Demanda crescente por metais exige que se repense as práticas para reciclagem

Reciclagem com a um enfoque centrado nos produtos pode reduzir os impactos ambientais.

 

Dois relatórios divulgados pelo Painel Internacional de Recursos – IRP, um grupo de especialistas reunidos pelo PNUMA com o objetivo de contribuir para o uso sustentável de recursos, chegaram conclusão que a crescente demanda por metais,  e que deve aumentar dez vezes nos próximos anos,  urge para que as práticas e processos de reciclagem sejam repensados.

 

Lançado durante o diálogo de alto-nível sobre Eficiência de Recursos e Gerenciamento Sustentáveis de Metais, em Berlim,  “Riscos Ambientais e Desafios dos Fluxos e Ciclos Antrópicos de Metais”  oferece um panorama sobre os desafios ambientais dos metais e o potencial da reciclagem para mitigá-los.

 

“Reciclagem de Metais – Oportunidades, Limites e Infraestrutura” aponta as melhoras necessárias nos sistemas de reciclagem.

 

“Com as economias emergentes adotando tecnologias e estilos de vida semelhantes aos países desenvolvidos, a demanda global de metais no futuro próximo será de três a nove vezes maior que a quantidade atual.”

 

” Técnicas mais sofisticadas são urgentemente necessárias para encarar os desafios da reciclagem de produtos complexos, compostos por diversos metais”, afirmou o Subsecretário Geral da ONU e Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner.

 

“Os projetistas devem assegurar que metais raros e importantes possam ser recuperados facilmente após o fim da vida útil dos produtos”, completou.

 

Metais são parte essencial da economia global e insumos básicos para infraestruturas. Seu uso continuará intenso nos próximos anos nos países em desenvolvimento devido à rápida industrialização, e nos países desenvolvidos por conta das tecnologias atuais.

 

Parte da transição para uma Economia Verde inclusiva, as técnicas de geração de energias renováveis diminuem as emissões de Gases de Efeito Estufa – GEEs,  na produção de metais, porém contribuem com o aumento da demanda, já que usam mais elementos de metais que as fontes de combustíveis fósseis.

 

“O crescimento da reciclagem pode diminuir algumas das pressões ambientais por conta do uso de metais. No entanto, somente reciclar não será suficiente se não incentivarmos a  desaceleração do uso”, comentam Ernst Ulrich von Weizsäcker e Ashok Khosla, co-líderes do IRP.

 

A reciclagem demanda bem menos energia por quilo de metal produzido que a produção primária, diminui a necessidade de exploração de minérios de baixo teor,  um processo de maior intensidade energética  e ajuda a evitar a escassez de materiais.

 

Na teoria, metais podem ser reciclados quase que indefinidamente e representam uma oportunidade para reduzir a degradação ambiental.

 

No entanto, a crescente complexidade de produtos torna difícil separar e reutilizar. Por exemplo, um telefone celular possui mais de 40 elementos, incluindo metais básicos como cobre e outros mais raros, como prata, ouro e paládio.

 

Para incentivar o aumendo das as taxas de reciclagem, é essencial um movimento global para a mudança do enfoque da reciclagem de materiais para a reciclagem de produtos, com atenção específico para  cada componentes após o fim da vida útil e de como separá-los e recuperá-los.

 

Essa otimização evita perdas ao longo de toda a cadeia da reciclagem, e pode ser um passo essencial para eficiência dos processos, para a eficiência de recursos e para a Economia Verde.

 

O potencial da reciclagem é enorme se consideramos todos os equipamentos eletroeletrônicos em uso. A quantidade de resíduos mundiais está estimada entre 20 a 50 milhões de toneladas por anos, ou de três a sete quilos por pessoa.

 

Só na Europa, a quantidade de resíduos é de 12 milhões de toneladas por ano, e deve crescer em 4% anuais,  um índice três vezes maior do que o esperado para a quantidade total de resíduos urbanos.

 

Os índices de reciclagem são consideradas baixas – um relatório anterior do IRP mostrou que menos de um terço entre os 60 metais estudados tem índices de reciclagem acima dos 50%. Já 34 elementos têm índices abaixo do 1%.

 

Mais informações

 

Os relatórios podem ser baixados, em inglês, nos links:

Riscos Ambientais e Desafios dos Fluxos e Ciclos Antrópicos de MetaisEnvironmental Risks and Challenges of Anthropogenic Metals Flows and Cycles.

 

http://www.unep.org/resourcepanel/Publications /EnvironmentalChallengesMetals/tabid/106142/Default.aspx

 

Reciclagem de Metais – Oportunidades, Limites e InfraestruturaMetal Recycling – Opportunities, Limits, Infrastructure

http://www.unep.org/resourcepanel/Publications/ MetalRecycling/tabid/106143/Default.aspx

 

Sobre o IRP

 

O Painel Internacional de Recursos – IRP foi criado em 2007 para oferecer uma avaliação científica independente, coerente e chancelada sobre o uso sustentável de recursos naturais e o impacto ambiental do uso de recursos após seu ciclo de vida.

 

Ao oferecer informações atualizadas e a melhor avaliação científica disponível, o IRP contribui a entender como desassociar o desenvolvimento humano e o crescimento econômico da degradação ambiental. Os relatórios do IRP têm a intenção de apoiar a formulação, monitoramento e avaliação de políticas.

 

Mais em http://www.unep.org/resourcepanel/

 

Algumas recomendações

 

Os relatórios apresentam uma série de recomendações para o desenvolvimento de um sistema de gerenciamento sustentável de metais. Algumas delas são:

 

  • A definição de metas baseadas no peso são obstáculos para a reciclagem de elementos em produtos complexos. Devem ser estabelecidas prioridades para diferentes materiais, como metais básicos, metais especiais, metais utilizados em tecnologias fundamentais, etc.

 

  • Sistemas certificados baseados na Melhor Tecnologia Possível – BATs, em inglês;  e outras medidas para aumentar as eficiências energética e entrópicas na mineração foram desenvolvidas recentemente e devem ser aplicadas em nível global. Essas técnicas diferem de região para região, e não necessariamente precisam ser de alta tecnologia.

 

  • As metas das políticas de reciclagem devem levar em conta a perda devido a mistura de metais e não devem exceder limites físicos, tecnológicos e termodinâmicos. Também não devem priorizar um ou dois metais em detrimento dos demais.

 

  • A optimização de sistemas e do design pode colaborar a com a reciclagem e a diminuição do impacto ambiental. Os projetistas devem levar em conta todo o ciclo de uso, assim como conhecimento metalúrgico e do processo de reciclagem, quando desenvolvem novos produtos.

 

  • As políticas públicas para reciclagem devem estar alinhadas com os fatores econômicos. Com tantos operadores nas áreas de coleta e reciclagem, é improvável que somente as leis sejam suficiente para determinar a destinação correta dos resíduos com metais.

 

Informe PNUMA no Brasil – UNEP Brazil

 

Publicado pelo EcoDebate, 29/04/2013

 

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