Com ambição para crescer 4% em 2014, agronegócio procura novos caminhos

Da soja à carne suína, expectativa é de aumento na produção no ano novo. Mas mercado se tornou um desafio coletivo

O agronegócio será, mais uma vez, o fiel da balança comercial brasileira em 2014. Como em 2013, quando o setor exportou US$ 100 bilhões pela primeira vez, a expectativa é que a demanda global por grãos, carnes e agroenergia impulsione a produção nacional.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio tende a ser de 4% sobre R$ 1 trilhão, cifra que acaba de ser atingida, conforme estudo técnico contratada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Com participação decisiva do consumo interno, esse índice é o dobro do previsto para a economia como um todo. Mas, para a agropecuária e a agroindústria garantirem um ano de alta, cada segmento terá de se posicionar de forma específica diante do mercado, apontam lideranças e especialistas.

Grãos no azul

O ano que entra será um teste de fogo para a soja (à esquerda). A produção brasileira de verão tem potencial para 91 milhões de toneladas, com crescimento de 11,2%. O cultivo aumenta em proporção similar na vizinhança – na Argentina, espera-se 25% a mais. E os Estados Unidos também querem produzir cerca de 10% mais soja em 2014. Mesmo assim, a perspectiva ainda é de bons preços. A soja é uma coisa sem limite de consumo no mundo.

Até o momento, não apresenta sintoma de excesso e ninguém falou para plantar menos que vai sobrar, afirma José Aroldo Gallassini, presidente da cooperativa Coamo, com sede em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná. O problema, segundo o analista de mercado da PHDerivativos Pedro Dejneka, é que, com os armazéns forrados, os produtores poderão se deparar com preços menos atraentes para 2014/15.

No caso do milho (à direita), o mercado já deu sinal de esgotamento. Os preços estão batendo nos custos, o que desestimula o plantio de inverno, a partir de janeiro.

O novo acordo entre Brasil e China pode ajudar o mercado interno, mas os problemas de logística, armazenagem e transporte reduzem a margens de lucro.

Consumo caseiro

Diante do interminável vaivém para abertura de novos mercados para a carne suína brasileira, os produtores resolveram apostar no consumidor interno. O setor articula uma campanha que pretende ampliar o consumo per capita anual de 15,4 quilos para 18 quilos até 2016. Com a melhora do poder aquisitivo do povo, a carne, inclusive de porco, ficou atraente.

Hoje, o mercado interno comporta quase a totalidade da produção nacional de suíno, aponta Nelson Otávio Minozzo, presidente Associação dos Suinocultores do Oeste. A região é referência nacional em produção de suínos e abrange metade da produção paranaense da carne.

Frango mais estável

Após a crise vivida em 2012, por conta do aumento nos custos de produção num momento de grande oferta, a avicultura brasileira precisou se ajustar. Em 2013, foram revistos os planos de médio e longo prazo. Para o ano que começa, a expectativa é de crescimento discreto da produção, ainda por influência da retração no consumo.

Novos mercados externos dão sinais de esgotamento e um de nossos principais clientes, a Europa, segue em crise, aponta o analista Osler Desouzart, da OD Consulting. De acordo com o presidente executivo da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, 2014 também será um ano para estabilização do cenário empresarial do setor.

Brazilian beef

A conquista de novos mercados deu ao Brasil liderança na exportação de carne bovina em 2008. Agora, a retração da concorrência representa reforço nesta posição. Para o coordenador do Laboratório de Pesquisas em Bovinocultura (LapBov) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Batista Padilha Junior, assim será em 2014.

Ele considera previsão de recuo na oferta de animais de corte nos Estados Unidos e Austrália. Para 2014, projeta-se crescimento de 20% no volume de carne bovina a ser exportado pelo Brasil, até 1,8 milhão de toneladas, aponta Padilha.

Pouco investimento


Com produção de cana-de-açúcar de 11% a 12% maior na colheita de 2013, o setor sucroalcooleiro começa 2014 com as mesmas lamentações dos últimos anos. Diante de preços considerados baixos, as indústrias pedem reformulação das políticas públicas para esclarecer qual deve ser a participação do etanol na matriz energética brasileira, aponta a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Haverá uma mudança no mix das indústrias.

O preço do açúcar não remunera, enquanto o etanol passou a compensar, afirma Pedro Verges, analista da INTL FC Stone. Apesar da melhora dos preços do combustível, o setor não prevê grandes investimentos ao longo do ano que começa.

Artigo de Carlos Guimarães Filho

Colaboraram Christian Rizzi, Josué Teixeira, Henry Milleo e Hugo Harada

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