Dia Mundial Contra o Câncer – 04/2 e os Pulmões do mundo

poluição

 

 

Estão previstos mais de 27 mil novos casos de cânceres de pulmão, traqueia e brônquio este ano, no país, segundo a “Estimativa 2014 – Incidência de câncer no Brasil”. As projeções do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer dão o que pensar.

 

Já faz algum tempo que ouvimos falar dos malefícios que a poluição atmosférica pode causar à nossa saúde. Tais danos ocorrem principalmente pelo desenvolvimento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Estima-se que a poluição seja o motivo da ocorrência de 3,2 milhões de mortes prematuras em todo o mundo.

 

Há, porém, um motivo a mais para se preocupar. Em outubro, a agência da Organização Mundial de Saúde – OMS,  especializada em câncer, a IARC, classificou a poluição do ar externo como carcinogênica para humanos. Isto significa que há evidências suficientes de que a exposição à mesma causa câncer de pulmão.

 

Segundo publicação da OMS, no ano de 2010 ocorreram 223 mil mortes por câncer de pulmão causadas pela poluição do ar. Há também associação do problema com um aumento do risco de câncer de bexiga.

 

A poluição do ar externo a que a agência da OMS refere-se diz respeito às partículas em suspensão no ar, que são o componente principal desta poluição. Ou seja, é o ar que todos nós respiramos, independente da localização geográfica e da concentração de substâncias específicas.

 

Quais seriam, então, as fontes desta poluição? Elas são bem conhecidas de todos nós: as emissões dos meios de transporte, da indústria, da agricultura, do cozimento residencial (carvão) e das fontes de emissão estacionárias (geração de energia).

 

É importante lembrar que os casos de câncer de pulmão têm aumentado bastante, desde o início do século passado. Trata-se hoje da neoplasia maligna mais frequente na população mundial e a causa mais importante de morte por câncer. E a doença geralmente é detectada em estágios avançados.

 

O reconhecimento de que a poluição do ar causa câncer por uma organização respeitada como a OMS é um passo importante para começarmos a pensar em mudar nossos hábitos de vida. Para sair de casa, podemos pensar em usar meios de transporte que poluam menos.

 

Ao fazer compras, a preferência por itens produzidos localmente e que não precisem de grandes deslocamentos ajuda, assim como a opção por automóveis mais econômicos.

 

De nossos governantes, podemos cobrar meios de transporte público de qualidade e pouco poluentes, o estabelecimento de normas de emissão para a indústria e a agricultura, assim como o estímulo a veículos que emitam menos partículas em suspensão.

 

O maior causador de câncer de pulmão continua sendo o cigarro, que confere um aumento do risco em até 30 vezes. Desta forma, para quem fuma ou vive perto de pessoas que fumam, o fato de saber que, além do risco do tabagismo, está exposto à poluição do ar externo, deve ser um motivo a mais para se esforçar para abandonar o cigarro.

 

Artigo de Cristiano Guedes Duque é oncologista da Oncoclínica e do INCA

 

Colaboração de Renato Guima, para o EcoDebate, 04/02/2014

 

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