COPA NUCLEAR: BRASIL X CORÉIA DO SUL

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Pouco tempo após a venda de quatro reatores nucleares modernos para os Emirados Árabes Unidos, o Ministério Sul-Coreano da Economia e do Conhecimento (MKE) declarou em janeiro de 2010 que tem como objetivo atingir exportações de 80 reatores nucleares no valor de US$ 400 bilhões de dólares até 2030, no rumo de se tornar o terceiro maior fornecedor do mundo de tal tecnologia, com uma pparticipação de 20% do mercado mundial, atrás apenas dos EUA, França e Rússia.

Autoridades do setor nuclear da Coreia do Sul declararam que “Negócios relacionados à energia nuclear será o mercado mais rentável depois de automóveis, semicondutores e construção naval”. A indústria nuclear coreana será 100% autossuficiente até 2015. Após a venda aos Emirados Árabes Unidos, a meta é vender usinas nucleoelétricas para a Turquia, Jordânia, Romênia e Ucrânia, bem como para países do Sudeste Asiático. Além de exportar reatores, a Coréia do Sul também planeja entrar no mercado de US$ 78 bilhões para a operação, manutenção e reparo de reatores.

Em 1972 a Coréia iniciou a construção de sua primeira usina nuclear – Kori 1, uma unidade de tecnologia Westinghouse em contrato turnky (Pacote Fecahdo).  As obras foram concluídas em 1977 e a usina entrou em operação comercial em 1978. Depois disso houve uma explosão de atividade, com oito reatores em construção no início de 1980.

Enquanto isto no Brasil em 1970, o governo decidiu buscar propostas para sua primeira usina nuclear inicial e um contrato turnkey para Angra 1 foi assinado com a Norte Americana Westinghouse, e a construção começou em 1971 em Angra dos Reis, no complexo nuclear Almirante Álvaro Alberto.

O paralelo se encera ai, neste nascimento comum da indústria nuclear em ambos os países – a partir deste início, a Coréia deu de goleada no Brasil na Copa Nuclear.

A política energética Sul-Coreana tem sido impulsionada por considerações de segurança energética e a necessidade de minimizar a dependência das importações, considerando a energia nuclear como um elemento importante da produção de eletricidade.

Depois de projetar com Westinghouse e a Framatome (hoje Areva) a tecnologia das primeiras oito unidades PWR (Presurized Water Reactor), o país desenvolveu o Padrão Coreano de Usina Nuclear (KSNP), que se tornou um projeto reconhecido internacionalmente e foi rebatizada para OPR-1000 (Optimized Reactor Power) voltado para os mercados asiáticos, particularmente na Indonésia e no Vietnã. Seis unidades em operação e quatro em construção adotaram o modelo OPR-1000.

Dentro do plano de desenvolvimento de energia de longo prazo de janeiro de 2000, mais oito unidades nucleares (9200 MWe) devem ser concluídas até 2015 (além de quatro então em construção). Isso significará um terço da capacidade total de geração de energia do país que irá fornecer 45% da energia elétrica. O Ministério da Economia e do Conhecimento anunciou planos para atingir 59% da eletricidade gerada por usinas nucleoelétricas em 2030.

 

O Brasil começou a desenvolver tecnologia nuclear, em 1951, sob o recém-criado Conselho Nacional de Pesquisa – CNPq, mas acelerou este sob um regime militar 1964-1985.

Angra

Em 1975, o governo adotou uma política para se tornar totalmente autossuficiente em tecnologia nuclear e assinou um acordo com a Alemanha para o fornecimento de oito unidades nucleares 1.300 MWe em 15 anos. Os dois primeiros (Angra 2 e 3) deveriam ser construídos imediatamente, com equipamentos da Kraftwerk Union (KWU). As demais deveriam ter 90% de conteúdo nacional no âmbito do acordo de transferência de tecnologia. Para realizar este ambicioso projeto foi criada uma empresa estatal – Empresas Nucleares Brasileiras SA (Nuclebrás) com uma série de empresas subsidiárias focadas em aspectos particulares da engenharia e do ciclo do combustível nuclear.

No entanto, os problemas econômicos do Brasil na década 80 fez com que a construção dos dois primeiros reatores Brasil-Alemanha fosse interrompida, e todo o programa foi reestruturado no final da década de 1980. Em 1988, uma nova empresa, Indústrias Nucleares do Brasil SA (INB) assumiu a responsabilidade pelo ciclo do combustível nuclear. A responsabilidade pela construção de Angra 2 e 3 foi transferido para a utilitária Furnas Centrais Elétricas SA (Furnas), uma subsidiária da Eletrobrás.

A construção de Angra 2 foi retomada em 1995, com o aporte de US$ 1.3 bilhões de novos investimentos fornecidos por bancos alemães, Furnas e Eletrobrás entrou em operação no início de 2001, 20 anos após o início das obras. Após forte polêmica, o Governo Lula autorizou o início das obras de Angra 3, em junho de 2007, 35 anos após o lançamento do projeto. Quando a Presidente Dilma era Ministra das Minas e Energia, ela era contra a construção da usina e só foi convencida por Lula, quando já era Chefe da Casa Civil.

Portanto, pelo contraste, constatamos que a Coréia do Sul deu de lavada no Brasil na Copa Nuclear!

 

Eng. Nuclear Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

 

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