“CÍRCULO VIRTUOSO DA SUSTENTABILIDADE”

CÍRCULO VIRTUOSO DA SUSTENTABILIDADE

 aguaverde

As medidas tradicionais de renda, como o PIB (Produto Interno Bruto), que mede o fluxo de bens e serviços podem ser indicadores enganosos em relação à melhoria da qualidade de vida da sociedade em economias complexas, porque estes indicadores não representam o fluxo real dos recursos naturais e suas relações com o ser humano. Em particular esta deficiência não representa adequadamente a situação dos segmentos mais vulneráveis da sociedade, principalmente nas áreas rurais.

Em decorrência da inexistência de esforços concretos por parte do Estado em desenvolver indicadores capazes de corrigir esta falha, particularmente nos países em desenvolvimento, conjunto no qual o Brasil se insere, os segmentos mais vulneráveis que dependem mais diretamente dos recursos naturais para a geração de emprego e mesmo para sua subsistência ficam sujeitos a duas tragédias:

 

  • A exclusão do fluxo de serviços ambientais que poderiam estar disponíveis e contabilizados nos orçamentos e planos resulta num vazio de políticas e de investimentos na conservação dos ecossistemas e da biodiversidade, transformand0-se na causa da “tragédia comum” – futuro insustentável para as novas gerações.

 

  • A segunda tragédia com caráter intra-geracional se refere à “tirania da média”, na qual se assume que aumentos médios no desenvolvimento significariam necessariamente progresso na distribuição do bem estar da sociedade de maneira abrangente.

Neste momento histórico de reflexão sobre o futuro da nação e de busca de novos rumos, é fundamental que estes aspectos negativos do planejamento, relacionados com o processo de Desenvolvimento Sustentável sejam radicalmente revistos e indicadores apropriados para medir os efeitos da evolução, negativa ou positiva, do fluxo de recursos naturais possam ser utilizados corretamente para “revolucionar” a sociedade em termos da melhoria das condições de vida dos segmentos mais “fracos” e vulneráveis da nossa sociedade.

Do ponto de vista da sustentabilidade destes segmentos, uma biodiversidade abundante associada com um ecossistema sadio é fator decisivo para a segurança alimentar, saúde, segurança energética e disponibilidade de água de qualidade, dinamizando relações sociais proativas e construtivas, minimizando as vulnerabilidades destes, conforme preconizado pelas Metas do Milênio da ONU. Pobreza, que gera degradação do capital natural associada com carência recursos para investimentos, leva a mais pobreza, gerando um “círculo vicioso”.

Portanto, é básico para mudar as perspectivas de amplos segmentos da população brasileira que se substitua este “círculo vicioso da insustentabilidade” pelo “círculo virtuoso da sustentabilidade”, no qual se insere necessariamente a utilização eficiente e sustentável dos recursos naturais. Este novo paradigma de desenvolvimento deve se incorporar na Pauta Nacional gerada pelos “manifestos das ruas”, considerando o nexo entre crescimento econômico, combate à pobreza e preservação ambiental.

Tecnicamente a nível microeconômico, a consideração dos ecossistemas e da biodiversidade é fonte para uma maior precisão na definição do valor da renda e da qualidade de vida possível dos mais vulneráveis, principalmente se todos os serviços ambientais disponíveis sejam corretamente avaliados. Caso contrário, caso estes valores não sejam corretamente capturados e utilizados no planejamento de políticas públicas e no direcionamento dos investimentos, os pobres ficarão ainda mais pobres e perde com isto o conjunto da sociedade.

 

Eng. Everton Carvalho – Presidente da ABIDES

 

 

 

 

 

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