século XIX foi intensamente explorada por seu alto valor econômico (madeira e sementes), hoje ameaçada de extinção, em pouco mais de 100 anos teve seu territorio reduzido a pequenas ocorrências de matas isoladas, que correspondem a cerca de 5% de sua área original.

Possui um longo ciclo reprodutivo, a primeira flora pode ocorrer antes dos 15 anos de idade. É uma planta dióica, isto é, há árvores femininas e masculinas, com suas respectivas inflorescências ou estróbilos com predominância de pinheiros masculinos.

A floração feminina ocorre o ano todo, a masculina, de agosto a janeiro. A polinização ocorre de outubro a dezembro, realizada principalmente pelo vento. As sementes precisam de quatro anos para completar o amadurecimento. As pinhas maduras rebetam nos galhos entre maio e agosto e esparramam as sementes em um raio de até 80m em torno. Nos povoamentos naturais, a produção das sementes (Pinhão), ocorre normalmente após 15 a 20 anos de idade, conforme a densidade da mata, quando plantadas isoladas iniciam a produção de sementes entre 10 e 15 anos.

A árvore precisa de um fator de dispersão e a disseminação complementar se dá através das aves e animais que se alimentam delas como cotias, gralhas, papagaios, tucanos, pacas, quatis, camundongos, esquilos. Os seres humanos também têm sua parcela de colaboração.

Estudos arqueológicos revelam que grupos pré-históricos de caçadores e coletores definidos como tradição cerâmica Taquara/Itararé ocuparam a região do planalto sul brasileiro e seus assentamentos estão distribuídos segundo o domínio da floresta Ombrófila. O Pinhão seria base em sua dieta. Acredita-se que realizavam a coleta, desenvolveram o manejo e plantio da espécie, implementando florestas como ilhas de recursos próximas aos novos assentamentos. Assim podemos estar participando da disseminação da espécie desde o período do Holoceno tardio. O Holoceno é um termo para definir o período 11 mil anos, final da era do gelo até a contemporaneidade.

O que a Araucária tem?

Da araucária são obtidos vários produtos.

Sua madeira de alta qualidade já foi de importância básica para a economia brasileira. Sua cor é branco-amarelada de textura fina e uniforme. A madeira macia para trabalhar é facilmente atacada por fungos e cupins, porém aceita bem tratamentos protetores. Utilizada para grande variedade de produtos, desde palitos de fósforo até mastros de navio, móveis, forros, caibros, caixas, artesanato etc.

Também é procurada para fabrico de papel, tendo fibra longa, que confere maior resistência ao papel, e cor clara, que necessita de menos branqueamento químico.

Da casca pode-se extrair a resina que destilada fornece alcatrão, óleos, terebintina, breu, vernizes, acetona e ácido piro lenhoso para várias aplicações industriais e produtos químicos.
A casca da araucária, devido a sua espessura de até 10cm nas árvores adultas e elevada concentração de resina, possui considerável poder calorífico. Indicado para aquecimento e produção de bio-energia. Nó-de-pinho, é excelente combustível excedendo a 8.000 calorias, tendo sido largamente usados nos fogos domésticos, nas caldeiras de locomotivas e de embarcações. Hoje alimentam os fornos de metalúrgicas. Suas cinzas contêm potassa em abundância.

O Pinhão (assim que chamamos a semente de araucária) tem de 3 cm a 8cm de comprimento, por 1cm a 2,5cm de largura e peso médio de 8,7g. Sua amêndoa é rica em reservas energéticas, servindo para a alimentação humana, de animais domésticos e da fauna silvestre.
O pinhão também apresenta propriedades medicinais. Pesquisas indicam para o combate a azia, a anemia e a debilidade do organismo.
Propriedades nutricionais: A polpa do pinhão é formada basicamente de amido, cada 100g de pinhão cozido correspondem a:
▪ 195,5 calorias/▪ 3,94g de proteínas/▪ 35mg de cálcio/▪ 70mg de ferro/
▪ 1.350mg de vitamina B1/▪ 4.700mg de vitamina B5/▪ 41,92g de glicídios/
▪ 1,34g de lipídios/▪ 136mg de fósforo/▪ 3mg de vitamina A/▪ 240mg de vitamina B2/
▪ 13,9mg de vitamina C (informações de fontes não oficiais).

O pinhão é muito apreciado por milhares de famílias, principalmente das regiões Sudeste e Sul do Brasil. Nos invernos frios, foi alimento para os primeiros colonos. Assim, o apetite humano por esse fruto pode ter colaborado para a perpetuação da araucária e disseminação até estas montanhas e Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo..

PROGRAMA ABIDES
RECOMPOSIÇÃO DE MATA DE ARAUCARIA NA SERRA DA MANTIQUEIRA.

A Associação Brasileira de Integração e Desenvolvimento Sustentável (ABIDES), por intermédio deste programa visa à distribuição de 1000 mudas de Araucária Angustifólia, oriundas de sementes climatizadas, para serem devolvidas as matas da Mantiqueira na região turística da Região de Visconde de Mauá. Esta ação envolve os jovens da comunidade, junto com lideranças ambientais e culturais da região. As mudas plantadas serão mapeadas para monitoramento e futura avaliação.

PLANTIO DA ARAUCÁRIA.

O plantio da araucária pode ser feito por semeadura direta ou por mudas. A época ideal para a semeadura direta é nos meses de julho a agosto, colocando-se 3 sementes selecionadas por cova de até 5cm de profundidade e, após 1 ou 2 anos de crescimento, seleciona-se a melhor muda da cova e eliminam-se as restantes, porem este processo é suscetível ao ataque de roedores.Entretanto, mesmo nos plantios com mudas a mortalidade pode ser superior a 10% das plantas.

A araucária, uma Heliófila, apresenta adaptabilidade fisiológica às condições de luminosidade do ambiente, pode ser cultivada sob sombreamento aproximadamente até o terceiro ano, isso significa que é possível consorciar o plantio da espécie com outras culturas provisórias, porém, não tolera sombreamento lateral quando plantada em faixa em capoeira alta.

A época adequada para o plantio das mudas é no final do inverno. Seu crescimento inicial é lento, porém, a partir do terceiro ano, em sítios adequados, apresenta taxas de incremento anual em altura entre 1m e 1,5m e, a partir do sétimo ano, taxa de incremento em diâmetro de 2cm a 3cm.

Não custa lembrar que plantios muito adensados podem comprometer o desenvolvimento das plantas.

Araucária árvore símbolo da Região de Visconde de Mauá.

Esta nossa amiga, um patrimônio verde em nossa paisagem, como um presente da terra, acolheu os primeiros coletores, os índios e colonos, ofertando suas sementes e aquecendo os invernos mais frios.

A Araucária é nossa cultura, assim como tudo que ela simboliza em um caminho pela preservação dos sonhos da terra. O Pinhão cozido, assado quentinho ou na composição de refinados pratos e sobremesas, tem novas receitas contemporâneas para sua utilização todos os anos em um concurso gastronômico e festa popular. O Centro Cultural Visconde de Mauá estimula o desenvolvimento de arte e artesanato com a temática “pinha, pinhão, araucária” durante o Salão do Pinhão.

O papel botânico artesanal feito da entrecasca do pinhão, um papel de identidade regional que só existe aqui, criado pela MR Papel – PAPELaria ARTEsanal, de cor marrom com brilhos acobreados, como a casca da semente, serve como material de integração e expressão para os artistas “O papel das vilas”.

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